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O mercado de ERP não sobreviverá sem SOA

Por Luciana Coen, do COMPUTERWORLD

21 de março de 2007 - 16h30
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CW – Diante da complexidade dos sistemas que a Oracle tem, como fica o tradicional banco de dados? Como você vê a Microsoft, com seu SQL, dentro deste ecossistema?

GENESINI – A Oracle tem crescido no mercado em que a gente tradicionalmente atua – Unix e Linux. A presença da Oracle no Brasil está muito tranqüila. E continuamos atualizando bancos de dados e a crescer neste produto. Mas o jogo não é mais banco de dados. O bom é ter uma infra-estrutura que seja barata, padrão, e que você possa concorrer com soluções maiores e mais caras. É nisto que a Oracle vem apostando: banco de dados, com computação em grid.

Nossa aposta é que isto, mais Linux, inclusive dando suporte a sistemas IBM, para tornar a infra-estrutura a mais barata e a mais padronizada possível. O jogo não é mais o jogo do banco de dados. O jogo agora é criar uma infra-estrutura robusta, segura e escalável. A parceria com a linha de hardware z da IBM, com solução Linux (veja reportagem da edição 470 do COMPUTERWORLD). Desta forma, você cria uma solução padrão, repetitiva, com TCO muito baixo, ou seja, barata.

Com isto, você cria uma estrutura pela qual você não paga caro, ela precisa ser padronizada e que seja escalável e segura. Esta é nossa grande aposta no mercado que gira em torno de banco de dados.

A parceria Intel e Novell é uma resposta na mesma direção. Eu chamaria de reconhecimento de que a solução Linux ficou suficientemente robusta.


CW - Por outro lado, a Oracle mudou de empresa de produto para de serviços. Como veio de consultoria, qual foi a grande contribuição para a subsidiária brasileira? Você ter vindo de consultoria teve o papel de mudar a cultura da empresa?

GENESINI – A Oracle vai ter uma componente maior de serviços. Mas sempre será prioritariamente uma empresa de produtos. A qualidade de seus produtos, ERP, banco de dados, infra-estrutura e SOA é o que faz a diferença. A Oracle passou a fazer na área de serviços o que a Oracle – e o mercado – chamam de On Demand. A capacidade de duas questões: a Oracle processar e cuidar dos seus sistemas, sejam eles ERP ou a parte técnica. Isto porque na hora em que começarmos a falar de SOA, a complexidade passa a aumentar muito. Isto é um reconhecimento de que o dono do produto conhece sua complexidade e será mais efetivo em cuidar do sistema e tornar a vida do cliente mais simples.


Hoje, tem uma capa de serviço importante. Mas a Oracle não fará estes serviços para produtos da concorrência. Neste sentido, ela não se tornará uma empresa de serviços. Mas o que é importante para a companhia é que ela cuide de seus produtos. E como o ambiente Oracle ficou maior, com todas as aquisições, vai ter uma componente de serviços, tanto de consultoria, como de on demand, muito maior. Mas é importante ressaltar que o produto é mais importante do que qualquer coisa.

CW – Como você veio de 26 anos de Accenture, qual é a tua função, tendo entrado em uma empresa que tem aumentado o valor de serviços. Qual a vantagem de você, que fez uma carreira em serviços, estar neste momento na subsidiária?

GENESINI – Aqui não temos uma intenção de mudança de cultura radical, como fez a IBM. O objetivo principal da Oracle é vender seus produtos, aumentar sua base. E este trabalho de serviços, muitas vezes, será feito com outras consultorias. Mas queremos garantir que o cliente tenha o melhor suporte possível. Então, há uma demanda do mercado de que o software vai progressivamente virar um serviço e será muito complexo. E queremos cuidar desta complexidade.

Podemos fazer um exemplo que é o da eletricidade. É um mau exemplo, mas a grosso modo, você ligar a luz é muito simples. Se houver um apagão, tem um monte de gente por trás que sabe consertar este sistema complexo. Guardadas as devidas proporções, porque tem gente, processo e implementação.
Nosso criador e até hoje CEO (referindo-se a Larry Allison) deixa claro que a Oracle não é uma empresa de serviços e não queremos concorrer com nosso ecossistema.

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