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Negócios

Brasil gera otimismo, mas inspira reformas, dizem empresários

Pesquisa da consultoria Deloitte aponta que apesar das perspectivas serem positivas para o País, reformas estruturais na carga tributária, gestão de recursos públicos e desburocratização são fundamentais.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

28 de fevereiro de 2007 - 13h37
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O empresariado brasileiro tem perspectivas otimistas sobre o mercado local nos próximos meses e anos, mas detém preocupações significativas sobre reformas estruturais necessárias para alavancar o crescimento nacional.

Essa é a conclusão do estudo “Panorama Empresarial 2007”, apresentado nesta quarta-feira (28/02) pela consultoria Deloitte. Segundo a pesquisa, que entrevistou 372 empresas, para 95% da amostra o principal desafio a ser enfrentado pelo País no momento diz respeito à carga tributária.

Corrupção no governo é o segundo fator apontado, apontado por 57% das opiniões, seguida por taxa de juros (55%) e gestão de recursos públicos (44%). A burocracia do Estado foi apontada por 39% dos entrevistados como o principal desafio no momento. Fatores como disseminação tecnológica e infra-estrutura de comunicações aparecem no fim da lista, apontados por 2% e 1%, respectivamente.

As soluções para tais questões têm correlação direta com aquilo que o empresariado considera os maiores desafios. Na avaliação de 96% da amostra, é necessário que o governo encampe a reforma tributária ao longo dos próximos quatro anos, ao passo que 82% acreditam ser fundamental a redução dos gastos públicos.

Aumentar os investimentos em infra-estrutura também é outro fator necessário para alavancar o desenvolvimento do País, assim como a adoção de uma política de desenvolvimento e promoção de ampla reforma previdenciária. Incentivo à modernização tecnológica é apenas o 10º fator em urgência listado pelos empresários.

Base nos números

A urgência da reforma tributária citada pela maioria das empresas tem fundamentação nos próprios números. Segundo dados da Receita Federal compilados pela Deloitte, de 1998 a 2005 a carga tributária total – em percentual do PIB – cresceu 29,8% para 37,8%.

“Apesar da visão otimista do empresariado, a necessidade das reformas estruturais começa a preocupar. São limitadores que comprometem no processo de atingir as metas de crescimento”, comenta José Paulo Rocha, sócio da Deloitte para a área de Finanças Corporativas.

O custo comparado de se realizar investimentos no Brasil também preocupa os empresários. Segundo Rocha, de 1998 a 2005 o preço relativo de se realizar investimentos no País cresceu cerca de 25% no País, enquanto Índia e China mantiveram um patamar estável.

Além de caro, o País é considerado um dos líderes da burocracia em diversos procedimentos comuns ao ambiente de negócios. Se avaliado o tempo de abertura de uma empresa, por exemplo, o processo leva em média 152 dias no Brasil, frente a 58 no México, 5 nos Estados Unidos e 3 no Canadá.

Na divisão regional sobre o custo de se abrir uma empresa, o Estado do Maranhão lidera, com 49% do PIB per capita, seguido da Bahia (33%) e do Ceará (31%).

Expectativas próximas


Se por um lado as expectativas dos empresários sobre o futuro da economia brasileira estão condicionadas à realização de reformas, para 2007 elas permanecem alinhadas com as perspectivas do próprio governo para alguns indicadores.

A mediana das respostas dos executivos pesquisados no estudo aponta que o PIB deve crescer em torno de 3,5%, mesmo patamar previsto pelo Banco Central. A expectativa para a taxa de inflação (IPCA) é de 3,5%, frente a 4,1% estimados pelo governo. Para a taxa de câmbio, a opinião média empresarial é de cotação em 2,28 reais, frente a 2,20 reais do setor público. Ambos os lados acreditam que a taxa básica de juros (Selic) encerre o ano em 11,75%.

A pesquisa foi conduzida entre os meses de novembro de 2006 e janeiro de 2007 e não levou em consideração os efeitos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apresentado em 29 de janeiro. Segundo a Deloitte, no entanto, o grau de sucesso que o governo conseguir obter sobre o PAC deverá ter reflexo direto na velocidade de crescimento do País.

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