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Negócios

O Cobol ainda não morreu

Por COMPUTERWORLD

28 de novembro de 2006 - 07h54
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Problema de imagem
Mas Cobol também é uma linguagem de procedimentos em um mundo orientado a objetos. Embora seja uma linguagem adequada para operações batch, o mesmo não se pode dizer em relação ao desenvolvimento de aplicações interativas ou front ends baseados na Web. E ainda há um grande problema de imagem. Fora dos data centers recheados por mainframes, Cobol hoje é considerado por muitos programadores especializados em Java, Visual Basic e C# uma linguagem obsoleta e inferior, remanescente da idade das trevas.

A maioria dos novos programas Cobol é escrita apenas para estender ou suportar aplicações existentes no mainframe. A Papé Group, que atua no setor de bens de capital, desenvolve novas aplicações Cobol para seus sistemas back-end para adequar aquisições, segundo Shaun Swift, diretor de sistemas de informação.

Quando aplicações Cobol não são migradas para Windows, Unix ou sistemas distribuídos, elas permanecem assim porque reescrevê-las é oneroso e arriscado, não porque Cobol seja a melhor opção. “Ninguém quer Cobol, mas, realisticamente, ninguém consegue se livrar dele”, resumo Dale Vecchio, analista da Gartner.

Reescrever, em geral, também não faz muito sentido financeiramente. Mike Dooley, gerente de engenharia de software da Harland Financial Solutions, não tem planos de reescrever seus mil programas Cobol. “O que você vai ganhar em troca?” pergunta. Segundo Dooley, um projeto deste tipo levaria anos para ser concluído. “É preciso um bom argumento para isso.” Swift também planeja ficar como está. “Não vejo nenhuma vantagem em mudar.”

Além disso, Cobol praticamente não é usado para desenvolvimento de aplicações totalmente novas. “Não estamos fazendo nada, exceto suportar o que temos na linguagem. Qualquer novo desenvolvimento é feito em SharePoint ou WebFocus”, revela James Hinsey, líder administrativo da Parker Hannifin. “Nossos novos desenvolvimentos são inteiramente em Java”, faz coro Mike Zucker, diretor de desenvolvimento de aplicações da Universidade de Miami.

A verdade é que Cobol “está fora de moda”, de acordo com Zucker. Mas ele ainda usaria a linguagem se os componentes de uma nova aplicação exigissem processamento batch. A Parker Hannifin e a Universidade de Miami utilizam Cobol no mainframe para processamento back-end intensivamente e não têm planos imediatos de mudar.

“Fui à procura de alguém que estivesse fazendo desenvolvimentos novos básicos em Cobol e ainda continuo sem encontrar”, afirma Mark Crego, arquiteto-chefe da Accenture. “É uma lástima.” Crego define Cobol como uma “linguagem magnífica” para processamento de registros em larga escala. Mas hoje, fora do mundo do mainframe, a linguagem co-inventada pela lendária contra-almirante Grace Murray Hopper simplesmente não é respeitada.

Opinião do Leitor [6 comentários]

Visões estreitas

Cada um vê o mundo com um prisma diferente e compara-se linguagem com produto. Uma linguagem é um elemento abstrato que pode ser implementada através de um produto. Cada pessoa que usa um produto baseado em COBOL parece que não se dá conta que a linguagem COBOL não é apenas aquilo que ele está usando e, ao se deparar com uma nova necessidade, logo acha que precisa trocar de linguagem. Não avalia se aquela implementação COBOL não prevê a situação ou o sujeito sequer pesquisou no manual ou help como resolver a questão.

Não existe nada que não possa ser feito com um computador que não possa ser escrito com a linguagem COBOL. Quem deixa o preconceito de lado, pára e pensa economiza muito tempo e dinheiro.

Fazendo uma atualização tecnológica no patrimônio em COBOL pode se ter com muito mais rapidez e segurança os resultados desejados, seja em batch, orientação a objetos, interface gráfica, banco de dados ou migração de mainframes para baixa plataforma.

Só não vê quem não quer para poder vender outra opção de solução.
Carlos Roberto - 29 Nov 2006, 13h11

COBOL eterno: SOA e o legado

Instituições financeiras, órgãos governamentais e empresas que fazem uso de computadores há muito tempo têm nas aplicações COBOL a espinha dorsal de seus negócios. Esse legado, que demandou recursos financeiros e tempo para ser construído, não pode ser substituído por uma questão de modismo ou preferência pessoal de um grupo de novos programadores. Vale lembrar o fenômeno do downsizing, que aconteceu em meados da década de 80, o fenômeno Clipper do começo da década de 90, e as ondas que vieram logo depois.
Essa tendência das empresas em resistir o quanto podem a migrações - e que as experiências passadas mostraram não compensar em vários casos - têm trazido à tona uma nova maneira de enxergar a tecnologia da informação: orientá-la a serviços. Programas COBOL estão sendo mantidos e/ou escritos tendo como meta prover serviços aos usuários, e fornecer estes serviços através de métodos heterogêneos de acesso, como CICS, celular, Web e outros.
A arquitetura SOA pretende dar ainda mais vida aos nossos velhos programas COBOL, integrando-os às novas tendências e necessidades dos usuários, através daquilo que é o melhor dos mundos: preservação dos investimentos já efetuados nos sistemas legados, mas permitindo que estes sejam estendidos por plataformas mais modernas de acesso.
Tulio - 29 Nov 2006, 09h11

Cobol Morreu ? - Papel dos Mainframes

Senhores, o que é preciso saber é que a linguagem Cobol continua muito boa para processar quantidades massivas de dados. É excelente auto-documentadora e muito efetiva.
Posto isso permitam-me corrigir um erro aqui: mainframes NÃO serão substituidos por ambientes distribuidos quando quantidades massivas de dados precisem ser processadas porque sua configuração de HW permite que canais processem com enorme rapidez grande quantidade de informações; aplicações tipicas I/O-bound.
Servidores (ex: Unixes) multi-processados são excelentes para aplicações CPU-bounded onde há muito processamento e relativamente pouco output.
Assim, cada um tem seu nicho específico de utilização... Aplicações back-office que atualizem cadastros enormes (tipico de financeiras/bancos/telefonia etc...) precisam de mainframes. Aplicações tipo CAD, front-office, graphics rodam melhor em processadores rápidos mas de relativamente baixo throughput...
Abraço
Marcio - 28 Nov 2006, 17h11
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