Negócios
Setor financeiro: era da transparência e do multicanal
Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD
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CW – Ainda falando sobre SOA, como está a adoção deste modelo no setor financeiro?
Känel – A maioria das instituições financeiras já olhava para isso antes mesmo de existir o termo específico ‘SOA’ para arquitetura orientada a serviços. Exemplos disso eram verificados por volta de 1997, quando existiram alguns problemas pontuais de call center. Na ocasião, algumas instituições decidiram utilizar princípios do modelo para solucionar os problemas e melhorar o atendimento e atingiram suas metas. Hoje, existe um entendimento mais pulverizado e vários bancos estão se movendo nessa direção. Entre os principais motivos? Satisfação do cliente e novamente a transparência nos negócios.
CW – No âmbito do relacionamento dos clientes do segmento financeiro com os fornecedores de tecnologia, o que mudou nos últimos anos?
Känel – Hoje o relacionamento está muito mais focado em negócios. Nos anos 90, por exemplo, era tradição conversar com CTOs, CIOs e profissionais de TI sobre um projeto. Hoje, a proporção desse relacionamento é de quase 50% de profissionais técnicos e 50% de executivos da área de negócios. Estamos interagindo muito mais com o lado de negócios das companhias e, dessa forma, os clientes estão cada vez mais esperando uma abordagem de negócios por parte de seu fornecedor. De nada adianta ajudarmos uma companhia a comprar um robusto sistema computacional se isso não soluciona questões de negócio. Antes, a IBM Research estava mais para uma instituição acadêmica. Hoje, no entanto, a realidade é outra. Mais de 75% de nossas pesquisas são baseadas diretamente em trabalhos com clientes e experiências da indústria, ao passo em que apenas os 25% remanescentes são teóricos. Gostamos de fazer essa mistura para dar uma abordagem mais pragmática e interpretar melhor os problemas de negócios. Além disso, o relacionamento comercial também mudou no que diz respeito ao tipo de venda realizada. Digo, os processos de outsourcing cresceram bastante e cada vez mais o fornecedor de soluções não é visto apenas como um vendedor de hardware, mas tem sido encarado cada vez mais como um parceiro.
CW – Nos últimos anos, a IBM Research realizou pesquisas sobre as prioridades e necessidades do segmento financeiro. Quais as principais constatações?
Känel – Em 2004 fizemos uma pesquisa ampla e acreditávamos que a adequação seria uma das principais questões a serem resolvidas pelo setor financeiro. Para nossa surpresa, ficou constatado que o cumprimento das normas regulatórias não é uma questão tão grande assim. Existem muitas outras coisas que existem muito dinheiro, como a tecnologia capaz de dar mais transparência às instituições financeiras e garantir a elas diferenciação. A maior parte dos bancos já tem essa percepção de que cumprir exigências regulatórias não é uma questão tão grande e que o momento está em buscar soluções estratégicas.
CW – Seu trabalho à frente da divisão de pesquisas para o segmento financeiro avalia cenários do mundo todo. Nesse sentido, qual sua percepção sobre o Brasil?
Känel – O Brasil é claramente um dos mercados emergentes com maior crescimento do mundo. A IBM está apostando muito no País, que tem também algumas peculiaridades interessantes e algumas necessidades específicas no segmento financeiro. Por exemplo, no País os bancos tendem a atender pessoas que não são necessariamente correntistas – como no caso de pagamentos no caixa – e também existem nuances regulatórias específicas. De forma geral, vejo que a fase é de otimização dos processos. Comparado com outros países do mundo, especialmente da Europa, o País não tem tanto legado, mas demanda investimentos para suportar o volume crescente de transações.
CW – Outro ponto de discussão do CIAB é discutir o modelo do banco do futuro. Qual sua previsão sobre o assunto?
Känel – Acredito que o banco do futuro terá estrutura modular, dividido em componentes de negócios que prestam serviços por conta própria ou por meio de parcerias. Nesse sentido, a tecnologia vem como um agente flexibilizador, capaz de articular todas essas partes.
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