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Brasília: onde o software livre busca afirmação
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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Modelo exclusivo
A estratégia de impulsionar os sistemas de código aberto nos órgãos governamentais colocando o compartilhamento no centro das iniciativas ganhou novo fôlego no fim do mês de abril e foi além das esferas federais. Durante o 7º Fórum Internacional de Software Livre, realizado em Porto Alegre (RS), a Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abep) e o governo federal firmaram um acordo de cooperação para a construção de um modelo de licenciamento do software público. A iniciativa estipula o compartilhamento de softwares desenvolvidos pelas diversas instâncias de governo, não apenas dos órgãos federais. “A intenção é promover a cooperação e permitir a troca de experiências, transformando realmente o desenvolvimento dos códigos públicos em realidade”, complementa Santanna, da SLTI.
Em outra frente de ataque que tenta organizar as iniciativas espalhadas nos ministérios está o Grupo Técnico de Migração para Software Livre, coordenado por Corinto Meffe – também da SLTI. Criado em 2003 com foco nas migrações apenas das estações de trabalho, a equipe agora trabalha na elaboração de guias e metodologias mais completas para nortear a adoção dos sistemas operacionais de código aberto. “Vimos que o andamento não seria possível pura e simplesmente abordando a migração para software livre. Era necessário fornecer uma estrutura técnica de apoio efetivo para as migrações do governo federal”, aponta, citando a elaboração do Guia Livre, documento em constante atualização publicado na internet e que indica diretrizes a serem seguidas no processo.
Benefícios corporativos
A estratégia de software público extrapola, na realidade, as esferas governamentais e tem deslocado as atenções também de companhias privadas. O modelo de livre compartilhamento é um atrativo para as companhias que podem baixar e modificar de acordo com suas necessidades específicas os softwares disponíveis.
A Marisol, malharia catarinense com atuação nacional, é um caso que mostra o sucesso da incorporação de sistemas de código aberto desenvolvidos pelos órgãos públicos na esfera privada. A companhia está testando há algum tempo o Cacic como ferramenta para mapear sua infra-estrutura de software e hardware que, segundo Ivan Charles Momm, do departamento de sistemas da companhia, conta com 700 máquinas. “As conclusões preliminares indicam que a ferramenta facilita muito o controle de hardware e software. Por exemplo, como informa por e-mail alterações de hardware, permite controlar o que está acontecendo com o parque instalado”, declara.
Na avaliação do executivo, porém, o sistema ainda precisa melhorar controles de softwares. A expectativa é que os testes na Marisol, adepta das soluções de código aberto, terminem até julho. Ao lado da malharia catarinense, outras companhias que testam a adoção do Cacic são o Grupo Itapemirim, do ramo de transportes, e o Grupo Mabel, do setor alimentício.
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