Negócios
A nova cadeia de suprimentos vem aí
Um estrategista com mais de 30 anos de mercado é um dos mais novos contratados da Microsoft. Sua missão: mostrar que os produtos da companhia ajudam na gestão da cadeia de suprimentos.
Por Alexandre Scaglia, do COMPUTERWORLD
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Fundador do Supply Chain Council, pesquisador e autor de livros sobre logística, consultor e agora evangelista da Microsoft, Richard J. Sherman é o tipo de executivo que conhece profundamente o assunto com o qual trabalha.
Com mais de 30 anos de experiência em fornecedores de sistemas de gestão da cadeia da suprimentos, principalmente, o executivo foi contratado pela gigante do software há pouco mais de seis meses. Em visita ao Brasil para treinar a equipe de vendas, Sherman recebeu a reportagem do COMPUTERWORLD para uma entrevista exclusiva, onde apresenta as tendências no mercado de SCM. A seguir, os melhores momentos da conversa.
COMPUTERWORLD – O que exatamente o que o senhor faz na Microsoft? Qual é o papel de um diretor global de estratégia de supply chain para a companhia?Richard J. Sherman – Estou na empresa há cerca de 6 meses e meio, depois de mais de 30 anos atuando no mercado de soluções de gestão da cadeia de fornecimento (supply chain management, ou SCM). Minha contratação é parte de uma estratégia da Microsoft que já tem 5 anos, de foco em indústrias, não em tecnologia. Sabemos por meio da estrutura chamada EPG (enterprise partner group), que atende aos clientes corporativos, que os produtos da companhia são aplicados para resolver questões de negócios. Isso, basicamente, fez a Microsoft perceber que além de manter contato com o time de tecnologia de um cliente, é preciso falar com os executivos de negócios.
Sob minha responsabilidade estão a definição da estratégia, visão do mercado, criação de uma mensagem única e coerente quanto o nosso o posicionamento, além de trabalhar com as equipes de campo para desenvolver a capacidade de mostrar como a tecnologia da Microsoft cria valor para a cadeia de fornecimento.
CW – Sei que o senhor esteve reunido com cerca de 80 executivos brasileiros para debater o impacto da globalização e os novos imperativos da competição para a área de gestão da cadeia de suprimentos. Quais são esses desafios?
Sherman – Os desafios da SCM são praticamente os mesmos em todo o mundo. O Supplay Chain Coucil divide o processo fabril em cinco etapas: planejamento, fornecimento, fabricação, entrega e devolução. De uma posição distante isso parece uma coisa simples, mas sua gestão é extremamente complexa para quem está próximo. Quando é preciso executar tarefas com um prazo apertado o custo pode ficar muito algo e o processo tende a não ser fluido o suficiente.
Assim, o profissionais de SCM vivem sob uma constante pressão por redução de custos, melhores margens e maior eficiência operacional. A explosão da tecnologia e a explosão dos mercados consumidores, aliada à globalização, criaram um cenário logístico que inclui diversas fontes de matérias-primas, produtos e componentes, o que muda toda a dinâmica de custos. Além disso, agora há muitos outros mercados para atender, o que exige uma estratégia de mão-dupla.
A capacidade de construir uma infra-estrutura que suporte isso é estratégica. Outro fator que torna essa capacidade crucial é que as empresas precisam coordenar muito mais localidades e estoques. Para complicar, com a terceirização de processos de negócios (BPO, sigla em inglês de business proccess outsourcing), há o risco da companhia nem mesmo ter alguns desses processos dentro de casa. Tudo isso significa uma única coisa: as empresas são muito menos integradas verticalmente que no passado.
Em suma, o pensamento tradicional de supply chain, linear, não faz mais sentido. É preciso mudar a forma de pensar a cadeia. Citando Albert Einstein, eu diria que o mesmo tempo usado para criar esses problemas precisa ser dedicado para resolvê-los.
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