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Incubadoras aceleram inovação brasileira

Número de empresas incubadas cresceu tanto quanto as instituições que as abrigam, que passaram de sete em 1990 para 359 até o momento. O problema, no entanto, é que as companhias graduadas não crescem conforme o esperado.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

21 de novembro de 2006 - 07h20
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O cuidado especial que os frágeis bebês prematuros exigem no começo de vida são parecidos com os que empresas recém-criadas demandam. Justamente por isso, tanto um quanto o outro contam com as incubadoras para resistir a esse período e sobreviver com força para crescer. As incubadoras de empresas, em particular, têm um importante papel social ao fornecer condições para que empreendedores desenvolvam suas idéias de negócio e também contribuem para o desenvolvimento da economia nacional, com a geração de empregos e incentivo à inovação.

Dentro das incubadoras de empresas, a taxa de “mortalidade” das organizações é muito menor do que as companhias que surgem de forma independente. Segundo o gerente do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), Sérgio Risola, do total de empresas criadas nesse regime de apoio, 60% permanecem ativas depois de cinco anos, contra apenas 40% das corporações que conduzem o processo de maneira autônoma. “Com o auxílio das incubadoras, principalmente daquelas que ficam junto a alguma universidade, fica mais fácil transformar conhecimento científico em inovação”, defende. A encarregada da incubadora Raiar, Marinês Audy, concorda: “Dentro das incubadoras, o nível de insucesso das empresas que completam um ano cai de 56% para apenas 7%”.

A diferença básica entre as duas formas de montar a empresa é um consenso entre os representantes de várias incubadoras de todo o Brasil, como Inatel (MG), Ciatec (SP), Raiar (RS) e C.E.S.A.R (PE). O mais comum é haver uma confusão entre conhecimento técnico e inovação. “A maioria das pessoas esquece de pensar no mercado. Chegam com uma idéia, mas não avaliam se há demanda para a solução e viabilidade para a realização daquilo”, conta Risola. O gerente de incubação de empresas da Unicamp, Davi Sales, diz que há um cuidado especial para evitar que as pessoas transformem o espaço da incubadora em uma extensão do laboratório de pesquisas. “Nós os fazemos pensar no negócio e ajudamos a tornar o empreendedor um empresário.”

Trajetória
As incubadoras surgiram na Europa e nos Estados Unidos na década de 50 – hoje existem mais de 3 mil em todo o mundo – e, no Brasil, a modalidade começou a ser desenvolvida no final da década de 1980. Um levantamento da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores) indica que o número de incubadoras existentes no Brasil passou de sete, em 1990, para 359 neste ano.

Esse volume é bastante semelhante ao do velho continente e aos Estados Unidos – a grande diferença entre as realidades está no desenvolvimento das empresas criadas. Segundo o coordenador da capacidade de empreendedorismo da sociedade Softex, Eraetófones Araújo, o País não tem um ecossistema adequado para a longevidade de companhias de base tecnológica. “Temos uma boa infra-estrutura e boa formação de pessoas empreendedoras e com conhecimento técnico. O problema é que não existe um ambiente propício de crescimento”, setencia.

O profissional explica que existem três ciclos fundamentais que determinam o sucesso de uma empresa: o de negócios, o de venda e o de vida. Para Araújo, o ciclo de vida funciona bem e resulta na criação de boas idéias, que encontram apoio para começar. “Mas depois vêm a venda e os negócios, que são os gargalos, pois as companhias não encontram investidores e não conseguem crescer”, denuncia. Esse cenário, de acordo com Araújo, faz com que as organizações de base tecnológica levem 10 vezes mais tempo para atingir o mesmo faturamento que as empresas de outros setores alcançam em dois anos. “As incubadoras não são necessariamente responsáveis por isso, mas deveriam trabalhar levando em conta essas questões. Faltam redes de relações de mercado e de investidores para garantir o sucesso das empresas criadas”, avalia.

O coordenador de capacidade de empreendedorismo da Softex conta também que recentemente realizou uma pesquisa que compara os trabalhos de 18 incubadoras européias e norte-americanas entre 1997 e 2004, contra o mesmo número de instituições brasileiras. “O que observei é que o número de empresas incubadas criadas é igual, mas no crescimento é que está a diferença. Das empresas fundadas (cerca de 480 companhias), apenas 5% conseguiram crescer no Brasil e, desse total, apenas 20 conseguiram se estabelecer”, revela.
A sugestão de Araújo, portanto, é que os empreendedores passem a avaliar as oportunidades em áreas de negócio em que haja parceiros. “As empresas incubadas no Rio de Janeiro com melhores resultados são as que visualizaram o setor petrolífero. Com esse apoio de um mercado ascendente, viram seus negócios deslanchar”, exemplifica.

Opinião do Leitor [1 comentários]

Hoje sinto na pele ser graduado

O modelo de negócio de sucesso é "VENDER" em qualquer fase da empresa.
Mas o mercado é exigente. Vejam como funciona na prática :
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Mercado > VENDER o quê , com o apoio ou marca de quem ?
Empreendedor > O projeto de inovação !
Mercado > Está pronto ?
Empreendedor > Não, precisamos desenvolver o produto !
Empreendedor > Meu plano de negócios é muito bom !
Mercado > Então porque ninguém investiu ainda, ou o mercado não produziu ?
Empreendedor > ... é porque é inovação !
Empreendedor > Temos 02 anos pra amadurecer o produto !
Mercado > Quem vai te bancar nestes 02 anos ?
Empreendedor > A incubadora , se eu ganhar os editais os fundos de incentivo a inovação (Cnpq, FINEP) durante 02 anos no máximo se você conseguir passar no edital dentro dos 02 anos, mas também temos os fundos de capital de risco.
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- Se der certo ou encontrar investidor capitalista, ótimo. A Incubadora diz que o sucesso foi graças a ela, senão diz que foi incompetência do empreendedor.
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O que resta para o empreendedor é acreditar em si próprio e em seu potencial e procurar alguma organização onde possa ter aprovação disto.

Alessandro - 22 Nov 2006, 19h11
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