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Negócios

O novo empreendedor de TI

Por Equipe COMPUTERWORLD

21 de junho de 2007 - 13h00
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Alguns dias na semana, o executivo Dorneles Treméa não pode ser encontrado em horário comercial no escritório da X3ng, empresa de personalização de sistemas de gerenciamento de conteúdo, da qual é sócio. Compromissos externos? Visitas a clientes? Nada disso. Provavelmente ele estará... dormindo. O motivo é simples. Nestes dias, Treméa está no fuso-horário da Noruega – cinco horas à frente do Brasil –, já que aquele país abriga seu principal cliente, a Plone Solutions.

“Algumas vezes na semana faço o horário das 3h às 12h para estar compatível com a equipe do cliente. Em outros dias, volto ao fuso do Brasil para os serviços administrativos que precisam ser feitos”, comenta. As poucas horas de sono durante a madrugada pouco incomodam o executivo ou seu sócio, Sidnei da Silva, que também precisou ter sua agenda adaptada – ao horário dos Estados Unidos. Afinal de contas, são as operações internacionais que respondem por cerca de 90% do faturamento da X3ng atualmente.

Atuantes na área de desenvolvimento de código sobre plataforma aberta – Zope e Plone –, os dois jovens executivos, ambos na faixa dos 27 anos, conviveram com a maior demanda internacional por seus serviços desde o início da vida empresarial, seis anos atrás. Na ocasião, os dois ainda estudantes de Ciências da Computação no Rio Grande do Sul e mais um grupo de quatro amigos criaram a empresa em função das demandas de uma empresa nacional – a própria instituição que cursavam, a Universidade de Caxias do Sul. No entanto, foram ganhando visibilidade e fazendo contatos internacionais a partir do ano seguinte.

Durante o Fórum Internacional de Software Livre (FISL) de 2002 os seis jovens sócios fizeram contato com alguns dos palestrantes internacionais mais importantes na época, da Zope Corporation, e chamaram atenção por seu potencial. O resultado foi que semanas depois a companhia já tinha seu primeiro contrato internacional. Dos 10 reais por hora no projeto para a Universidade de Caxias do Sul, os meninos gaúchos – na ocasião com uma média de 22 anos de idade -, passaram para 50 dólares a hora.

Com o projeto para a Zope Corporation, a empresa ganhou visibilidade e, segundo Treméa, chegou a um ponto em que era procurada por clientes potenciais, sem fazer esforços massivos de divulgação no exterior. O escritório cresceu e mantinha um ritmo frenético de trabalho, engatando um projeto após o outro, sobretudo aqueles destinados aos Estados Unidos.

Mas o que por um lado parecia a mina de ouro, com clientes em abundância e ganhos em dólar, trazia instabilidades e uma dependência difícil de ser superada. As dificuldades foram sentidas na pele pelos sócios da X3ng em meados de 2003 com o início da guerra do Iraque. “Aquela situação acabou praticamente fechando o mercado internacional para nós. Ficamos cerca de seis meses sem faturar o suficiente para manter o padrão ao qual estávamos acostumados e acabamos por desmanchar a equipe”, conta. Ao término daquele ano, restaram apenas três sócios que chegavam a conduzir projetos paralelos à empresa como fonte alternativa de renda.

Em 2004, os outros sócios deixaram a empresa. Com os contatos obtidos ao longo da fase áurea dos contratos internacionais e também por manter seu nome ativo nas comunidades de desenvolvedores, Tremeá conseguiu abocanhar para a X3ng um contrato na Noruega. Assim, retomou as atividades com um antigo sócio, Sidnei da Silva, que manteve seus projetos de exportação de software, sobretudo para os Estados Unidos.

No ano passado, a X3ng faturou cerca de 238 mil reais, trabalhando apenas com a capacidade intelectual e os serviços de desenvolvimento de seus dois sócios.

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