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Professor e sociólogo divergem sobre papel das lan houses na inclusão digital

Debate se as lan houses são ou não aliadas efetivas para a inclusão digital no Brasil.

Por COMPUTERWORLD

14 de maio de 2007 - 16h22
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Estabelecimentos comerciais que vendem acesso à internet, conhecidos como lan houses ou cyber cafés, são aliados da inclusão digital, na avaliação do professor da Fundação Getúlio Vargas, Ronaldo Lemos. Para o sociólogo e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo Sérgio Amadeu, no entanto, esses locais podem colaborar para o processo de digitalização da sociedade, mas não são a solução para a inclusão digital entre a população de baixa renda.

Para Lemos, a lan house é um fenômeno de empreendedorismo que ajuda o projeto do governo de habilitar o cidadão a utilizar um computador e a internet.

"Gente no Brasil inteiro, inclusive em regiões pobres, monta esse negócio. As pessoas pagam uma taxa por hora, às vezes pequena, como 0,50 centavos por hora, e isso é importante para comunidades pobres que não têm computadores".

As políticas federais de inclusão digital tentam capacitar as pessoas através de espaços de acesso à rede gratuitos e comunitários, como os telecentros. Lemos considera essas políticas "fundamentais", mas que, por enquanto, alerta que elas não são capazes de chegar a todos os lugares.

"A lan house tende a ajudar, não compete com essas políticas. É um fenômeno da iniciativa privada e remedia a situação da exclusão digital enquanto outras políticas não chegam. Uma coisa não compete com a outra, são aliados", diz.

De acordo com uma pesquisa recentemente divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, apenas 3,9% das pessoas acessa a internet em centros comunitários. Já as lan houses são responsáveis por 25% do acesso individual à rede. Mais de 50% dos brasileiros, entretanto, nunca teve contato com um computador.

"Outras políticas públicas podem levar o computador até as pessoas. Mas enquanto isso não acontece, é a lan house que pode suprir essa demanda", acredita Ronaldo Lemos.

Sergio Amadeu, entretanto, ressalta o caráter comercial da lan houses, que seria um impeditivo para a inclusão digital. Segundo ele, nas áreas de predominância das camadas D e E da população "as pessoas não têm o mínimo nem para assegurar a sua sobrevivência, quanto mais para pagar um ou dois reais para acessar a internet".

Essa, de acordo com o sociólogo, seria a principal limitação para que as lan houses participem se forma efetiva do processo de inclusão digital nas camadas mais pobres da sociedade. "Em algumas áreas de classe média baixa ela pode também cumprir um papel de assegurar o acesso, mas está bem distante das possibilidades de criar inserção nas áreas de grande pobreza", afirma o professor.

"Daí a necessidade de termos programas de inclusão digital que sejam gratuitos, como os telecentros", afirma Amadeu. Ele defende, entretanto, que as lan houses sejam incentivadas pelo governo por se trtar de empreendimentos que podem gerar empregos. Mas alerta que a inclusão digital envolve também capacitação do usuário para trabalhar com as ferramentas disponíveis na rede, o que não ocorre numa lan house.

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