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Red Hat: tiro na Oracle pode sair pela culatra

Programa polêmico da companhia pode fazer frente à estratégia da Oracle, mas também pode ameaçar relacionamento com parceiros preferenciais.

Por COMPUTERWORLD

15 de maio de 2007 - 10h24
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Em um movimento que pode ajudá-la na batalha com a Oracle, mas também pode deixar furiosos alguns dos seus aliados de longa data, a Red Hat anunciou na semana passada que começaria a vender e a prestar suporte técnico para softwares empresariais populares que rodam o Enterprise Linux da companhia.

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O programa, batizado de Red Hat Exchange, permite que companhias que usam aplicativos 'stacks' - algum dos 14 aplicativos de código aberto mais usados - negociem com a Red Hat como seu único ponto de apoio quando problemas técnicos surgirem.

Ele também fornece uma nova fonte de receita para a Red Hat em um momento em que a companhia sofre ameaças da Oracle, com quem começou a competir diretamente desde outubro passado, quando esta passou a oferecer desconto no suporte ao Enterprise Linux da empresa. No mês passado, a Oracle divulgou que já conquistou contratos de 26 clientes da Red Hat.

A distribuidora de Linux já fornece suporte a algumas aplicações de código aberto há anos. Mas o programa Exchange amplia essa estratégia e garante que a companhia tenha a sua fatia de receita por qualquer serviço prestado. O primeiro anúncio da Red Hat sobre o programa aconteceu em meados de março.

Billy Marshall, CEO da rPath e ex-executivo de vendas da Red Hat, argumentou naquele período que, para uma companhia de sistemas abertos, oferecer suprote a softwares que ela não desenvolveu, fazia tanto sentido quanto "a Emerson Electric anunciar que iria vender máquinas de lavar e secadoras da Whirpool. Por que um consumidor compraria um eletrodoméstico de um fabricante de motores?", questionou.

Gordon Haff, analista da Illuminata, considerou o movimento da Red Hat como "lógico". "A Red Hat deixou de ser meramente uma fornecedora de sistemas operacionais no sentido restrito do termo", escreveu o analista, em um relatório.

O programa Exchange da companhia, na sua avaliação, será "um veículo para que a empresa venda e forneça suporte a uma gama muito maior de produtos, o que vai ajudá-la a contrapor iniciativas desenvolvidas in-house de companhias mistas como a Novell".

A iniciativa pode trazer repercussões para os parceiros da Red Hat. Aliados de longa data, como IBM e HP, geram receita a partir da revenda e suporte a softwares Red Hat e aplicações de código aberto que rodam em Linux.

O anúncio do programa Exchange pode acelerar a chamada 'copetição' (misto de competição e cooperação) entre essas companhias. Outras companhis de suporte de menor porte, como OpenLogic e Optaros, podem também não ver graça na iniciativa da Red Hat.

A HP, no entanto, tornou pública a sua visão de que mais players poderá criar um mercado ainda maior para todos, ao invés de obrigá-los a controlar uma fatia menor.

"Temos um relacionamento muito forte com a Red Hat e isto vai dar aos nossos clientes algo que eles demandam com cada dia mais intensidade - escolha. Ficamos motivados quando vemos o ecossistema de software de código aberto crescer de forma tão dinâmica", afirmou Doug Small, diretor mundial de marketing da HP para Open Source e Linux.

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