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Negócios

O mercado de ERP não sobreviverá sem SOA

Por Luciana Coen, do COMPUTERWORLD

21 de março de 2007 - 16h30
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CW – Depois de dois anos e cinco meses de Oracle, você está realizado profissionalmente na presidência da empresa? Você conseguiu fazer o que queria? Enfrentou algum grande desafio inesperado?

GENESINI – É uma experiência muito boa. Queria ter saído de consultoria para algo diferente há mais tempo e acabei ficando mais tempo na Accenture. O que mais aprendi foi o que é vender serviços e o que é vender produtos. É muito diferente. A empresa tem outra forma de vender, outra relação com clientes. O serviço é uma amizade colorida, que pode durar por muito tempo, se você for bom nisso. A relação do dono do produto é um casamento por muito tempo. Você não sai. Você é chamado a intervir em muitos instantes da vida. A relação é mais intensa.

O ecossistema de uma empresa de produtos é muito importante. Então, tudo é muito mais fragmentado. Outra coisa é que é uma empresa de software, muito mais segmentada do que uma empresa de serviços. Tem as linhas de produtos e para cada uma delas, tem o pós e pré vendas, tem a consultoria, o suporte, o on demand. Então, você coordenar, integrar e ser uma empresa customer centric exige trabalho. E não necessariamente acontece de maneira natural. Acho que teve uma evolução e acho que ainda precisa ter um progresso maior.

Ainda por cima com o fato de que a Oracle comprou muitas empresas, então a complexidade foi aumentando ainda mais. E algumas destas organizações são organizações diferentes, como é o caso de varejo, de bancos. O grande desafio é você ser customer centric e ter uma solução interna, nas quais elas se sintam bem.

Acho que fizemos progressos, medimos estes processos, do ponto de vista interno ou externo. Mas ainda precisamos muito de progressos. E aí certamente, muito embora seja uma empresa de produtos, a interface é gente.

CW - Qual é teu caminho de futuro como executivo?

GENESINI – Não sei. Não penso muito no futuro. Temos trabalhado em forma de colegiado, no que diz respeito a América Latina. E isto tem funcionado muito. As linhas de negócio hoje tem uma extensão latino-americana. Eu não tenho uma agenda de futuro. Até pela minha posição. O que eu gostaria, dentro da Oracle, é um objetivo de crescimento muito expressivo. Com as compras, a Oracle quer voltar a crescer em patamares altos.

Existe uma cobrança que é a de termos de ocupar a sua posição no BRIC. Temos de ter estruturas mundiais aqui, que tenhamos um pedaço de exportação de serviços provenientes do Brasil. Temos de demonstrar que nosso crescimento e nossa posição é forte.
O Brasil precisa e tem condições de crescer mais do que a média mundial da Oracle. Até por estar nesta situação, de recuperar o crescimento. E precisamos ter uma relevância no mercado. E aí estão todas as oportunidades.

CW – Você dá importância para a qualidade de trabalho internamente? Gostaria de estar presente em rankings como o do Instituto Great Places to Work, feito em parceria com o IDG?

GENESINI – Gostaríamos de estar presentes sim. Temos o projeto interno Peoplecare. A Oracle já esteve neste ranking há cerca de seis anos e deixou de estar. Passou por uma certa “crise interna” com relação a esta questão. E este é um dos meus maiores projetos é que aqui seja um lugar bom para trabalhar. Temos várias iniciativas, como preparação da liderança, responsabilidade social, inclusão digital. Temos o programa Think.com, da Oracle Foundation, que é um ambiente de colaboração para alunos, professores, pais de escolas fundamentais.

Já começamos com escolas do Estado de São Paulo, Escola do Futuro, Prodesp. Faz parte deste processo. Estamos fazendo um trabalho de melhoria para estarmos entre as melhores empresas para se trabalhar. Isto é muito importante.

CW – Com relação ao quadro político-econômico no Brasil, economia brasileira, mercado, o quanto o governo Lula vai melhorar ou não o desempenho da Oracle. Como você enxerga este quadro?

GENESINI – Do ponto de vista de macroeconomia, a vantagem do Brasil é que ganhou uma estabilidade. A eleição o ano passado não teve nenhum efeito desestabilizador ou de expectativas. O risco país reduziu significativamente. O problema é que o Brasil não pode crescer a 2% ou 2,5% ao ano. O Brasil precisa ter um crescimento muito mais significativo se ele quer aspirar ser uma destas nações que vão fazer diferença no mundo.

A grande questão é a questão do crescimento e tem outra questão importante e que o governo não acordou pra isso. Do ponto de vista da inserção do Brasil da sociedade do conhecimento, o Brasil não tem um projeto. Os projetos são muito estanques. Por exemplo, um computador para todos é muito bom, mas é insuficente. Qual é a nossa vocação? Onde temos condição de fazer a diferença? E se olharmos o programa de governo ou o PPA (Plano Plurianual) anterior, ele não tem um pensamento estruturado. Tem coisas específicas. Vamos algum dia conseguir exportar software e definir a vocação do Brasil e onde o Brasil pode fazer diferença na sociedade da informação.


O governo precisa aumentar o tamanho do mercado de TI no Brasil. E para isto, é preciso ter um plano muito mais robusto do que hoje. Os nossos grandes concorrentes todos tem planos muito arrojados. A Índia tem, a China tem. Precisamos ter também!

CW - E quais são seus interesses fora de tecnologia?

GENESINI - Meus interesses são intelectuais. Cinema, teatro, literatura. Já assisti a quase todos os concorrentes ao Oscar. Estes são os meus interesses. Gosto de ver esportes, mas fazer... é mais fitness, para manter a saúde.

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