Publicidade

Negócios

Nathan Myhrvold, o devorador de patentes, não quer ser temido pela indústria

Ex-CTO da Microsoft e dono de aproximadamente 3 mil patentes, rvold conta como transformar invenções em lucro e patrimônio.

Por Peter Moon, especial para o IDG Now!

04 de julho de 2007 - 11h46
página 1 de 3

Nathan rvold é um gênio. Nascido em Seattle em 1959, entrou na faculdade com 14 anos para aos 20 anos, em 1979, graduar-se em matemática, ao mesmo tempo em que defendia um mestrado em geofísica e física espacial na UCLA.

rvold ainda teve tempo para fazer outro mestrado em matemática econômica em 1981, antes de defender seu doutorado em física teórica na Universidade de Princeton em 1983. Tinha só 23 anos. De lá seguiu para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para fazer pós-doutorado em cosmologia e teoria quântica com ninguém menos do que o físico Stephen Hawking, dono da mesma cátedra ocupada há 300 anos por Sir Isaac Newton.

Homem de múltiplos interesses, em 1984, Myrhvold abriu uma empresa de software, a Dynamical Systems, para produzir um editor de equações matemáticas. Foi nesse momento que os olhos de Bill Gates recaíram sobre os seus ombros.

O homem mais rico do mundo comprou a Dynamical Systems em 1986 e Myrhvold tornou-se o Chief Technology Officer da Microsoft, cargo que ocupou até 2000, quando pediu as contas com um montante estimado em US$ 1 bilhão no bolso. Fez isso para abrir a Intellectual Ventures, empresa com a qual pretende, pura e simplesmente, reinventar o modelo de negócios da indústria de TI.

Nesta entrevista exclusiva por e-mail, Myrhvold, 48 anos, detalha a sua estratégia de negócios e aproveita para se defender daqueles que o atacam de ser “o homem mais temido no Vale do Silício” e “um enorme trol de patentes”.

IDG Now!: A Intellectual Ventures é uma empresa voltada para a compra de patentes com potencial lucrativo (alguns dizem que você já comprou mais de 3.000), assim como para o fornecimento de um ambiente propício para que cientistas criativos possam produzir novas invenções e compartilhar os direitos das patentes com a companhia. Poderia explicar esse modelo de negócios?

Nathan rvold: Eu saí da Microsoft e comecei a Intellectual Ventures (IV) porque adorava a idéia de mudar o modelo de negócios para o desenvolvimento tecnológico. Na IV, a invenção é o nosso patrimônio. Em nosso lado de inventores, fornecemos capital e expertise assim como um venture capitalist o faria. A diferença é que fazemos isto com a finalidade de estimular as idéias. Essencialmente, estamos fornecendo capital e expertise a alguns dos maiores inventores do mundo para ajudar a estimular novas idéias.

Atualmente existem cerca de 45 inventores sêniores conosco que trabalham numa base temporária, num brainstorm de idéias que atravessa um espectro amplo de tecnologias. Desde agosto de 2003, quando começamos de fato a inventar, já tivemos 90 sessões de criação, resultando no pedido de quase 1.000 registros de patentes, das quais cerca de 20 já foram concedidas.

O outro lado do nosso negócio é mais parecido com o modelo de investimento privado. Assim como os gerentes de investimento que saneiam empresas que estão à deriva, nós trabalhamos com inventores ou invenções que estão à deriva. O nosso approach é adquirir uma participação controladora e gerenciar o negócio – neste caso a invenção – melhor do que o proprietário original e para o benefício financeiro de todos que estiverem envolvidos. Neste caso, estamos comprando as invenções e não criando nós mesmos.

Em última instância, nossas invenções irão atingir o mercado de múltiplas formas. Em alguns casos, poderemos criar companhias cuja invenção seja o núcleo do negócio. Noutros, poderemos licenciar a idéia para a indústria ou partes interessadas. Poderemos ainda doar a invenção para um consócio ou um projeto. Adotando a estratégia de formar um portfólio e combinar invenções complementares, acreditamos que criaremos produtos interessantes para licenciamento.

IDG Now!: Em 2006, um alto executivo da HP se referiu a sua empresa na revista Fortune como “um enorme trol de patentes”, uma alusão aos gigantes de O Senhor dos Anéis. Há mesmo quem chame você de “o homem mais temido do Vale do Silício”. Parece haver um temor generalizado de que a IV venha a controlar patentes-chave da indústria, usando-as para iniciar processos milionários. Você é mesmo este grande Lobo Mau?

NM: Existem dois elementos em questão. Primeiro, a noção de ser um trol ou qualquer coisa que o valha. Sempre acho engraçado quando as pessoas citam a HP por criticar a minha empresa. A HP é uma companhia muito inovadora e eles processam outras empresas para forçá-las a pagar pelo uso de suas patentes. Eles ganham 200 milhões de dólares por ano como receita de licenças.

Não vejo nada de errado nisso, a HP proteger os seus assets. Entretanto, esta é uma atitude tomada por diversas empresas de tecnologia que parecem ter dois pesos e duas medidas. Eles acham normal proteger suas patentes e entrar com dúzias de processos para forçar as pessoas a pagar, mas não acham certo que outras companhias ou indivíduos os processem para proteger os seus próprios interesses. Tais indivíduos são chamados de trols.

Se alguém que entra com um processo pelo direito de patente é um trol, minha empresa definitivamente não se encaixa nesta descrição. A IV nunca entrou com um processo e espero que nunca o faça.

Chegamos aqui na questão de por que a minha empresa é temida. Não consigo imaginar porque alguém possa ter medo de mim ou da minha companhia, entretanto penso ser verdade que, culturalmente, muitas empresas no Vale do Silício não prestam atenção às patentes.

A razão principal para alguém temer um outro alguém que detém uma patente é porque ele sabe que está realizando uma fraude. A atitude reinante, há muitos anos, na indústria de TI levou a uma quantidade enorme de infrações. Isto é apenas uma função do desenvolvimento da indústria.

É interessante notar, contudo, que se olharmos a taxa de pedido de patentes pelas empresas de software e de internet, iremos perceber que muitas delas estão entrando com um número enorme de patentes. Uma vez que tenham milhares de registros, irão adorar o sistema de patentes e sairão à caça de pagamento.

Opinião do Leitor
Não há comentários para essa notícia
Publicidade
Publicidade
As mais lidas
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar

A elite do RH de TI e Telecom no Brasil

Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.

Veja o Especial

Confira o ranking:

  1. Chemtech
  2. Kaizen
  3. Microsoft
  4. Cisco do Brasil
  5. Google Brasil
Veja o ranking completo com as 60 empresas
coluna tv
Newsletters
Assine a Computerworld