Negócios
Software e serviços: um mercado em expansão, apesar dos tropeços
Brasil expande segmento em 22% em 2006, com movimentação de 9,09 bilhões de dólares, mas ainda permanece aquém das metas de exportação e corresponde a apenas 1,27% do total mundial.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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Embora apresente uma disparidade ainda colossal em relação às expectativas de exportações, pode-se dizer que a saúde do setor de software e serviços no Brasil vai bem. Ao menos, isso é o que indicam os números: 9,09 bilhões de dólares movimentados em 2006, um crescimento de 22% sobre o ano anterior – ou 13% se forem descontadas as variações cambiais.
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Segundo os dados da pesquisa da consultoria IDC em parceria com a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), desse total 3,26 bilhões de dólares corresponderam à venda de licença de software, enquanto os 5,83 bilhões de dólares foram relativos aos serviços relacionados. E o horizonte futuro também parece promissor: a expectativa é de crescimento superior a 12% nesse segmento até 2010. “Com o crescimento real em torno de 13%, atingimos um índice maior do que a média mundial, o que mostra que o Brasil tem feito investimentos na área de software e serviços”, comenta Jorge Sukarie, presidente da Abes.
O mercado foi alimentado por 7.818 empresas dedicadas ao desenvolvimento, produção e distribuição de software e prestação de serviços, sendo que 94% das desenvolvedoras são incluídas no segmento de pequenas empresas. A participação dos programas de computador desenvolvidos no País atingiu 32,5% do total comercializado, cerca de três pontos percentuais a mais do que o registrado em 2005. “A maior capacitação que as empresas estão procurando, especialmente nas áreas de soluções empresariais como CRM e ERP, foi um dos motivadores para o crescimento do software nacional no mercado”, diz.Os principais consumidores de software e serviços foram os setores industrial e financeiro, atingindo quase 50% de representação do mercado usuário, seguidos por serviços, comércio, governo, agroindústria e outros. Já o mercado de tecnologia da informação em geral atingiu 16,2 bilhões de dólares no País, atingindo 43% do total movimentado pela América Latina, de 37,4 bilhões de dólares.
Vantagens relativas
Entretanto, apesar do crescimento na área de software e serviços – e mesmo no mercado de TI com um todo –, o Brasil ainda amarga o fato de não conseguir sequer chegar perto das metas de exportação estipuladas pelo governo brasileiro, de 2 bilhões de dólares já em 2006. O País vendeu externamente 52 milhões de dólares em licenças de software e 195 milhões de dólares em serviços.
Em relação ao mercado global de tecnologia da informação, o Brasil detém 1,38% de participação, à frente da Rússia (1,21%) e da Índia (1,16%), mas ainda bem atrás da China (3,26%). Os Estados Unidos detêm 37,5%.
Além disso, o Brasil detém ainda uma pequena participação do mercado mundial de software e serviços – 1,27% – e figura na 13ª colocação do ranking global, bem atrás de Estados Unidos (42,5%), Japão (9,02%), Reino Unido (7,84%) e até mesmo depois da China (1,34%). Na avaliação da Abes, entretanto, apesar não ser ideal, o resultado é satisfatório. “É importante estar entre os 15 maiores do ranking, que representam mais de 90% do mercado mundial de software. É bom ressaltar, por exemplo, que Rússia e Índia nem sequer chegam a figurar nesse ranking justamente porque têm mercados internos menores”, reflete Sukarie.
Tendências futuras
Mas apesar das palavras ponderadas do executivo, conformismo não é a palavra que se encaixa ao setor. As empresas estão conscientes de que o mercado brasileiro tem muito a evoluir, e acreditam que boa parte das iniciativas para estimular um crescimento mais sustentado deve partir do poder público, especialmente com incentivos fiscais.
Já no que diz respeito às tendências de mercado em curto prazo, a expectativa da IDC e da Abes é que a arquitetura orientada a serviços (SOA) tenda a ser consolidada como realidade, assim como a intensificação da abordagem dos processos em segurança de informação.
As empresas tendem ainda a desenvolver com maior intensidade soluções no segmento de mobilidade, encampar a adoção às melhores práticas (ITIL, entre outras), além de ampliar os projetos de voz sobre IP com convergência de dados. Boas perspectivas também recaem sobre a participação no mercado internacional de offshore. Já em médio prazo, a expectativa é de adoção de software de código aberto como plataforma de infra-estrutura, modelos de licenciamento de software por assinatura e intensificação da exportação de software, com incremento da presença do País especialmente na América Latina.
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