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Negócios

Governos enfrentam restrições em terceirização offshore de TI

Embora a modalidade permita economias muitas vezes significativas para as instituições governamentais, questões políticas ainda barram adoção massiva.

Por COMPUTERWORLD

27 de março de 2007 - 09h00
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Se Karl Kaiser, CIO da cidade norte-americana de Minneapolis, permitisse que a Unisys, sua fornecedora de serviços terceirizados, movesse seu suporte a desktops, gerenciamento de redes e algumas outras tarefas de infra-estrutura para outros países além dos Estados Unidos, provavelmente o município economizaria alguns dólares e se beneficiaria de incentivos fiscais. Entretanto, na certa enfrentaria problemas políticos.

Segundo informou o executivo durante o seminário Gartner Outsourcing Summit, realizado em Massachussetts na semana passada, a modalidade offshore poderia cortar em cerca de 500 mil dólares os gastos anuais de cerca de 10 milhões de dólares da cidade com infra-estrutura de TI. Não seria um corte tão expressivo, mas já significaria uma mudança de tradição entre as organizações públicas.

"Porém, no momento, ainda não se trata de uma opção", disse Kaiser, acrescentando que os governos têm se mostrado contrários à tendência de offshore ultimamente.

Esse é o cenário que muitas cidades têm vivido ao redor do mundo, especialmente diante das pressões sindicais que existem em muitas delas contra os movimentos de offshore. No entanto, apesar das resistências, eventualmente os governos precisarão de fato apostar na terceirização para fora de seu próprio país, em decorrência de situações-limite.

Um exemplo disso pode ser verificado no grupo Hanover Insurance baseado em Worcester, EUA. Embora sem estar ligado ao governo e sem precisar lidar com pressões políticas, a companhia demonstra que a grande rotatividade de funcionários de TI na época da bolha pontocom fez com que se optasse pela terceirização.

Greg Tranter, CIO do grupo, começou então a terceirizar alguns processos de desenvolvimento de aplicações e manutenção com a empresa Keane – a partir de 2000, quando assumiu – e mostrou que as resistências iniciais puderam ser superadas.

Durante anos, a Hanover desenvolveu uma relação estreita com a Keane, de Boston, e ampliou os contratos de terceirização até 2011 no ano passado. A seguradora, que tinha cerca de 1,2 mil funcionários no departamento de TI sete anos atrás, atualmente tem cerca de 450 funcionários em sua folha de pagamento, embora a força de trabalho total de TI suba para 900 quando contados os funcionários da companhia terceirizada.

A experiência deu tão certo que a Hanover está agora apostando em ampliar o quadro e o escopo de seus contratos de terceirização, e até o fim do ano, cerca de 50% do pessoal deve ser terceirizado com a Keane.

Independente dos modelos de sucesso que aconteceram na iniciativa privada e que podem servir de exemplo, a verdade é que os governos precisarão encontrar cada vez mais um ponto de equilíbrio para dosar os benefícios obtidos com a terceirização offshore de TI em suas próprias instituições, ao mesmo tempo em que não entram em embate com grupos defensores do protecionismo dos empregos internos. Ao que tudo indica, os debates sobre a questão deverão se intensificar nos próximos tempos.

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