Negócios
Brasil perde centro de serviços compartilhados da SAP para Argentina
Vantagens do país vizinho diante das incertezas tributárias do Brasil influenciaram decisão da matriz alemã.
Por Taís Fuoco, do COMPUTERWORLD
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O Brasil perdeu a oportunidade de sediar um centro de serviços compartilhados da SAP para toda a América Latina. A companhia optou pela Argentina, onde o centro foi instalado recentemente e terá, até o final deste ano, cerca de 40 profissionais na prestação de serviços a todos os países da região.
De acordo com Marcelo Bicalho, diretor financeiro da SAP Brasil, "a Argentina tinha alguns aspectos em vantagem, enquanto o Brasil tinha duas desvantagens: o efeito do câmbio e a confusão tributária".
O câmbio prejudicou o Brasil ao encarecer a média salarial dos profissionais de software, uma característica que a Argentina não vive neste momento, como explicou o executivo.
Além disso, o país vizinho adotou uma medida em 2005 pela qual 60% a 70% do pagamento de encargos trabalhistas no setor de software pode ser abatido do pagamento de impostos federais.
A Associação Brasileira das Empresas de Sofware (Abes) tem discutido com o governo brasileiro formas de alterar a legislação trabalhista e garantir estímulos ao setor de tecnologia da informação (TI), que tem uma demanda crescente por profissionais, mas cujas empresas esbarram no custo da contratação.
A SAP Brasil também interrompeu os investimentos em um centro de desenvolvimento de software implantado no Rio Grande do Sul no final do ano passado e que deveria absorver mais de 40 milhões de euros em investimentos pelos próximos dois anos.
"O investimento está represado no aguardo de definições" para o setor de software, como explicou José Ruy Antunes, presidente da SAP no País. O plano era de contratar até 800 profissionais em dois anos, mas até o momento ele tem cerca de 50 especialistas.
"Não pretendemos parar o investimento, mas, se ficar inviável, teremos de reavaliar", afirmou ao COMPUTERWORLD José Duarte, presidente da SAP na América Latina.
Segundo ele, a manutenção da cobrança de Cide sobre os royalties remetidos ao exterior no licenciamento de software "faria cair todo o nosso plano de negócios", por exemplo.
A cobrança de 10% do que é remetido ao exterior em royalties foi eliminada pelo Congresso no início de fevereiro, mas tal lei ainda depende da sanção presidencial.
"O Brasil está na mão inversa de países como Argentina, Chile e México" no que diz respeito ao estímulo para atrair investimentos em TI, comparou Duarte.
Ele, no entanto, se disse "otimista" de que o atual governo reverta essa situação e volte a fazer o Brasil atraente para os investimentos em TI. "O investidor vai aonde for mais interessante", disse Duarte.
Consequências - efeito Cascata
Lamento essa decisão e estou certo de não ser a primeira nem a última grande empresa que esteja adotando a estratégia de tirar as operações do Brasil devido as incertezas tributárias e altos custos nas contratações... Costa Rica, India, e outros diversos países estão apostando no crescimento enquanto o Brasil vai perdendo postos de trabalho. Nosso governo tem que apressar qualquer tipo de mudança ou incentivo para reverter rápido a situação.
Mario Nascimento
Mario - 22 Fev 2007, 11h28
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