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Negócios

O Cobol ainda não morreu

Ainda que há muito tempo profissionais de TI tentem decretar a morte da linguagem de programação, suas opções de escalabilidade e ajustes ajudam a mantê-la bem viva.

Por COMPUTERWORLD

28 de novembro de 2006 - 07h54
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Até alguns meses atrás, os sistemas de compensação e billing para as operações com opções de compra de ações da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) consistiam de cerca de 800 programas “discretos” Cobol rodando em um mainframe IBM. Hoje, todo o conjunto de aplicações migrou para um par de servidores Windows com quatro processadores, em cluster. Os programas recompilados permanecem em Cobol, mas não vão existir por muito mais tempo.

“Não é nossa meta continuar rodando as aplicações Cobol para sempre. Essa foi uma medida tática para tirar aplicações existentes do mainframe com o mínimo possível de interrupção”, conta Steven Hirsch, vice-presidente de suporte a tecnologia da Bolsa. Ele espera que nos próximos anos tudo seja reescrito para Java e C, plataformas-padrão de desenvolvimento da Nyse. Outros sistemas baseados em Cobol que movem a operação “também fazem parte de um esforço similar de mudança de plataforma”, observa.
A Bolsa não é a única organização que gostaria de abandonar Cobol. Dos 352 entrevistados em uma pesquisa realizada recentemente pelo COMPUTERWORLD-EUA com executivos de TI, 218, ou 62%, disseram que usam Cobol. Destes 218 entrevistados, 36% planejam migrar gradualmente e 25% migrariam, se não fosse o custo de reescrever todo o código.

Mas o que há de errado com Cobol? A tecnologia, que existe desde 1960, é extremamente sólida, destaca-se em processamento batch e é praticamente auto-documentada. As ferramentas para Cobol foram modernizadas e já suportam sistemas distribuídos. A Micro Focus International oferece até o Cobol.Net, um componente de sua solução Net Express que se encaixa perfeitamente no .Net Framework da Microsoft e se integra ao pacote de ferramentas de programação Visual Studio.

Opinião do Leitor [6 comentários]

Visões estreitas

Cada um vê o mundo com um prisma diferente e compara-se linguagem com produto. Uma linguagem é um elemento abstrato que pode ser implementada através de um produto. Cada pessoa que usa um produto baseado em COBOL parece que não se dá conta que a linguagem COBOL não é apenas aquilo que ele está usando e, ao se deparar com uma nova necessidade, logo acha que precisa trocar de linguagem. Não avalia se aquela implementação COBOL não prevê a situação ou o sujeito sequer pesquisou no manual ou help como resolver a questão.

Não existe nada que não possa ser feito com um computador que não possa ser escrito com a linguagem COBOL. Quem deixa o preconceito de lado, pára e pensa economiza muito tempo e dinheiro.

Fazendo uma atualização tecnológica no patrimônio em COBOL pode se ter com muito mais rapidez e segurança os resultados desejados, seja em batch, orientação a objetos, interface gráfica, banco de dados ou migração de mainframes para baixa plataforma.

Só não vê quem não quer para poder vender outra opção de solução.
Carlos Roberto - 29 Nov 2006, 13h11

COBOL eterno: SOA e o legado

Instituições financeiras, órgãos governamentais e empresas que fazem uso de computadores há muito tempo têm nas aplicações COBOL a espinha dorsal de seus negócios. Esse legado, que demandou recursos financeiros e tempo para ser construído, não pode ser substituído por uma questão de modismo ou preferência pessoal de um grupo de novos programadores. Vale lembrar o fenômeno do downsizing, que aconteceu em meados da década de 80, o fenômeno Clipper do começo da década de 90, e as ondas que vieram logo depois.
Essa tendência das empresas em resistir o quanto podem a migrações - e que as experiências passadas mostraram não compensar em vários casos - têm trazido à tona uma nova maneira de enxergar a tecnologia da informação: orientá-la a serviços. Programas COBOL estão sendo mantidos e/ou escritos tendo como meta prover serviços aos usuários, e fornecer estes serviços através de métodos heterogêneos de acesso, como CICS, celular, Web e outros.
A arquitetura SOA pretende dar ainda mais vida aos nossos velhos programas COBOL, integrando-os às novas tendências e necessidades dos usuários, através daquilo que é o melhor dos mundos: preservação dos investimentos já efetuados nos sistemas legados, mas permitindo que estes sejam estendidos por plataformas mais modernas de acesso.
Tulio - 29 Nov 2006, 09h11

Cobol Morreu ? - Papel dos Mainframes

Senhores, o que é preciso saber é que a linguagem Cobol continua muito boa para processar quantidades massivas de dados. É excelente auto-documentadora e muito efetiva.
Posto isso permitam-me corrigir um erro aqui: mainframes NÃO serão substituidos por ambientes distribuidos quando quantidades massivas de dados precisem ser processadas porque sua configuração de HW permite que canais processem com enorme rapidez grande quantidade de informações; aplicações tipicas I/O-bound.
Servidores (ex: Unixes) multi-processados são excelentes para aplicações CPU-bounded onde há muito processamento e relativamente pouco output.
Assim, cada um tem seu nicho específico de utilização... Aplicações back-office que atualizem cadastros enormes (tipico de financeiras/bancos/telefonia etc...) precisam de mainframes. Aplicações tipo CAD, front-office, graphics rodam melhor em processadores rápidos mas de relativamente baixo throughput...
Abraço
Marcio - 28 Nov 2006, 17h11
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