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Negócios

Movimentação do mercado de TIC representa 8,3% do PIB

Indústria brasileira de TI e telecom vive momento de excepcional crescimento, com vendas de 157,9 bilhões de reais, em 2005, segundo o estudo 100 Maiores de TI e Telecom, do IDG.

Por Genilson Cezar, especial para o COMPUTERWORLD

06 de outubro de 2006 - 11h00
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Enfim, esforços recompensados. Os saborosos frutos dos investimentos em inovações tecnológicas, estratégias criativas de marketing e vendas e em facilidades de financiamentos de equipamentos para usuários domésticos e empresas de pequeno e médio porte, realizados nos últimos anos pela indústria de TI e telecomunicações, além das operadoras brasileiras de telefonia, começam a ser colhidos no País.

Segundo o estudo 100 Maiores de TI e Telecom 2006, executado pelo IDG Brasil em parceria com a Meka Consultoria, os negócios nas áreas de tecnologia da informação e telecomunicações movimentaram em 2005 a fantástica soma de 157,9 bilhões de reais, algo como 8,3% do PIB brasileiro, que chegou a 1,9 trilhão no último ano. O número representa um aumento de 12% sobre os 140,7 bilhões de reais faturados em 2004. Em dólar, o volume de receita (cerca de 65 bilhões), significou um aumento ainda maior, em torno de 35%.

“O mercado brasileiro de TI e de telecomunicações está em plena expansão”, avalia Mauro Perez, diretor de consultoria do segmento financeiro da IDC Brasil. “Depois de um período muito ruim nos anos de 2002 e 2003, quando praticamente não cresceu, muito em função da perspectiva da chegada do governo Lula, que inibiu os investimentos empresariais, e de um início de recuperação em 2004, o setor de TI e telecom viveu um ano bastante bom em 2005. E continua a vivenciar um excelente desempenho em 2006”, comenta o analista.

De acordo com Perez, no ano passado a indústria de tecnologia e de telecom, e as operadoras de telefonia, foram favorecidas pela queda acentuada do dólar e pelas exigências de adequação dos ambientes de TI às novas regras internacionais. “Mas também houve os incentivos governamentais e as facilidades de financiamentos concedidas pelos fornecedores de produtos”, destaca.

Dinamismo

Nos últimos 12 meses, vários segmentos confirmaram sua trajetória de fontes de negócios de alta lucratividade no País, como o de telefonia de voz fixa, que liderou o ranking de maior faturamento em 2005, com um total de 44,9 bilhões de reais (veja quadro). A telefonia móvel, de acordo com o estudo 100 Maiores de TI e Telecom, foi também responsável por parcela importante do desempenho alcançado pelo setor em 2005. Apenas cinco empresas (Telemar, Telefônica São Paulo, Brasil Telecom, TIM e VIVO) responderam por quase 50% das receitas, aproximadamente 80 milhões de reais.

O compromisso dos fabricantes de equipamentos com os planos de exportação e a acirrada concorrência das operadoras de telefonia móvel para atrair a clientela, segundo as análises do mercado, estimularam o alto consumo de telefones celulares. As vendas dos aparelhos celulares, segundo o estudo do IDG, atingiram 12,2 bilhões de reais em 2005.

Com isso, conforme dados da Anatel, a base instalada de celulares passou de 66 milhões de terminais, no final de 2004, para 86 milhões, no final de 2005. Houve avanços, também, nos serviços de voz sobre IP (VoIP) e um aumento significativo dos usuários de banda larga – eram 3,9 milhões no final de 2005, devendo chegar a 4,4 milhões de assinantes em setembro deste ano.

“É um momento de expansão agressiva”, confirma Brendan Conroy, consultor sênior da IDC Brasil, em artigo publicado na edição das 100 Maiores de TI e Telecom 2006, que estará disponível nas bancas e para os assinantes a partir de 15 de setembro. Segundo o analista, a indústria de telecomunicações investiu pesado em novas tecnologias – IPTV e triple play, infra-estrutura wireless para Wi-Fi e WiMax e na crescente migração das redes de voz de meios convencionais para a atrativa tecnologia IP.

“Ainda neste ano veremos um crescimento agressivo nos aportes em equipamentos de rede por parte de empresas e consumidores residenciais, parcialmente resultantes de demandas reprimidas em infra-estrutura e upgrades de banda larga. Mas será um investimento também relacionado à adoção de novas tecnologias, incluindo redes sem fio e VoIP”, diz.

Grandes empresas que operam no País, notadamente dos setores financeiro, industrial e de serviços, fizeram investimentos fortes em hardware, software, processos e serviços de tecnologia da informação, como mostram os números do levantamento 100 Maiores de TI e Telecom. O total das despesas dos bancos brasileiros com TI, por exemplo, atingiram no ano passado 12,9 bilhões de reais – e isso explica o bom desempenho dos fornecedores deste segmento de negócio, segundo o estudo do IDG.

Um deles, a Diebold Procomp, subsidiária norte-americana que lidera o mercado brasileiro de automação bancária e comercial, aumentou seu faturamento em 2005 em 17% (chegando perto de 1 bilhão de reais), com um salto de 84,7% no lucro operacional. “Foram resultados muito bons para um momento de transição da indústria de TI”, resume João Abud Júnior, presidente da empresa.

Produto nacional

Mas a indústria de TI e Telecom começou a se voltar também para mostrar o valor da tecnologia para pequenas e médias empresas. Influenciado pela queda acentuada do dólar, o mercado brasileiro de hardware – em especial, desktops, notebooks, impressoras e monitores – expandiu-se ruidosamente.

Só de PCs foram vendidas 5,5 milhões de unidades em 2005, uma alta de 36% em relação a 2004. “Outro fator muito importante nesse movimento foi a MP do Bem, que isentou de PIS e Cofins os desktops com preço inferior a 2,5 mil reais e os notebooks com valor inferior a 3 mil reais, reduzindo em até 10% o valor dos produtos”, sugere Reinaldo Sakis, analista sênior de mercado da IDC.

Além disso, muitos fornecedores deslancharam políticas agressivas de financiamento para incentivar o mercado, levando as empresas a baterem recordes de venda, como foi o caso da paranaense Positivo Informática. “Vendemos 370 mil micros em 2005 e esperamos comercializar mais 600 mil este ano por meio de grandes redes de varejo”, alardeia Hélio Bruck Rotenberg, diretor da Positivo.

O mercado de software é outro alvo de atenção da indústria de TI e de telecom. Em 2005, somente o mercado mundial de tecnologia da informação movimentou 1,09 trilhão de dólares, dos quais 14,6 bilhões de dólares foram gerados pelo Brasil.

Deste montante, de acordo com dados da IDC Brasil, os negócios de software responderam por 2,2 bilhões de dólares, 17% maior em relação ao ano anterior, quando o volume de vendas atingiu 1,9 bilhão de dólares. “O volume movimentado pelo mercado brasileiro de software corresponde a 46% do total da América Latina e 1% do mercado mundial”, contabiliza Alexandra Reis, gerente de consultoria da IDC.

Segundo a analista, um percentual significativo do montante, 71%, é produzido por meio de softwares desenvolvidos no exterior. “Mas as projeções indicam que esta participação deverá ser reduzida para 66% até o final da década, com o aumento da participação de produtos de origem nacional no mercado”, afirma Alexandra.

O balanço feito pelos 100 Maiores de TI e Telecom mostra que o ERP (Enterprise Resources Planning) continua em alta. “Houve um movimento muito forte de verticalização desse software, especialmente nos segmento financeiro e de manufatura”, indica Perez. Além de uma grande preocupação em atingir mercados poucos explorados das pequenas e médias empresas, vários fornecedores de software exibiram força e alta competitividade.

É o caso da Totvs, que incorporou duas software-houses concorrentes (a Logocenter e a RM Sistemas), tornando-se, com uma base de 14,8 mil clientes e um receita bruta de 202,3 milhões de reais, nos seis primeiros meses de 2006, a maior empresa de ERP da América Latina (com 8,3% de participação).

Esse é o caso, também, da poderosa Microsoft, uma das dez maiores empresas brasileiras de TI, segundo o estudo do IDG (veja quadro). “Em 2005, consolidamos nossa estratégia de conquista ao mercado de pequenas e médias com o anúncio da nova linha de produtos Dynamics, que conta com soluções de ERP e CRM”, conta Cláudia Ferris, diretora da divisão de negócios corporativos e parceiros da Microsoft Brasil.

Segundo ela, a empresa tem muito potencial para continuar crescendo no mercado brasileiro. “Estamos nos preparando para lançar a primeira solução de ERP localizada no País para atender às necessidades de companhias nacionais”, adianta.

Como se vê – e o levantamento dos 100 Maiores de TI e Telecom 2006, do IDG, aponta nessa direção –, fornecedores de tecnologia, indústrias e operadoras de telecomunicações devem manter, ao longo deste ano, seus esforços para aproveitar ao máximo o sucesso alcançado em 2005 e assim buscar novas oportunidades de negócios em ambientes de menor porte e de faixas mais baixas de renda.

Saiba mais sobre a pesquisa

Para chegar aos 100 Maiores de TI e Telecom, o estudo do IDG não se restringiu a analisar os dados financeiras de mais 200 empresas que oferecem produtos e serviços de TI e telecomunicações no País. O levantamento feito de maio a junho deste ano pela Meka Consultoria, contratada pelo IDG, avaliou uma série de aspectos, utilizando a mesma metodologia empregada pelos mais conceituadas ranking de maiores e melhores empresas do Brasil e do mundo.

A consultoria utilizou sua extensa base de dados de conhecimento sobre o mercado, agregando informações fornecidas pelo IDG e complementadas com a base de empresas da Abinee, formando mais de 730 contatos, entre presidentes de empresas e executivos de nível gerencial, para elaborar o ranking. E fez uma análise detalhada das cinco categorias que compõem este mercado – hardware, software, infra-estrutura de TI, telecomunicações e canal de distribuição –, elegendo entre 28 subcategorias as empresas que mais se destacaram, em função do valor faturado, crescimento da receita em reais e market share no segmento onde atua.


Tamanho do Mercado
Receitas TI e Telecom 2005 2004 Crescimento
Em Reais (R$ milhões) 157.975 140.747 12%
Em US$ (US$ milhões) 65.010 48.036 35%
US$ médio (fonte www.oanda.com)
2,43 2,93 -17%
Fonte: Pesquisa As Maiores de TI e Telecom 2006

A mina de ouro
Quais são os cinco segmentos com maior faturamento, em 2005, por área de atuação
TI (em R$ mil)
PCs, notebooks, handhelds 2.137,549
Servidores 2.097.908
Impressoras 1.773.607
Monitores 1.402.834
Equipamentos de rede 1.286.563
Telecom (em R$ mil)
Voz fixa 44.931.383
Voz celular 12.921.822
Aparelhos celulares 12.293.917
Serviços de dados residenciais 5.384.338
Terceirização 4.209.474

Fonte: Pesquisa As Maiores de TI e Telecom 2006

As maiores
Saiba quem são as 10 maiores empresas de TI e telecom, por faturamento, em 2005
TI (em R$ mil) Telecom (em R$ mil)
IBM Brasil 6.578.544 Telemar 20.933.000
HP Brasil 3.531.000 Telefônica SP 20.350.900
LG Electronics 1.978.878 Brasil Telecom 14.687.200
Intel 1.841.003 TIM 11.226.087
Cisco 1.425,210 VIVO 10.254.900
Serpro 1.280.853 Embratel   7.565.306
AMD 1.147.774 Nokia   5.108.284
Xerox do Brasil 1.139.456 Samsung   3.373.994
Microsoft 1.003.000 Siemens   3.043.492
Accenture    955.000 Oi   2.754.000

Fonte: Pesquisa As Maiores de TI e Telecom 2006

Opinião do Leitor
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