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Negócios

Competição move as áreas de TI dos bancos

Tradicionalmente conhecido por estar na dianteira dos investimentos TI, o setor financeiro desloca o eixo central de suas prioridades da infra-estrutura para a combinação de ações que tragam benefícios competitivos.

Por Camila Fusco, para o COMPUTERWORLD

22 de junho de 2006 - 09h59
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A tradição de ser líder em investimentos de TI não mudou no setor financeiro. Isso porque a transformação permanente está na essência das estratégias de boa parte das empresas que compõem esse segmento. Afinal, os gastos com tecnologia permitem alta velocidade de implantação das novas soluções e investimentos maciços em equipamentos de última geração. Com isso, garantem o desenvolvimento de novos sistemas e a aplicação de iniciativas que possam fazer a diferença aos olhos – e aos bolsos – dos clientes.

A satisfação dos clientes é o motor de várias novas iniciativas nos próximos meses entre as empresas do setor financeiro. De acordo com Mauro Peres, diretor de consultoria em finanças da IDC Brasil, a incorporação do acesso sem fio nas aplicações bancárias e de melhores ferramentas nas transações com o cliente, por exemplo, é hoje uma das principais estratégias na pauta de investimentos em TI do setor.

Apesar disso, muitas instituições ainda esperam pelo amadurecimento de certos sistemas para implantá-los. A pesquisa “Business Needs & Its Impacts on IT” – coordenada pelo executivo com 35 bancos brasileiros entre janeiro e fevereiro deste ano – mostra exatamente essa tendência de cautela com as novas soluções. Entre os bancos pesquisados, somente 20% consideram-se usuários de vanguarda das novas tecnologias, de maneira a esperar por maiores níveis de maturidade dos sistemas. “Principalmente os bancos pequenos e médios não podem se dar ao luxo de arriscar a utilização de uma determinada tecnologia capaz consumir toda a verba”, diz Peres.

Até mesmo o Banco do Brasil, um dos pioneiros na incorporação do chamado mobile banking, por exemplo, reconhece que ainda levará tempo para o formato de acesso às aplicações bancárias via telefonia celular se consolidar no País. “Acreditamos que o canal móvel atingirá a maturidade nos próximos três a quatro anos. Enquanto isso, a estratégia será investir para melhorar a experiência ao usuário”, aponta Glória Guimarães, diretora de TI da instituição.

O banco começou a encampar suas ações de marketing para popularizar os serviços móveis na última quinzena de março. Durante a fase piloto, contabilizou cerca de 500 mil operações móveis realizadas por mês. No entanto, o potencial do formato justifica os investimentos. Na avaliação da executiva, existe a expectativa de superação dos níveis atingidos com os serviços de internet banking, já que a penetração dos aparelhos celulares é maior entre a população em geral, comparada ao índice de acesso à rede.

Ainda nesse cenário de necessidade de avanço na infra-estrutura, mas cautela sobre o que e quando adotar, as etapas de planejamento e redesenho dos sistemas ganham peso de ouro na agenda de qualquer CIO do setor financeiro, especialmente nos bancos, onde estão sistemas praticamente históricos.

Essa é a realidade atual do Bradesco, que realiza o projeto de atualização batizado de TI Melhorias – mas que poderia muito bem levar o sugestivo nome de “40 anos em 6”. “Estamos reescrevendo toda a história dos sistemas de TI que construímos ao longo desses 40 anos”, aponta Laércio Albino Cezar, vice-presidente do Bradesco. De acordo com o executivo, o projeto foi iniciado em meados de 2003 e tem a meta de diagnosticar todas as atividades de TI, passando por processos, aplicações, ambiente operacional e infra-estrutura.

O plano, previsto para terminar apenas em 2009, já passou pela fase de diagnóstico e agora entra na fase de implementação. “Acredito que as maiores mudanças serão vistas na adoção de equipamentos, redes de comunicação e infra-estrutura, de maneira a atender as necessidades para as próximas décadas”, complementa. No projeto, serão consumidos nada menos do que 1,2 bilhão de reais.

Ainda em linha com as expectativas dos analistas, o Bradesco também aponta que a mobilidade é uma de suas prioridades atuais, principalmente no que diz respeito à experiência do cliente dentro das agências. O banco mantém dois projetos piloto em São Paulo com acesso 100% wi-fi e o uso de computadores de mão para a realização do atendimento ao cliente.

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