Negócios
Setor financeiro: era da transparência e do multicanal
Especialista da IBM para o segmento comenta as necessidades e tendências de investimentos das instituições do setor para curto e longo prazo.
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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Tradicionalmente conhecido por estar na dianteira da adoção tecnológica em diversos aspectos, o setor financeiro tem revisitado sua lista de prioridades nos últimos tempos. Em vez de apenas mirar as tecnologias de ponta – incorporando ao pé da letra o termo “early adopter” –, cada vez mais as instituições têm colocado na balança os modelos que de fato sinalizam benefícios expressivos e diferenciação em suas operações.
Na avaliação de Jürg Von Känel, gerente sênior do Human Centric Tools Group e de relacionamento da IBM com a indústria financeira – e um dos palestrantes de maior peso do CIAB 2007 –, a busca do momento está centrada em tecnologias que garantam mais transparência e organização e que melhor posicionem as instituições para o atendimento multicanal. Em entrevista exclusiva ao COMPUTERWORLD, o executivo comenta suas impressões. Leia os principais trechos.
COMPUTERWORLD – Boa parte das discussões do CIAB deste ano terá como tema a modernização bancária. Quais suas impressões sobre este tema?
Jürg Von Känel – Meu papel à frente do departamento de pesquisas da IBM é atuar como um tipo de interface entre a companhia e o setor financeiro. Nós analisamos as tendências globais na área financeira e trabalhamos junto de nossos clientes. Vejo diversas tendências neste momento, mas de forma mais genérica, esta é a hora da informação. Cada vez mais os bancos têm lidado com grandes volumes de dados e os clientes têm demandado altos níveis de serviço. A maior parte das instituições financeiras estão se esforçando para fornecer atendimento por múltiplos canais. Os bancos estão em busca de ferramentas para satisfazer as expectativas e serem transparentes aos clientes a este respeito e, até o momento, nem todas as instituições estão preparadas.
CW – Onde exatamente está essa pressão por transparência?
Känel – Algumas leis têm feito efeito sobre essas instituições como as regulatórias como Sarbanes-Oxley, que atuam mais do lado dos registros financeiros. De outro está a pressão exercida pelo relacionamento com o cliente, que por sua vez busca cada vez mais transparência na instituição com a qual mantém vínculo. Esta situação tem forçado os bancos a ter uma figura clara de sua base, embora muitas instituições ainda mantenham dados dos clientes espalhados por todas as partes.
CW – Quais as principais necessidades das companhias do setor financeiro atualmente?
Känel – Elas buscam tecnologias que possam auxiliá-las a solucionar seus problemas. As instituições financeiras costumavam comprar tecnologia sob um ponto de vista técnico, de olho nos últimos lançamentos. Cada vez mais, existe uma mudança nessa lógica, e a percepção de negócios está gradualmente latente. A percepção agora é que as tecnologias precisam ajudar a solucionar problemas de negócios. Acredito que o principal ponto está em gerenciar as informações. Os bancos têm precisado cada vez mais concentrar seus esforços em gerenciamento de dados e informação, estruturados ou não. As instituições financeiras estão deixando aquele velho conceito de ter as informações armazenadas em um data warehouse para lidar com elas de uma forma muito mais fluente. Nesse sentido que novamente aparece a transparência. Do lado tecnológico, essa transparência pode ser refletida, por exemplo, com os princípios da arquitetura orientada a serviços (SOA) – integrando os processos. Do lado dos negócios, outro exemplo pode ser o gerenciamento de riscos.
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