Negócios
AMD e Intel acirram a competição em 2007
De olho nos bilhões de dólares do mercado de processadores, companhias protagonizam disputa cada vez mais equilibrada no setor. Em 2007 não será diferente...
Por Vinicius Cherobino, do COMPUTERWORLD
O roteiro é dos mais complexos. De um lado, acusações de formação de monopólio, de competição desleal, de controle sobre os clientes. Do outro, críticas quanto à qualidade dos produtos e insinuações de esquizofrenia, de mania de perseguição. O resultado não poderia ser outro: uma competição feroz pela presença de mercado que desaguou em processos legais em cortes mundiais.
Esse pode ser o resumo da relação entre a Advanced Micro Devices (AMD) e a Intel. Ainda que o discurso oficial esteja, evidentemente, distante do que se sussurra longe dos gravadores e blocos de papel, poucas rivalidades corporativas são tão marcadas e agressivas como quanto a existente entre as duas organizações. Como dois times de futebol de uma mesma metrópole, os jogadores não se gostam e é melhor manter as torcidas e suas camisas azuis ou verdes a uma distância segura.
Até pouco tempo, verdade seja dita, a briga era desigual. Mas o cenário mudou bastante, especialmente em 2006. E o mercado foi um dos responsáveis. Exemplo foi a decisão da Dell, que encerrou uma parceria exclusiva de anos e anunciou que os processadores Intel não seriam mais os únicos em suas máquinas (Posteriormente, a empresa de Michael Dell foi acusada de receber 1 bilhão de dólares anuais para manter a exclusividade). Também no Brasil o movimento se repetiu, com a Itautec passando a produzir servidores com chip Opteron da AMD. Ainda que seja cedo para confirmar, existe no mercado a sensação que essas empresas conseguiram resultados positivos com a movimentação.
Outro front importante foi o jurídico. As batalhas legais sob acusações de comportamento anti-competitivo da Intel povoaram o noticiário especializado. Ainda sem resultados definitivos, a disputa está pendendo para o lado da AMD, já que investigadores da União Européia recomendaram à Comissão de Competição, em janeiro de 2007, que processasse a gigante azul. Além disso, a AMD recebeu permissão para coletar evidências de negócios realizados pela Intel fora dos Estados Unidos como resultado da ação antitruste.
O momento interno de cada uma das companhias também desempenhou papel fundamental no panorama. A Intel passou por um processo gigantesco de reestruturação, que culminou na demissão de mais de 15 mil funcionários, na venda de unidades de negócios e de diversos laboratórios de P&D espalhados pelo mundo. Na outra ponta, a AMD está em um momento de franca ascensão, colhendo os louros da fusão com a fabricante de placas gráficas ATI.
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