Negócios
Indústria de TI descreve cenário ideal após eleições
Representantes da Associação Brasileira das Indústrias Elétrica e Eletrônica apontam quais seriam as políticas públicas ideais para os próximos anos.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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É praticamente unanimidade entre representantes da indústria a opinião de que, no horizonte dos próximos quatro anos, os gestores públicos não poderão apresentar o remédio para todos os males da TI brasileira. Mas também é praticamente uníssono, que nesse intervalo de tempo, já é possível caminhar um trecho razoável em direção a um cenário de maturidade.
Segundo Hugo Valério, diretor da área de Informática da Associação Brasileira das Indústrias Elétrica e Eletrônica (Abinee), em relação à pirataria, os primeiros passos já foram dados no ano passado com a chamada “MP do Bem”, que, entre outras iniciativas, trouxe benefícios para empresas que exportam mais de 80% da produção e reduziu impostos de computadores até 2,5 mil reais.
No entanto, acentuar a desoneração tributária ainda é medida que deve ser continuada. “Vimos que uma pequena redução tributária já foi capaz de reduzir o mercado ilegal – 47,7% no primeiro semestre de 2006 frente a 61% em 2005, segundo dados da consultoria IT Data”, ressalta.
Na avaliação do executivo, entretanto, além de aprofundar medidas como essas, o próximo governo poderá também intensificar a informação repassada à sociedade sobre produtos piratas e estudar novas formas de financiamento para os equipamentos do programa de inclusão digital Computador para Todos. “Como está, o programa está pela metade”, comenta.
A expectativa do governo atual era vender 1 milhão de computadores no primeiro ano do programa; no primeiro semestre de vendas foram contabilizadas pouco mais de 265 mil máquinas.
> Confira também a análise sobre exportação de software
Valério também defende a aplicação efetiva do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) para os projetos de inclusão digital. “Precisa-se mais do que nunca desse dinheiro para investir em projetos de inclusão que tenham uma unidade dentro do governo.”
Wanderley Marzano, diretor da área de Componentes e Semicodutores da Abinee, acredita que incentivos governamentais a fundo perdido seriam as melhores alternativas para atrair empresas. “Temos que parar de ter vergonha de falar em investimento governamental a fundo perdido. Isso é o que é feito em outros lugares do mundo.
A Alemanha deu 650 milhões de dólares para a AMD se estabelecer. Israel canalizou 1 bilhão de dólares para a Intel. Se não houver incentivos, não virão indústrias”, aponta.
Sobre TV digital, Paulo Gomes Castelo Branco – da área de telecomunicações da Abinee – enfatiza que as preocupações do governo federal nos próximos anos deveriam estar focadas na produção de set-top boxes. “Ao invés de ficar batendo apenas na tecla da produção de semicondutores, seria uma estratégia muito melhor. Além disso, incentivar o potencial do País para software é outro aspecto fundamental”, conclui.
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