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Linus Torvalds mantém insatisfação com terceira versão do GPL

Criador do sistema Linux confirma decepção com 2º revisão da licença GNU, que ainda permite uso de software livre em ferramentas DRM.

Por IDG Now!

28 de julho de 2006 - 17h10
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Linus Torvalds, o criador do sistema operacional Linux, permanece incomodado com a atualização proposta à licença que controla o software de código aberto e confirma que não tem planos de adotar o GPLv3 para o kernel do Linux.

A Fundação do Software Livre (do inglês, FSF) divulgou o segundo esboço da terceira versão da licença pública GNU nesta quinta-feira (28/07).

Após um período de debates e sugestões de usuários sobre o esboço inicial, lançado em janeiro, o documento foi reescrito para esclarecer a relação entre software livre e tecnologias de gerenciamento de cópias digitais (do inglês, DRM).

Seguindo a divulgação em janeiro da primeira versão do GPLv3, Torvalds declarou publicamente que não esperava que o kernel do Linux mudasse para o GPLv3 graças a limitações propostas na questão do DRM. A posição de Torvalds não mudou após a revisão do segundo esboço.

"Eu realmente não vejo qualquer mudança fundamental ali, e tudo parece maquiado para que tenha o mesmo sentido no final das contas", escreveu Torvalds nesta sexta-feira (28/07) em uma entrevista por e-mail. "A FSF está tentando fazer algumas coisas não mais permitidas sob o GPLv3 que o GPLv2 deixou abertas, e eu penso que essas coisas eram melhores quando eram liberadas".

O segundo esboço do GPLv3 não proíbe a implementação de funções de DRM, mas, ao invés, proíbe que empresas terceiras empreguem técnicas que limitem a capacidade do usuário usar ou modificar softwares cobertos pela GPL.

Torvalds continua a questionar a necessidade do GPLv3, que será a primeira grande revisão da licença em 15 anos.

"Acho que a principal questão a ser resolvida é quem quer usar o GPLv3, e acho que cada projeto poderá fazer sua escolha", escreveu ele.

Em sua atual forma, Torvalds não vê incentivos para mover do GPLv2 e adotar o GPLv3. "Não percebo qualquer vantagem sobre as novas limitações, e estou pessoalmente muito mais feliz com a antiga segunda versão", escreveu.

"Sempre deixarei a porta aberta para entradas e melhorias futuras, mas da maneira como as coisas parecem atualmente, a nova licença v3 não tem impacto no kernel, mesmo que afete provavelmente um grande número de outros projetos".

Da maneira como a FSF organizou o processo para solicitar comentários nos esboços das licenças de usuários interessados e então incorporar as sugestões, Torvalds se descreveu como "extremamente desapontado em toda a organização".

Torvalds ainda afirmou que "emoções tendem a nublar todas as discussões de licenças que tipicamente focam seu valor na necessidade real de escrever códigos.

"Com isto, eu estava pessimista com a necessidade de uma nova licença antes de tudo, esperando que fosse apenas mais uma grande oportunidade para brigas inflamadas em listas de discussões", diz Torvalds. "O fato é que eu pessoalmente acho que as direções tomadas pela FSF com o GPLv3 não ajudarão ninguém".

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