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Negócios

Os donos da bola

O mercado exige uma nova postura dos líderes das corporações, o que estimula a reestruturação dos modelos de gerenciamento dos canais brasileiros.

Por Por Tatiana Americano, da ChannelWorld

20 de junho de 2007 - 18h00
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Começa o jogo de futebol. O técnico da equipe visitante sabe que aqueles próximos 90 minutos podem ser decisivos para sua carreira. Dessa forma, na metade do primeiro tempo, ele levanta do banco de reservas e decide substituir o principal artilheiro do time – que, apesar do treinamento exaustivo, não apresenta os resultados esperados. O próprio técnico veste o uniforme e entra em campo, para surpresa da torcida e dos jogadores. 

Com o novo integrante, recomeça a partida. O técnico, contudo, continua ansioso pelo bom resultado e percebe que,  além do papel de artilheiro, precisa resolver um problema na lateral direita.  A melhor solução, decide, é revezar-se entre as duas funções, sem perder de vista os outros dez jogadores.

Enquanto tenta desempenhar as múltiplas tarefas, ele nota que os zagueiros estão mal posicionados e tão logo percebe a primeira bola voando em direção ao gol, decide posicionar-se junto à pequena área e acaba embolado com seu próprio goleiro.

O fim trágico desse jogo fictício fica a cargo da imaginação dos leitores, pois o objetivo dessa história não é discutir os fundamentos do futebol e, sim, ilustrar o comportamento de muitos profissionais no ambiente corporativo. Especialmente, nas pequenas e médias companhias brasileiras, os principais executivos, assim como o técnico ansioso de futebol, não conseguem delegar funções operacionais para sua equipe. Com isso, em vez de dedicarem o tempo para analisar concorrência, definir estratégias e avaliar o mercado, ficam perdidos em atividades cotidianas. O que, de acordo com os especialistas, pode colocar em jogo os resultados futuros dessas empresas.

Diante desse cenário, não é à toa que os livros voltados a apoiar a formação de líderes encabeçam as listas de publicações mais lidas ao redor do mundo – ‘O Monge e o Executivo’ representa um dos recentes exemplos dessa tendência, ao ultrapassar  2 milhões de exemplares vendidos no Brasil.

Muito da preocupação com o assunto está relacionado ao novo momento de mercado, marcado pela concorrência acirrada entre as corporações e por uma necessidade de inovação constante das empresas. Com isso, os líderes, que no passado eram conhecidos por sua oratória e pela capacidade de convencimento, ganharam novas atribuições, especialmente relacionadas ao planejamento estratégico.

No segmento dos canais de distribuição de TI e Telecom, o problema ganha contornos preocupantes, de acordo com Paulo Resende, professor de Logística e Distribuição da Fundação Dom Cabral (FDC). “Dentro da escala de um a dez, eu diria que esse setor merece nota quatro em termos de desenvolvimento de lideranças”, analisa o especialista. Ainda de acordo com ele, grande parte desse resultado abaixo da média está relacionado à visão dos executivos que comandam revendas, integradores e desenvolvedores de software. “Os profissionais estão muito preocupados em comercializar suas soluções para bater as metas de vendas,” explica Resende, reforçando assim que as atividades operacionais ainda superam as questões estratégicas na agenda dos diretores e dos presidentes de canais.

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