Negócios
Brasscom e MCT iniciam programa de qualificação de estudantes em TI
Objetivo de capacitar inicialmente mil estudantes de comunidades carentes para atuar na área de programação de software.
Por Daniela Moreira, do IDG Now!
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A Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) iniciam um projeto piloto em dezembro, com o objetivo de capacitar inicialmente mil estudantes de comunidades carentes para atuar na área de programação de software.
Os alunos selecionados para participar do projeto serão recrutados com o auxilio de organizações sem fins lucrativos das próprias comunidades e serão divididos em turmas de 50. Os dois primeiros grupos selecionados para iniciar o programa são de São Paulo e São José dos Campos (SP), mas a iniciativa deve ser replicada em pelo menos outras oito cidades, incluindo Recife (PE), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Joinville (SC), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Mangaratiba (RJ).
Os cursos terão duração média de seis meses e serão ministrados por meio de e-learning, nos próprios centros comunitários, que vão disponibilizar a infra-estrutura computacional para os alunos. Segundo Ricardo Saur, diretor executivo da Brasscom, o MCT está arcando com os custos de produção do material didático, enquanto as empresas associadas à Brasscom “patrocinam” as turmas e se comprometem a contratar pelo menos 10% dos alunos de cada grupo para um estágio remunerado de um ano, em regime de CLT, e com bolsa auxílio de 900 reais.
Até o momento, o projeto conta com a adesão de sete empresas associadas à Brasscom, mas segundo Saur, empresas não-associadas também podem participar. A iniciativa faz parte de uma estratégia da Brasscom para qualificar mão de obra para o setor de TI com maior agilidade e preparar profissionais para atuar em projetos de desenvolvimento de software sob demanda para o exterior, no modelo offshore.
“Hoje temos profissionais suficientes para atender o mercado interno. Mas se quisermos participar de forma significativa do mercado de offshore, que deve movimentar 110 bilhões de dólares em 2010, temos que investir em qualificação rápida”, opina o diretor.
Para ele, há um conceito equivocado no Brasil de que os programadores de software necessitam de formação superior. “A idéia é multiplicar os recursos qualificados em TI no País com agilidade, cumprindo também uma importante função social”, afirma Saur.
De acordo com ele, o programa conta com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e, caso o piloto tenha sucesso, pode ser replicado pelos centros públicos de qualificação, como as unidades das redes Senai e Senac. “Da mesma forma que esses centros formavam torneiros mecânicos no passado, devem formar trabalhadores do conhecimento hoje, pois é disso que precisamos”, sustenta.
A Brasscom foi criada em março de 2004, pelas empresas CPM, Datasul, Itautec, Politec e Stefanini e, logo em seguida, contou com a adesão da DBA Informática. A associação reúne empresas interessadas na exportação de software e serviços correlatos.
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