Negócios
Brasília: onde o software livre busca afirmação
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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Além do Cacic e dos três softwares disponibilizados pelo MDA, outras duas instituições públicas já tem soluções que podem ser atraentes aos olhos corporativos e vão desde uma plataforma para cadastro de envio e recebimento de currículo em websites até sistemas de business intelligence em código aberto. O Centro Tecnológico de Informação e Modernização Administrativa (CTIMA), vinculado à Prefeitura de Itajaí (SC), por exemplo, tem dois softwares disponíveis: o i-Dados, que permite ao usuário gerar relatórios tabulares e gráficos baseados no banco de dados da companhia, e o i-Controle, que atua como um sistema de gerenciamento de chamados técnicos.
"Ele atua propriamente como um workflow, sistema de controle de ocorrências”, diz Murilo Allan Sodré de Souza, diretor de informática do órgão. Já a Compania de Informática do Paraná (Celepar) tem cinco softwares disponíveis em seu site, como uma solução integrada de correio eletrônico, agenda, catálogo de endereços (pessoais e corporativos), uma ferramenta de gerenciamento de tarefas e até mesmo sistemas de segurança.
Algo que os próprios especialistas alertam, porém, é que os programas, apesar de ofertados gratuitamente para download, demandam um estudo mais profundo sobre suas aplicações e em praticamente todos os casos precisarão de modificações para se adequar à realidade corporativa. Outro ponto a ser considerado é o suporte. Embora ofereçam freqüentemente manuais de uso e instalação, os órgãos que disponibilizam o chamado software público não prestam nenhum tipo de suporte, algo que força as companhias interessadas a contar com uma infra-estrutura própria para apoiar as soluções.
Aprendendo com os erros do passado
A oferta dos sistemas desenvolvidos pelos órgãos públicos não aconteceu por acaso. “Existia uma percepção por parte da comunidade [de software livre] de que o governo estava usufruindo muito e devolvendo pouco. Diante dessa pressão natural, percebemos que elaborar um modelo de compartilhamento como esse poderia ser útil para todos os lados”, declara Meffe, da SLTI.
E não é apenas essa resposta que o governo está querendo dar sobre as políticas de software livre. A meta é mostrar que, junto com as equipes engajadas nas iniciativas de código aberto que mudaram com o tempo, a abordagem sobre migração também passou a ser outra. O secretário de TI do governo, Rogério Santanna, acredita que boa parte da equipe que comandava as iniciativas há dois ou três anos trazia um visão “muito otimista” da migração e traçava as diretrizes para os projetos começando pelos desktops, que não respondem pelos maiores gastos relativos com licenças de softwares proprietários. “Quem acreditava que era possível fazer a substituição de uma hora para a outra sem mudança era no mínimo um otimista e com pouca noção prática de migração. Isso porque é necessário tratar um grande volume de sistemas legados”, detalha.
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