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Eleições nos EUA: urnas eletrônicas ainda preocupam especialistas

A um dia da realização das eleições legislativas que definirão 435 assentos da Câmara e 33 do Senado, especialistas norte-americanos ainda apontam para possibilidade de falhas nas urnas eletrônicas.

Por COMPUTERWORLD

06 de novembro de 2006 - 12h11
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Os Estados Unidos se preparam para realizar as eleições legislativas nesta terça-feira (07/11) em meio a polêmicas sobre o uso de urnas eletrônicas. Segundo críticos, os equipamentos que devem ser utilizados permanecem vulneráveis a ataques e contabilização incorreta dos votos.

Nos testes conduzidos por especialistas em segurança da computação, ficou comprovado que existe a possibilidade de hackers violarem as urnas eletrônicas e alterarem os resultados. Além disso, ainda neste ano durante as eleições primárias, não foram poucos os relatos de problemas técnicos registrados nas urnas eletrônicas.

“De maneira geral, posso dizer que as coisas não melhoraram em nada” desde as eleições de 2004, apontou Eugene Spafford, diretor executivo da universidade Purdue Center for Education and Research e presidente do comitê de políticas da Associação dos Equipamentos de Computação (ACM, na sigla em inglês). “Existe uma preocupação significativa sobre os potenciais para erro”, apontou.

Neste ano, outro membro da ACM, Ed Felten, professor de ciências da computação e relações públicas da universidade de Princeton, divulgou resultados de vários experimentos em urnas eletrônicas vendidas pela Diebold Election Systems e outros fabricantes. Em um desses testes, a equipe de Felten provou que utilizando cartões magnéticos utilizados como chaves de hotel era possível abrir as portas do painel que dão acesso aos cartões de memória onde são contabilizados os votos.

Em outra experiência, conduzida pelo órgão Brennan Center for Justice em julho, foram encontradas 120 ameaças de segurança incluindo falhas na instalação de software para detecção de intrusões. “Hoje, o estado da votação eletrônica ainda não é bom”, aponta David Wagner, cientista da computação na universidade de Berkeley, na Califórnia. “Com essa tecnologia, não podemos ter certeza de que nossas eleições não serão corrompidas”, complementa.

A melhor forma de checar duplamente se as máquinas estão contabilizando corretamente os votos seria mesmo uma auditoria manual, segundo o executivo. Apenas 13 Estados, no entanto, conduzem tal processo. Na avaliação de Doug Jones, professor de Ciências da Computação na Universidade de Iowa, os condados e municípios não têm experiência suficiente na parte gerencial. Por exemplo, Estados e condados contam com documentos de segurança inadequados escritos por fabricantes de urnas eletrônicas.

Nesta terça-feira, mais de 90 milhões de norte-americanos deverão votar nas eleições legislativas. Do total de urnas, cerca de dois terços apresentam modelos de escaneamento óptico – em que os eleitores preenchem uma cédula de papel que posteriormente é escaneada – ou computadores com telas sensíveis ao toque. Na prática, cerca de 80% dos eleitores no país devem utilizar urnas eletrônicas, frente a 68% em 2004.

Os eleitores decidirão quem deverá ocupar os 435 assentos da Câmara dos Representantes e as 33 das 100 cadeiras do Senado. Pesquisas apontam que os democratas devem conquistar ao menos 15 cadeiras na Câmara.

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