Negócios
Novell: parceria com Microsoft traz ganho de escala para servidores
Carlos Montero-Luque, vice-presidente de gerenciamento de produtos para plataformas abertas, diz que acordo traz musculatura e capilaridade para disseminar o Suse Linux Enterprise Server.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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Apesar de ser criticada por muitos – especialmente por integrantes da comunidade de software livre – a parceria com a Microsoft dará à Novell mais musculatura e desenvoltura para comercializar sua solução para servidores. Isso porque o acordo favorece aumento da capilaridade, trazido pelo grande número de canais da gigante de software.
Essa é a impressão de Carlos Montero-Luque, vice-presidente de gerenciamento de produtos para plataformas abertas da Novell. Em entrevista ao COMPUTERWORLD, o executivo detalha o andamento do acordo, comenta as críticas da comunidade de código aberto e assegura também: embora as companhias estejam “companheiras” no servidor, a rivalidade continua acirrada nos desktops. Leia os principais trechos da entrevista:
COMPUTERWORLD – Cerca de quatro meses se passaram desde o anúncio da parceria com a Microsoft. Qual o contexto atual e como a Novell tem se beneficiado disso?
CARLOS MONTERO-LUQUE – A parceria que foi assinada em novembro do ano passado e reflete um acordo de mão-dupla de colaboração de tecnologia em quatro áreas: virtualização de sistemas operacionais, interoperabilidade de diretórios, gerenciamento de webservices e interoperabilidade de documentos. A segunda parte do acordo prevê um acordo comercial no qual a Microsoft revenderá um certo número de certificados que permite ao comprador ter um, três ou cinco anos de suporte da Novell para Enterprise Server. Além disso, as duas companhias se comprometeram em não processar uma a outra e aos seus respectivos clientes por questões de propriedade intelectual. Dessa forma, a Novell tem muito a ganhar em termos de portifólio e receita, já que a Microsoft oferecerá o suporte do Linux Enterprise. A parceria surgiu a partir das demandas do mercado. As duas companhias querem garantir que seus clientes usuários de ambientes mistos tenham suporte de ambas as companhias.
CW – Quais eram as principais demandas dos clientes antes do acordo ser anunciado?
Luque – O problema maior é que existem muitos padrões que não se comunicam em termos de gerenciamento. Dessa forma, vamos trabalhar em um padrão conjunto e garantir que os produtos se conversem entre si. É uma garantia extra para os consumidores de que as duas companhias vão pensar seus produtos em prol da interoperabilidade e padrões de gerenciamento.
CW – Recentemente o CEO da Novell, Ron Hovsepian, disse que a Novell pretende brigar com a Microsoft nos desktops. Como fica a situação diante do fato de que as companhias são parceiras para servidores?
Luque – É absolutamente verdade: pretendemos brigar com o Vista. As duas companhias têm jogado limpo sobre isso desde o início. Desktop não é uma área abordada pela colaboração técnica. Temos feito esforços tremendos no Suse Linux Desktop. Mesmo que tenhamos uma aliança para servidores, ainda queremos ganhar market share nos desktops. Pelo lado deles, existe um site falando sobre as vantagens do Vista sobre o Linux. No nosso lado, estamos nos esforçando bastante para popularizar o Suse Linux. Um grande case nosso é a própria Peugeot, que implantou o Suse em 20 mil desktops no mundo todo.
CW – Por um lado, muitos clientes das duas companhias aprovaram a parceria das duas empresas. Por outro, boa parte da comunidade de código aberto apresentou amplas críticas à iniciativa. Como a Novell vê esta situação?
Luque – Pesquisas mostram que os tomadores de decisão querem garantir o valor dos negócios em relação à tecnologia nos servidores. E dessa forma, apoiaram a iniciativa. Eles agora têm escolha em relação a qual tecnologia utilizar e sabem que terão suporte. Já pelo lado da comunidade, sabemos que a maioria dos integrantes não vê a Microsoft com muito bons olhos. Apesar de não concordarmos com a opinião deles, respeitamos a comunidade. A Novell está totalmente comprometida em cumprir a GPL. Somos parte disso e continuaremos contribuindo.
CW – Quais os próximos passos em relação a este acordo?
Luque – Continuaremos a trabalhar juntos e vender conjuntamente. Devemos ter novidades em gerenciamento e interoperabilidade até a metade de 2007. Enquanto isso, queremos explicar melhor a parceria para os clientes. Temos visitado diversos usuários na América Latina e continuaremos neste processo de popularização do acordo da interoperabilidade nos próximos meses.
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