Publicidade

Negócios

Kodak entra na reta final de plano de reorganização

Companhia, que precisou adaptar todo o seu modelo de negócios dos filmes à era digital, entra nos seis meses finais do prazo para remodelar suas operações.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

03 de julho de 2007 - 08h05
página 1 de 1

Detentora de uma posição confortável no mercado de câmeras, filmes e papéis fotográficos durante décadas em todo o mundo, a Eastman Kodak viu, gradualmente, as aparentes bases sólidas de seus negócios serem abaladas pelas tecnologias digitais. Ao contrário do que previam muitos, os novos padrões caíram rapidamente nos hábitos de consumo dos usuários e fizeram com que a companhia, assim como outros fabricantes do setor, fosse forçada a se adaptar à nova realidade. E buscar uma espécie de reinvenção.

Leia também:
Kodak anuncia aumento no número de demissões
Kodak brasileira anuncia Fernando Bautista como novo presidente

Entre as estratégias da Kodak, além de lançar câmeras digitais, inovar em serviços e tentar se firmar também como companhia de impressão para compensar a queda acentuada das receitas com filmes – de 7,05 bilhões de dólares para 4,1 bilhões entre os anos de 2004 e 2006 – esteve o início de sua reforma estrutural quatro anos atrás. O objetivo? A elaboração de um modelo rentável capaz de sustentar a companhia ao longo dos anos vindouros.

O dia 31 de dezembro de 2007 marca o prazo final para esta fase de reestruturação para todas as subsidiárias do mundo. Ou seja, em praticamente seis meses as unidades regionais já precisarão estar ajustadas às estratégias da matriz para prosseguir em uma nova fase, que tentará colocar a Kodak também entre as grandes do mercado doméstico e SMB de impressão. Seguindo o modelo global, não são poucas as mudanças pelas quais têm passado a subsidiária brasileira. “O caminho tem sido longo e difícil, já que o momento implica modificações acentuadas no modelo de negócios para se adequar à era da fotografia com captura digital”, comenta Fernando Bautista, presidente da Kodak Brasil.

Entre as transformações citadas pelo executivo nas operações locais ocorridas ao longo dos últimos anos, esteve a transferência de toda a produção de filmes, papéis de impressão radiográficos e químicos – antes concentrada em São José dos Campos (SP) e Manaus (AM) – exclusivamente para a capital amazonense, que também mantém desde 2006 a montagem das câmeras digitais, feita de forma terceirizada.

“Em São José dos Campos a estrutura de dez prédios foi concentrada em dois, sendo que predominam por lá as operações de logística, infra-estrutura, jurídico, TI, finanças e suporte administrativo. Não existe mais produção por lá, e os prédios que restaram foram alugados para outras companhias. Em São Paulo, ficam localizadas as operações comerciais, de vendas e marketing”, afirma, comentando ainda que o tratamento de choque para enxugar a companhia resultou no corte de 40% dos funcionários no País até o momento. Citando motivos estratégicos, entretanto, Bautista não revela os números absolutos de profissionais empregados localmente.

Realidade digital
Como era de se esperar, a mudança de hábitos do consumidor do mercado fotográfico ocorrida nos últimos tempos teve impacto direto no faturamento das empresas do ramo. Na Kodak Brasil, por exemplo, o segmento de filmes, que era a principal fonte de receitas há cerca de cinco anos, hoje figura no terceiro lugar, atrás da área líder de mídias de impressão e da segunda colocada divisão de câmeras digitais.

“No que diz respeito a mídias térmicas para impressão, triplicamos nossos resultados nos últimos tempos, sendo que os quiosques para impressão de fotos em prestadores de serviços são a bola da vez. Não é necessariamente na venda desses quiosques que a Kodak fatura, mas especialmente no fornecimento de suprimentos, como as próprias mídias”, destaca Bautista.

Os quiosques citados pelo executivo – que permitem a impressão instantânea de fotos a partir de mídias como CDs, cartões de memória ou pen drives – têm atraído desde papelarias de pequeno porte a lojas especializadas em fotografia especialmente em virtude do baixo investimento demandado. Hoje com 70 fotos impressas por dia, por exemplo, o comerciante já consegue pagar a parcela mensal de alguns dos modelos, comenta Bautista.  

No mundo, além de sustentar os negócios com os três pilares – mídias de impressão, câmeras e filmes -, a Kodak também têm entre suas operações lucrativas o licenciamento de tecnologias. A companhia detém hoje mais de 30 mil patentes, que podem ser licenciadas aos demais fabricantes, assim como o desenvolvimento de sensores OLED.

Briga pelo mercado de câmeras
Segundo pesquisa da consultoria IDC, em 2006 foram comercializadas na América Latina 6,7 milhões de câmeras digitais, 55,8% a mais do que no ano anterior. No mercado brasileiro, onde foram vendidos 2,5 milhões de equipamentos digitais em 2006, praticamente a metade das câmeras comercializadas nos últimos seis meses apresentava 6 Megapixels (MP). A líder de mercado no território brasileiro e na América Latina no período, segundo a IDC, foi a Sony, seguida pela Kodak e pela Olympus.

Em relação ao fator de escolha de determinada marca – para equipamentos com funcionalidades semelhantes –, a IDC revela que preço ainda é o principal item no momento da decisão. E, segundo a Kodak, a montagem local já dá subsídios para a companhia também brigar por preços em um mercado que se mostra cada dia mais comoditizado.

“A produção local já trouxe queda de preços de forma significativa. Por exemplo, o modelo C360 em junho de 2006, antes da fabricação no Brasil, custava 1.399 reais. Hoje, a mesma câmera sai por 899 reais, e também costumamos fazer pacotes promocionais, com cartão de memória e serviços”, explica Bautista.

 Até o fim de 2007, 80% da linha de câmeras digitais da Kodak à venda no Brasil será montada localmente. Os 20% restantes são importados e referem-se aos produtos mais sofisticados que não apresentam demanda suficiente para produção local. O Brasil é o único país além da China a manter montagem de câmeras digitais da Kodak.

Nome forte em impressão
Além apostar na diversificação para competir no mercado fotográfico, a Kodak anunciou nos Estados Unidos, em fevereiro, sua entrada agressiva no mercado de impressão doméstica e para pequenos negócios. Disposta a desafiar o modelo de negócios do segmento, tradicionalmente dominado pela HP, a aposta da companhia está na redução dos preços dos cartuchos em até 50%.

“A idéia é lançar essa linha – de produtos para impressão – na metade de 2008, de forma que as fábricas possam abastecer o mercado com o produto. De nada adiantaria, por exemplo, lançar agora e não ter como entregar. Temos que esperar existir capacidade produtiva”, comenta. Questionado sobre as possibilidades locais de montagem, Bautista afirmou que não existem políticas comerciais ou de produção definidas até o momento.

Impressão também deve ser o foco mundial de investimentos da companhia a partir do próximo ano, terminada a reestruturação em 31 de dezembro. O cenário, de acordo com o executivo, é promissor e a Kodak não deverá poupar esforços para se fortalecer como grande nome nessa área. “Esse mercado hoje movimenta cerca de 50 bilhões de dólares. Com essa nossa nova estratégia, se atingirmos 5% desse mercado total, já teremos receitas de 2,5 bilhões de dólares, o que é muito interessante. A Kodak deixou de ser aquele mostro enorme da fotografia e dos filmes para ser um participante importante, ao mesmo tempo em que tenta atingir um novo posicionamento para se adaptar às necessidades do mercado, como nesse mercado de impressão”, conclui.

Opinião do Leitor
Não há comentários para essa notícia
Publicidade
Publicidade
As mais lidas
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar

A elite do RH de TI e Telecom no Brasil

Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.

Veja o Especial

Confira o ranking:

  1. Chemtech
  2. Kaizen
  3. Microsoft
  4. Cisco do Brasil
  5. Google Brasil
Veja o ranking completo com as 60 empresas
coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld