Negócios
Nathan Myhrvold, o devorador de patentes, não quer ser temido pela indústria
Por Peter Moon, especial para o IDG Now!
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IDG Now!: Você está apostando na quarta era da informação. A primeira
era foi a dos inventores solitários, a segunda foi dominada por grandes
laboratórios corporativos e a terceira onda floresceu ao redor de Palo Alto.
Nas suas próprias palavras, “o modelo do Vale do Silício foi fantástico, mas
foi levado até o seu limite. Tínhamos um monte de gente talentosa com um monte
de dinheiro perseguindo idéias idiotas”. Por quê?
NM: O modelo de venture capital foi bem-sucedido porque supriu capital e expertise para empreendedores que antes não tinham acesso a nenhum dos dois. Ao fornecer capital e experiência, a indústria do venture capital liberou uma tremenda onda de empreendedorismo, que eventualmente levou à criação de 12 mil empresas. Embora seja verdade que muitas fracassaram, as que sobreviveram mudaram o mundo.
Os inventores de hoje não têm o mesmo acesso àquele capital e expertise. O capital de risco é baseado na criação de uma companhia, não na criação de uma nova invenção. Embora a invenção esteja envolvida em uma start up, sua missão é criar uma organização e ganhar dinheiro como negócio. A parte mais importante da invenção – a idéia inicial – precisa acontecer primeiro.
Eu acredito que exista potencial para estimular dezenas de milhares ou milhões de novas invenções, bastando apenas que os inventores do mundo tenham acesso à expertise e ao capital. Se pudermos criar um “Invention Capital marketplace”, poderemos estimular um boom de novas invenções no século 21.
Uma lei não-escrita da indústria de TI diz que a empresa que dominou uma geração da computação, como por exemplo, a IBM e seus mainframes, jamais conseguiu transferir o seu controle para a geração seguinte. Qual conselho você daria a Bill Gates? E qual empresa encontra-se em melhor posição para controlar a próxima geração, o Google?
Em primeiro lugar, eu discordo desta premissa porque ela é circular. Se você olhar os fatos e definir as eras como uma função de quem as controla, a sua conclusão é inevitável. É claro que uma companhia sempre esteve no controle. Dos anos 60 até os 90, a IBM foi a empresa mais importante na computação e detinha a maior participação de mercado em termos de mainframes. Mas a IBM não conseguiu impedir a DEC (a Digital Equipment Corporation, que introduziu os minicomputadores, em 1963) de obter sucesso, assim como mais tarde não conseguiu impedir que a Intel, a Microsoft e muitas outras assumissem papéis muito importantes no mercado.
Hoje, a IBM é uma empresa altamente bem-sucedida e muito rentável. Os tempos mudaram e as pessoas não vêem mais a IBM como sendo dominante, mas o fato é que o controle que eles acreditavam possuir desapareceu e por isso são atualmente um pouco subestimados.
Você pode perceber a mesma coisa com a Microsoft. Ela é incrivelmente poderosa sob qualquer aspecto, mas na medida em que amadureceu, não podia continuar dobrando de tamanho nas taxas de crescimento da sua juventude. Isso não ocorre por causa da Microsoft, mas porque esta é a natureza do mercado.
Hoje, a empresa que está crescendo a passos largos e conquistando montes de manchetes é o Google. Ela tem muito sucesso, entretanto é totalmente mal-interpretado pensar que ela é dominante ou está no controle. Certamente, ela é o meio mais proeminente de busca na web, mas não é o único. Um melhor modo seria dizer: houve uma era quando a IBM era a empresa mais atraente na computação. Esta atração era tanto positiva quanto negativa. O lado negativo começou com o medo e a inveja. Atualmente, o Google é temido e invejado.
Já a Apple foi uma das companhias mais inovadoras nos primeiros anos (da era do PC). Hoje ela é uma empresa inovadora nas áreas de tocadores de música digital e de celulares. Seria um erro dizer que a Apple dominou a indústria do PC assim como eu não acredito que eles dominam os eletrônicos de consumo. A Apple jamais atraiu tanto medo e inveja pelo fato de ser bem-sucedida como aconteceu com a IBM e a Microsoft, ou com o Google atualmente.
IDG Now!: Nanotecnologia, novos materiais, energia renovável, tecnologias para limpar e preservar o meio ambiente... quais são as suas apostas para este século 21? É possível obter lucro ao mesmo tempo em que se salva o planeta?
NM: Eu diria que o único modo de salvar o mundo é sendo rentável. Idéias muito boas surgem na universidade, mas para mudar o mundo, de fato, é necessário que uma ação prática seja tomada. O melhor meio e em muitos casos o único para financiar ações práticas é oferecer às pessoas o incentivo do lucro. E com isso não quero dizer incentivar o lucro apenas para aqueles que empreendem.
O mundo está diante de uma possível crise de fontes de energia, tanto porque fontes como o petróleo se tornarão muito mais dispendiosas, quanto pelos problemas como a mudança climática causada pelas emissões de CO2.
Qualquer nova idéia de energia precisa de uma indústria por trás dela. É o lucro que motiva o dono de um posto de gasolina, assim como os executivos das refinarias e empresas de petróleo a furar um novo poço ou um geólogo a encontrar um novo campo de petróleo. Se tivermos melhores células solares ou outra energia renovável, surgirá igualmente uma cadeia de negócio para fazer as coisas acontecerem. Se não houver dinheiro para ganhar, eles não irão fazê-lo.
IDG Now!: A China se tornou a fábrica do mundo, a Índia lidera na terceirização de serviços e a Rússia possui imensas reservas de petróleo e recursos minerais. Você acredita que o Brasil pode se tornar tanto o celeiro do planeta quanto o seu principal fornecedor de combustíveis renováveis? Falando nisso, você investe em patentes de novas energias?
NM: O Brasil tem grandes possibilidades no futuro, incluindo ser o celeiro do planeta e possivelmente o barril de etanol do mundo. Apesar disso, acredito que a questão mais importante para o século 21 é fornecer recursos para a população. Um povo educado e inteligente é o que está por trás de qualquer economia sofisticada. Assim, em última instância, meu palpite é de que o povo brasileiro será uma fonte mais lucrativa para o crescimento econômico do que a cana-de-açúcar.
E respondendo a sua pergunta, sim, a minha empresa trabalha com combustível alternativo e energias renováveis. Nós inclusive fizemos algumas pesquisas sobre como melhorar a produção de etanol.
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