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Brasília: onde o software livre busca afirmação
Embora ainda esteja longe das metas iniciais de adoção, ministérios e órgãos públicos apostam no compartilhamento de soluções para impulsionar uso do código aberto.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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O discurso mudou. As ações também – e muito. Quem ouvia falar na política brasileira de software livre dois ou três anos atrás tinha a sensação de que o governo federal ingressaria em uma onda generalizada de migrações e concluiria suas estratégias para lá de ambiciosas em pouco tempo. A realidade, porém, foi bastante diferente. No sobe-desce de ministros e líderes de projetos, escândalos políticos e cortes de verbas, não foram poucas as iniciativas que caducaram e ainda são muitas aquelas que se esforçam para não naufragar de vez.
Mas o tempo parece ter ensinado uma lição: depois de tempos andando em círculos com estratégias isoladas, os órgãos públicos parecem reconhecer que a caminhada conjunta pode trazer benefícios comuns em menos tempo. As atenções do governo estão voltadas, neste momento, ao intercâmbio dos softwares de código aberto desenvolvidos nos diferentes órgãos. “Temos estabelecido uma cooperação em torno de questões-chave para o governo, e compartilhar os softwares pode ser uma forma de atingirmos o alvo mais rápido”, aponta o secretário de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), Rogério Santanna.
Pelo modelo que leva o nome de software público brasileiro, determinado ministério ou autarquia desenvolve seus programas sob o modelo GPL (General Public License) e permite a disseminação a outras instituições públicas ou mesmo privadas, sendo passível de modificações. O Configurador Automático e Coletor de Informações Computacionais (Cacic), resultado do consórcio de cooperação entre a SLTI e a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), foi um dos primeiros produtos nesse formato e já foi implantado em mais de 30 instituições públicas até o final do ano passado. O software é capaz de fazer um diagnóstico preciso do parque computacional de uma instituição em termos de hardware e software.
Outro exemplo de iniciativa direcionada ao compartilhamento dos softwares pode ser encontrado no ministério do Desenvolvimento Agrário. Baseada nas demandas internas por soluções de help desk, gerenciamento de redes e administração de conteúdo em websites, a equipe de TI contratada pelo órgão desenvolveu três soluções em código aberto. A primeira delas leva o nome de Sistema de Controle de Acessos (Contra) e é responsável por definir a estrutura de tecnologia de uma organização, permitindo administrar os perfis dos usuários. Outro software é o Sistema de Atendimento ao Usuário (Sisau), utilizado para gerenciamento dos serviços administrativos e de informática prestados pelo órgão via intranet.
Por último, o Sistema de Administração de Conteúdo Institucional prevê o gerenciamento de conteúdos publicados na internet via plataforma livre. “Lidamos com dinheiro público e temos de aproveitar o que já existe de melhor em relação aos sistemas e compartilhar com as demais instituições”, ressalta Paulo Ricardo Carvalho de Oliveira, coordenador geral de modernização e informática do Ministério do Desenvolvimento Agrário. No caso do MDA, não foi a equipe do ministério que desenvolveu o código, já que toda a parte de desenvolvimento é feita por uma empresa privada terceirizada. “Mas mesmo neste caso a inteligência do sistema e os códigos ficam conosco e continuamos detendo o uso dos direitos dos sistemas”, declara Oliveira.
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