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Nathan Myhrvold, o devorador de patentes, não quer ser temido pela indústria
Por Peter Moon, especial para o IDG Now!
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IDG Now!: Há exatos 40 anos, em 1967, os futurólogos Herman Kahn e
Anthony Wiener publicaram o livro “O Ano 2000 - Uma estrutura para especulação
sobre os próximos 33 anos”, trazendo uma lista de “100 inovações tecnológicas
muito prováveis no último terço do século XX”. Cerca de 20 tornaram-se
realidade até a virada do milênio, como a gravação e reprodução caseira de
vídeos e o uso disseminado de computadores no ambiente de trabalho. Você leu
este livro?
NM: Eu nunca li “O Ano 2000”, mas me recordo de
assistir, em 1967, a
um documentário de Walter Cronkite (o âncora do telejornal da cadeia CBS entre
1962 e 1981), que mostrava a vida no futuro com computadores pessoais. Uma
seqüência mostrava uma dona-de-casa usando na cozinha um mainframe com um
teletipo desengonçado para organizar e acessar suas receitas.
Era tudo tão ridículo que qualquer um que assistisse aquilo
ficaria convencido que jamais teríamos PCs nas nossas cozinhas. Outra coisa
engraçada era um enorme painel de controle aonde o marido podia acessar as
notícias diárias. Ao girar grandes botões ele consultava a previsão do tempo e
a imprimia – essencialmente o mesmo cenário atual, apenas que hoje isso é feito
via PC.
IDG Now!: Como imaginava o futuro na década de 60? Sonhava em ser astronauta igual a todos os garotos da vizinhança?
NM: Sempre imaginei um mundo onde a tecnologia tinha um papel muito mais importante do que nos anos 60. Imaginava um futuro onde computadores, robôs e máquinas inteligentes colaborariam para tirar das pessoas o peso de tarefas administrativas enfadonhas. Quanto a ser um astronauta, eu não estava interessado, mas definitivamente eu queria ser um cientista. Tinha interesse pelo espaço exterior, mas sempre pensei nos astronautas como pilotos. Eu queria ser um passageiro.
IDG Now!: Você se doutorou em matemática e física teórica com 23 anos e seguiu para o pós-doutorado com Stephen Hawking. Quando e por que decidiu abandonar a vida acadêmica para virar executivo?
NM: Eu gostava de quase todas as áreas da ciência até receber o meu PhD. Não estudei computação formalmente, e acreditava que permaneceria na universidade. Em 1984, entretanto, iniciei um projeto de software com uns amigos onde desenvolvemos um produto com potencial comercial. Foi através daquela experiência que acidentalmente me percebi conversando com investidores de risco e me envolvendo no lado empreendedor dos negócios. A partir daquele momento, eu tinha sido fisgado.
IDG Now!: Como foi a sua experiência na Dynamical Systems e por que decidiu vendê-la para a Microsoft em 1986?
NM: Na Dynamical Systems nós criamos um programa – um sistema
operacional – que permitia aos cientistas manipular equações num PC da mesma
forma que os editores de texto manipulam palavras. Naqueles dias, conseguir
investimento de capital de risco era difícil, daí os meus sócios e eu
decidirmos que o melhor caminho seria tentar influenciar a revolução do PC
partindo de dentro dela, ao invés de por nossa própria conta. Tínhamos razão.
IDG Now!: Em 3 de fevereiro de 1976, Bill Gates escreveu sua famosa “Carta aberta aos hobistas”, onde alertava que o software, até então gratuito, deveria ser pago assim como o hardware. No final dos anos 70, já estava claro para você que a verdadeira mina de ouro estava no software, não no hardware?
NM: Sim. Frequentemente conto histórias de como nos esquecemos de que, não faz muito tempo, o software não era considerado um negócio viável. No início dos anos 80, o foco da indústria estava no hardware e especulava-se muito sobre o software como negócio descolado do hardware. Eu ingressei na Microsoft em 1986 e gastei vários anos trabalhando para convencer os líderes da indústria de que o software poderia ser viável sem o hardware. Hoje, todo o mundo dá isso como certo.
IDG Now!: Como Chief Technology Officer de Bill Gates e criador da Microsoft Research, em 1990, você tinha um emprego dos sonhos - ganhava milhões para trabalhar ao lado de pessoas extremamente inteligentes com ciência pura e aplicada. Por que decidiu sair?
NM: Sempre tive múltiplos interesses, mas durante 13 anos peguei
um deles e o expandi até ocupar 90% do meu dia. Eu tive sucesso naquele
trabalho, mas de que adianta o sucesso se ele não compra a liberdade? Eu
desejava me envolver em áreas diferentes da ciência além da computação e
explorar outros tópicos. Assim, em 2000, oficialmente me aposentei da Microsoft
e criei minha própria companhia, a Intellectual Ventures, para trabalhar e
investir em múltiplas áreas da ciência.
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