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Qual é o futuro da web, segundo Tim Berners-Lee

Por Peter Moon, especial para o IDG Now!

09 de julho de 2007 - 15h00
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O que é a Neutralidade na Net? Qual é a sua posição com relação a isto?
Trata-se do seguinte: quando você e eu pagamos para nos conectar na internet, podemos nos comunicar não importando quem quer que nós sejamos. O que mais chama atenção hoje na rede são os vídeos. Eles estão tomando conta da net. Uma empresa como o YouTube atrai muita atenção porque transmite vídeo pela web, aproveitando-se do fato de que, em muitas regiões do mundo, a largura de banda está se tornando cada vez maior.

Agora suponha que eu esteja em Massachusetts, seja um fã de cinema independente e queira encontrar um filme brasileiro. Eu entro na internet para procurar no Brasil os meus diretores e filmes independentes prediletos. Mas de repente o provedor de acesso em Massachusetts bloqueia a transmissão dizendo: “Não vamos deixar você fazer isso, porque nós vendemos filmes. Sim, nós fornecemos a você acesso à internet, mas impedimos que assista filmes. Queremos controlar quais filmes você compra.”

Eu já vi empresas de tevê a cabo tentarem impedir o uso de ligações telefônicas na internet. Isso me preocupa. Eu não quero que isso aconteça. Acredito ser muito importante manter a internet aberta para quem quer que seja. É isso que chamamos de Neutralidade na Net. É imprescindível preservá-la para o futuro.

Em 2003, o governo brasileiro ao lado de outras nações propôs uma administração internacional para a internet, espelhada nos exemplos da União Européia e das Nações Unidas. Será que algum dia Washington irá permiti-lo?

Acredito que a internet irá se burocratizar aos poucos. Isso é inevitável. É importante permitir que as pessoas de diversos países, dos países emergentes, desenvolvam o seu uso da internet o mais rápido possível. Mas a administração de algo tão grande nunca poderá ser controlada por uma burocracia única. Não sei que forma essa burocracia assumirá, já que existe muita política envolvida. Mas penso que seria importante manter a rede livre da ação dos governos e sem censurar as pessoas que a utilizam.

Certa vez você disse que criou a web para resolver uma frustração que tinha no CERN – o Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear, em Genebra. Como foi isso?
O CERN possui uma maravilhosa diversidade de culturas, porque gente de todo o mundo vai lá para pesquisar física. Em 1989, antes de existir a web, eu escrevi um memorando explicando como ela seria. Eu mencionava o sistema de hipertextos e a World Wide Web como um método para agregar e editar dados. Eu queria que todas as informações na rede do CERN pudessem ser facilmente acessáveis. Queria desenvolver ferramentas para permitir às pessoas produzir e usar informações de forma colaborativa. A primeira ferramenta foi um editor de web que permitia aos pesquisadores do CERN usar um documento, editá-lo e alterá-lo para então enviá-lo, inserindo links entre as páginas da web e documentos científicos. Minha frustração era que eu queria trabalhar com pessoas de países diferentes, usando máquinas diferentes, operando bancos de dados diferentes e distribuindo dados em formatos diferentes. A web forneceu um padrão para tudo isso.

Muitos pesquisadores ganharam milhões com a web, mas você preferiu continuar desenvolvendo padrões. Não acha que perdeu a chance de uma vida por não criar uma web proprietária?

Não, não acho, porque se ela fosse proprietária as pessoas não teriam usado nem contribuído para o seu crescimento. Ela não teria decolado e nós não estaríamos conversando agora.

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