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Empreendedor tetraplégico cria sistema de detecção de movimentos humanos

Dificuldade mostra oportunidade a profissional que, depois de acidente volta ao mestrado, cria empresa e desenvolve sistema com controle eletroestimulador.

Por Luiza Dalmazo, do COMPUTERWORLD

22 de junho de 2007 - 17h20
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Para encerrar a série de executivos empreendedores desta semana, selecionamos o caso de Leonardo Rodrigues da Silva, criador da BioSmart, que além de uma boa visão de inovação e demanda de mercado, tem uma incrível história de vida.

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A experiência inovadora começou com um acidente. Silva, na época com 24 anos, mergulhou, bateu a cabeça no chão da mar e ficou tetraplégico – da mesma forma como aconteceu com o autor Marcelo Rubens Paiva. O mestrado em inteligência artificial precisou ser interrompido para que ele pudesse fazer longas sessões de fisioterapia, que também o impediam de realizar um trabalho de oito horas por dia.

Dois anos depois, diante da impossibilidade de voltar ao mercado de trabalho e cansado da monotonia, ele voltou para o mestrado. O foco, entretanto, mudou, porque diante dos aparelhos de fisioterapia, Silva teve a visão de uma oportunidade de mercado.

O curso rumou para engenharia biomédica, que aliada ao conhecimento prévio em inteligência artificial, resultou no desenvolvimento de um sistema de detecção do movimento humano. A tecnologia consiste no controle do movimento de uma articulação saudável para posterior leitura e estímulo eletromagnético que possa ser reproduzido em quem tem alguma deficiência.

A ferramenta foi apresentada durante a defesa de mestrado de Silva e acabou na gaveta durante dois anos, até que ele a apresentou em um congresso realizado em Viena (Áustria), “que são os melhores em eletroestimulação”, segundo o próprio executivo. Diante da reação dos participantes, que adoraram a idéia, Silva voltou animado para colocar em produção sua iniciativa.

Assim, no final de 2004, a BioSmart foi pré-incubada e, ao longo da relação com a Incubadora Tecnológica de Curitiba, que funciona no Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar), trabalhou no desenvolvimento do equipamento e também na idéia de seis novos produtos, que estão na fila de desenvolvimento.

Nesse período, buscou parceiros para produção e comercialização e apresentou para a sociedade comercial. “A maior surpresa é que as companhias não aceitam bem tecnologias altamente inovadoras, apenas consideram as de pequena inovação, para que possam se acostumar com a idéia”, ressalta.

Apesar disso, o executivo que hoje tem 34 anos lançou nesta quinta-feira (21/06) à noite o Biofedd – como foi batizado o sistema de monitoração dos movimentos humanos – e diz que foi bastante bem recebido pela platéia e que vários interessados apareceram. “Veio até o Gustavo Borges e várias pessoas do clube de futebol Atlético Mineiro”, conta.

No futuro, Silva planeja explorar o mercado nacional para receber a tecnologia, mas também trabalha em estrutura para exportação. O plano de retorno, segundo ele, não foi feito e ele não sabe quanto a empresa deverá faturar neste ano. Mas diante de uma história tão grande de superação, alguém duvida dos resultados?

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