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Negócios

Ozzie defende estratégia de serviços, mas clientes não compram idéia

Durante evento da Microsoft, o executivo falou sobre a estratégia Live para o corporativo. Alguns presentes torceram o nariz.

Por IDG Now!

19 de junho de 2006 - 16h33
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Poucos dias antes de ser anunciado como substituto de Bill Gates como arquiteto chefe de software da Microsoft, Ray Ozzie proclamou na última semana uma nova era de “ruptura em serviços” que ele clama que vai transformar a forma como os sistemas e as arquiteturas de TI empresariais são desenhados, implementados, gerenciados e usados.

Mas a tentativa de Ozzie - então chief technical officer da companhia - de dar um enfoque corporativo à estratégia de serviços baseados em web, chamada Live, falhou em atingir o público em geral.

Profissionais presentes ao evento TechEd 2006, da Microsoft, em Boston, estavam divididos se suas companhias vão tirar proveito destes serviços nos próximos anos - se algum dia forem.

“Sou muito cético”, disse Justin Smith, administrador de mensagens e colaboração da atSodexho, empresa de servços de alimentação e gerenciamento. Ele disse que a área de TI interna da empresa oferece um nível de serviço ao qual ele acredita que dificilmente outra empresa se equipararia. “Acredito em manter o patrimônio dentro e não fora da empresa”, afirmou.

Mas o nome de Ozzie tem credibilidade suficiente para que David Porter, engenheiro de software da Progressive Casualty Insurance, pelo menos avalie a possibilidade. Porter disse que se impressionou com Ozzie desde que ele ganhou a fama de pai do Notes, na Lotus Development.

Não é de surpreender, contudo, que a Microsoft não esteja sugerindo uma transição total da área de TI das empresas do software em pacote para os serviços online. Ozzie disse que a empresa reconhece que a transformação vai ocorrer ao longo dos anos e está adotando uma abordagem “bastante pragmática”, combinando softwares para servidores e desktops com uma série de serviços corporativos, além de aplicações de parceiros.

Ozzie e outros executivos citaram diversos exemplos de serviços que podem ter apelo para gerentes corporativos de TI, desde a terceirização da hospedagem de e-mail até buscas integradas em aplicações corporativas, web e PCs.

O executivo ressaltou ainda que a Microsoft planeja atrelar o serviço de identidade do Windows Live ao Active Directory para permitir que o usuário utilize um mesmo log-in e senha para acessar múltiplas áreas. Em sua apresentação ele também demonstrou a tecnologia de mapas Microsoft Windows Live Virtual Earth para destacar pontos da sua carreira.

Andy Gorman, executivo sênior de um importante instituto financeiro disse que a visão de serviços da Microsoft tem para ele um quê de “utópica”. “É um bom conceito, só que não o vejo sendo implementado nos próximos 10 anos e não acho que muitas empresas estejam prontas para ele. Não os aceitariam culturalmente”, opinou, acrescentando que muitos usuários enxergariam problemas de segurança e controle sobre os dados.

Mas o analista do Gartner Daryl Plummer disse que tais preocupações são constantes e não devem barrar o software como serviço e a arquitetura orientada a web. Na verdade, ele acredita que a Microsoft terá que se distanciar ainda mais da infra-estrutura de software e se aproximar dos serviços.

No entanto, alguns dos visitantes do evento ainda não assimilaram a estratégia. “Não consigo me identificar com o que eles estão fazendo”, disse Tyrone Boyd, diretor de serviços de redes da Universidade de Howard, em Washington. “Não tem ligação comigo”, concluiu.

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