Negócios
Apple parte para uma batalha que não pode vencer
Em sua história, a empresa raramente competiu diretamente. A sua entrada para o setor de navegadores em Windows está fadada ao fracasso.
Por COMPUTERWORLD
Em vez de engalfinhar-se com outras companhias de hardware e software no mercado, a estratégia da Apple está em criar a sua arena para, então, dominá-la inapelavelmente.
Quando toda a indústria participava do que era então chamado de mercado “compatível IBM”, com hardware clone rodando DOS, OS/2, Windows e, depois, Linux, a Apple não quis brincar. Em lugar disso, a companhia sempre construiu seus próprios computadores que rodavam seus próprios sistemas operacionais.
Os engraçados comerciais “PC vs. Mac” criam a falsa impressão de competição direta, um contra a um, mano a mano entre o PCs e Macs, mas isso não passa de jogo de marketing. Enquanto o Mac é unificado, controlado com rigidez tanto em hardware quanto em software, o PC contém uma mistura imprevisível de componentes de hardware integrados por diversas empresas, reinados (normalmente) pelo sistema operacional da Microsoft.
Caso os PCs fossem feitos pela Microsoft, e a MS não permitisse ninguém mais fazer PCs, então seria possível comparar PCs vs. Macs. Mas não é assim, então não pode comparar.
Enquanto a Dell compete diretamente com a Hewlett Packard e centenas de outros, a Apple não tem nenhum concorrente direto no mercado Mac.
Antes que se tenha conclusão precipitada, isto não é intrinsecamente ruim. Existem vantagens e desvantagens na estratégia da Apple, e o sucesso da empresa gera uma boa alternativa para este mercado.
A situação é parecida com o iPod. O mercado de tocadores portáteis é uma casa que a Apple construiu. A empresa possui a plataforma iTunes e controla em grande parte a distribuição de música digital. Steve Jobs é o homem mais poderoso em Hollywood e ele nem vive por lá. A Apple não compete diretamente com ninguém neste mercado por que, assim como no setor de Macintosh, a Apple criou a plataforma de gerenciamento de arquivos de música digital (iTunes), o mercado de conteúdo (distribuição dos arquivos através do iTunes) e os padrões; a Apple não está deixando mais ninguém brincar nesse área.
Com o iPhone, a Apple está novamente se recusando a competir diretamente no mercado de telefonia celular. Enquanto alguns fornecedores deste setor competem diretamente no setor com Windows Mobile e Symbian, entre outros, companhias como a Research In Motion (RIM), Palm e, em pouco tempo, a Apple estarão brincando nas suas próprias caixas de brinquedos. O controle da sua própria plataforma provou a RIM e a Palm ser a melhor política e também terá sucesso para a Apple.
A Apple está, novamente, criando a sua própria categoria – chamaremos de celulares baseados em Mac OS – e garanto que a Apple vai registrar 100% de participação neste mercado.
Só consigo ver um exemplo de competição da Apple diretamente:
o mercado de software de tocadores de mídia.


