Negócios
Software público promete novas oportunidades de negócio
Modelo de software livre idealizado pelo governo federal contribui para geração de negócios e oportunidades entre empresas brasileiras de tecnologia.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD*
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Diz o ditado que a necessidade é a mãe da criatividade. E, de fato, não são poucos os indícios de que ele pode ser aplicado na área corporativa: quantos negócios lucrativos já não surgiram em decorrência das necessidades pessoais de seus sócios ou idealizadores?
Na esfera brasileira de TI, especificamente entre empresas de software, o ditado acima vem sendo traduzido em oportunidade de negócios, mas em um formato um pouco diferente: quem teve a idéia inicial não necessariamente é o beneficiário de seus bons resultados. Aliás, ao contrário. O idealizador compartilha a galinha dos ovos de ouro com todos aqueles que quiserem aproveitar e explorá-la comercialmente.
O modelo em questão, na prática, é o que o governo federal tem chamado de programa brasileiro de software público. Trata-se de uma iniciativa em que órgãos públicos desenvolvem e liberam o código de determinado programa para download, em uma estratégia com princípios semelhantes aos seguidos pela comunidade de software livre – em termos de distribuição e capacidade de manipulação.
O mais popular deles, o Configurador Automático e Coletor de Informações Computacionais (Cacic), que detalha características do parque computacional em hardware e software, já tem mais de 200 downloads e tem gerado uma movimentação de serviços relacionados que surpreende até mesmo os próprios idealizadores.
A rede de serviços que foi gerada em torno do Cacic começou a ser identificada em meados do segundo semestre do ano passado, quando o governo decidiu oferecer um cadastro gratuito para as empresas que já prestavam serviços relacionados ao software, como suporte, manutenção, implantação, treinamento e personalização. Até o final de março, nada menos do que 360 prestadores de serviços autônomos e empresas – em sua maioria de pequeno porte – estavam listados.
A maioria das companhias tem visto esses códigos oferecidos pelo governo como uma forma de incrementar suas ofertas e aumentar as perspectivas de negócios, especialmente com serviços como suporte, manutenção, implantação, treinamento e personalização. Esse é o caso, por exemplo, da catarinense OpenS, que atua na consultoria e implementação de software livre dentro de seus clientes. A empresa tem utilizado o Cacic como ponto de partida para coletar os dados das organizações a serem monitoradas e o integra para apoiar os seus serviços de consultoria.
Um dos contratos de grande porte no qual a OpenS está trabalhando com o Cacic é o do Grupo Moldurarte, indústria do ramo de molduras e rodapés com operações em três países. "Nesse cliente, chegamos a utilizar o sistema para mapear 500 máquinas com a ferramenta", ressalta Douglas Conrad, diretor de tecnologia da empresa.
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Iniciativa interessante
São políticas públicas dessa natureza que se espera dos governos, na medida em que fomentam o desenvolvimento tecnológico, gerando boas oportunidades àqueles que delas necessitam para alavancarem seus projetos.
Bruno - 06 Mai 2007, 23h56
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