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Apple parte para uma batalha que não pode vencer

Em sua história, a empresa raramente competiu diretamente. A sua entrada para o setor de navegadores em Windows está fadada ao fracasso.

Por COMPUTERWORLD

20 de junho de 2007 - 07h30
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Em vez de engalfinhar-se com outras companhias de hardware e software no mercado, a estratégia da Apple está em criar a sua arena para, então, dominá-la inapelavelmente.

Quando toda a indústria participava do que era então chamado de mercado “compatível IBM”, com hardware clone rodando DOS, OS/2, Windows e, depois, Linux, a Apple não quis brincar. Em lugar disso, a companhia sempre construiu seus próprios computadores que rodavam seus próprios sistemas operacionais.

Os engraçados comerciais “PC vs. Mac” criam a falsa impressão de competição direta, um contra a um, mano a mano entre o PCs e Macs, mas isso não passa de jogo de marketing. Enquanto o Mac é unificado, controlado com rigidez tanto em hardware quanto em software, o PC contém uma mistura imprevisível de componentes de hardware integrados por diversas empresas, reinados (normalmente) pelo sistema operacional da Microsoft.

Caso os PCs fossem feitos pela Microsoft, e a MS não permitisse ninguém mais fazer PCs, então seria possível comparar PCs vs. Macs. Mas não é assim, então não pode comparar.

Enquanto a Dell compete diretamente com a Hewlett Packard e centenas de outros, a Apple não tem nenhum concorrente direto no mercado Mac.

Antes que se tenha conclusão precipitada, isto não é intrinsecamente ruim. Existem vantagens e desvantagens na estratégia da Apple, e o sucesso da empresa gera uma boa alternativa para este mercado.

A situação é parecida com o iPod. O mercado de tocadores portáteis é uma casa que a Apple construiu. A empresa possui a plataforma iTunes e controla em grande parte a distribuição de música digital. Steve Jobs é o homem mais poderoso em Hollywood e ele nem vive por lá. A Apple não compete diretamente com ninguém neste mercado por que, assim como no setor de Macintosh, a Apple criou a plataforma de gerenciamento de arquivos de música digital (iTunes), o mercado de conteúdo (distribuição dos arquivos através do iTunes) e os padrões; a Apple não está deixando mais ninguém brincar nesse área.

Com o iPhone, a Apple está novamente se recusando a competir diretamente no mercado de telefonia celular. Enquanto alguns fornecedores deste setor competem diretamente no setor com Windows Mobile e Symbian, entre outros, companhias como a Research In Motion (RIM), Palm e, em pouco tempo, a Apple estarão brincando nas suas próprias caixas de brinquedos. O controle da sua própria plataforma provou a RIM e a Palm ser a melhor política e também terá sucesso para a Apple.

A Apple está, novamente, criando a sua própria categoria – chamaremos de celulares baseados em Mac OS – e garanto que a Apple vai registrar 100% de participação neste mercado.

Só consigo ver um exemplo de competição da Apple diretamente: o mercado de software de tocadores de mídia.

Opinião do Leitor [4 comentários]

Concordo

Querendo ou não, visando desenvolvedores ou não...
A Apple colocou os pés onde não esta acostumada.
Concordo que não podemos analisar no momento se ganhará ou perderá com tal atitude.
Mas acho que o Safari não irá fazer grande sucesso.

Detalhe, sou programador há muitos anos (Clipper, Delphi, VB, Fox Pro, etc.).
Baixei o Safari logo na semana do lançamento.
Decepção total. Travou 6 vezes em casa. Desisti.
Sexta-feira (29/06/2007) baixei-o novamente. Pelo menos parou de travar. É bonito. Mas "estranho".
Continuarei com o Ópera/Firefox (gosto de ambos).

Bonito ele é... mas precisa ser mais "funcional".
Carlos - 02 Jul 2007, 15h11

A Apple não está em uma batalha

A Apple não está em uma batalha, portanto, não há o que vencer. A Apple não lançou o Safari para concorrer no mercado de Web Browsers. A Apple lançou ele apenas para servir de ambiente de desenvolvimento para Aplicações para o iPhone. Ela não está preocupada em ganhar alguma fatia do mercado de Browsers, ela não concorre neste mercado. Só quem usará o Safari são os desenvolvedores, e só enquanto desenvolvem aplicações ou para testar compatibilidade de seus sites com o iPhone. Fora isso, os browsers atuais continuarão sendo os mais usados.
Daniel - 20 Jun 2007, 09h21

Eu não teria tanta certeza.

Basta lembrar que os 'analistas de mercado' também não acreditaram na Apple e o seu iPOD.
Em se tratando da Jobs Inc., digo, Apple Inc., é melhor esperar para ver.
Só o bom senso e argumentos plausíveis não são suficientes para determinar o sucesso ou fracasso das empreitadas da empresa da Maçã.
Leonardo - 20 Jun 2007, 09h18
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