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'Jeitinho brasileiro' é alternativa para adaptar TI ao horário de verão

Gerentes de tecnologia de diversas empresas e instituições brasileiras estão aderindo a técnicas alternativas para minimizar os problemas causados pela não atualização automática dos sistemas.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

16 de fevereiro de 2007 - 07h38
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Com 147 hotéis e pousadas e picos que chegam a 10 mil turistas por fim de semana, a cidade bucólica de Monte Verde (MG) teve que aderir ao tradicional “jeitinho brasileiro” para conseguir adaptar seus sistemas ao horário de verão, iniciado em novembro do ano passado.

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Segundo Gustavo Arrais, diretor-presidente da Associação dos Hotéis e Pousadas de Monte Verde e secretário de turismo do município, as instalações precisaram criar novas regras para evitar problemas nos sistemas e até travamento de software. Como boa parte dos hotéis não conseguia atualização automática do horário, era tradicional fazer o processo manualmente. No entanto, o sistema rejeitava a tática e não aceitava a inserção de uma nova reserva. “O software não aceita o registro de dois hóspedes diferentes em uma mesma acomodação ao mesmo tempo. Como ele não reconhecia a mudança de horário, não entendia que um hóspede sairia uma hora antes do outro entrar. Assim, alguns hotéis fizeram com que o horário do check-out acontecesse duas horas antes do check-in. Nesse intervalo de tempo o hotel ficava vazio, mas os sistemas não travavam”, conta.

No entanto, os problemas não pararam por aí. O horário não foi atualizado nos sistemas de emissão de pedidos, como os das refeições, e isso causava confusões no momento do acerto das contas. “Não eram poucos os hóspedes que chegavam aqui dizendo que não estavam no hotel na hora do registro do pedido e, assim, não haviam consumido aquele produto”, comenta. A explicação pontual sobre a deficiência do sistema foi a saída encontrada para os estabelecimentos com esse tipo de problema.

Alternativas criativas também foram verificadas na rede de livrarias Laselva. “Desabilitamos as atualizações automáticas das máquinas e elegemos um equipamento para ser o servidor de horário de todas as demais. Assim, com o início ou término do horário, configuramos o sistema para fornecer a informação atualizada às outras integrantes do parque”, comenta José Eugênio Terra, gerente de TI da rede.

A solução foi indicada porque havia problemas de compatibilidade entre os terminais de ponto de venda (PDVs) e as impressoras de cupons fiscais, que não reconheciam a atualização manual. Um funcionário ficou dedicado à tarefa de coordenar a atualização do servidor no início do horário de verão, e deverá colocar novamente a mão na massa no último sábado de fevereiro (25/02), quando termina o período.

Conflitos mundiais e a prevenção

Na Cummins, multinacional que atua no ramo de motores, lidar com o fuso de verão também não é tarefa fácil. “Estamos tendo problemas, sim, com o horário de verão em virtude da confusão que foi criada com horários dos servidores mundiais que não representam a realidade local. O flag de consideração e ajuste automático no Windows, para o horário de verão também não é respeitado pois não tem funcionado ao comando manual do usuário”, comenta Lúcio Nubile, CIO da subsidiária brasileira.

Segundo o executivo, não são poucos os usuários insatisfeitos com o fato de perder reuniões e teleconferências mundiais porque o sistema acusa horários diferentes dos originalmente solicitados. “As estações de trabalho não respondem aos ajustes que os usuários fazem, pois os horários são norteados pelos servidores centrais e, por mais que se altere localmente, na próxima rodada de sincronismo, os horários voltarão a representar o horário (errado) do servidor”, diz.

Em virtude da grande insatisfação que o fuso diferenciado causa, equipes de TI da subsidiária no mundo todo têm prestado atenção redobrada à questão. “Temos sempre nos certificado antecipadamente da diferença de horário e por e-mail confirmado os horários tendo como base sempre uma determinada localidade. Pode ser a nossa matriz ou pode ser outro local qualquer, desde que previamente acordado com todos os participantes. Estas confirmações e verificações têm de ser feitas por e-mail, com alguma antecedência dos reais horários dos compromissos, o que toma tempo adicional do pessoal”, complementa.

Prevenção também é o lema do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), conforme assinala Dênio Albaro de Lima Rodrigues, gerente de controle e qualidade da instituição. Em virtude dos problemas registrados no passado, a instituição optou por criar antecipadamente procedimentos para atualizar as máquinas e os servidores, o que inclui inclusive uma lista com os principais processos a serem implementados. “Costumamos programar as rotinas que são processadas no período noturno para antes da meia-noite. No intervalo das 23 horas até a 1 hora da manhã, evitamos fazer esses processamentos”, diz.

Apesar da mudança, porém, as máquinas não ficam desassistidas. Um funcionário de cada área do banco – como infra-estrutura, desenvolvimento e produção – acompanha os processos no momento da virada. Tal trabalho vai ser realizado no próximo dia 25 e, na avaliação do executivo, os incidentes serão poupados. “Pensar os processos com antecedência trouxe mais tranqüilidade para a validação das tarefas e para nossos associados”, conclui.

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