Negócios
Governo vai investir mais de R$ 35 bilhões na área de tecnologia
PAC da Ciência e Tecnologia combina recursos de quatro ministérios, de parcerias com governos estaduais e com o setor privado.
Por Tatiana Americano
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Ao somar recursos de quatro ministérios, de parcerias com governos estaduais e com o setor privado, o governo federal pretende investir entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões no Plano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Nacional, de acordo com o secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias.
Elias apresentou o plano, que tem sido chamado de PAC da
C&T, na segunda-feira (09/07) durante a 59ª Reunião Anual da
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém.
“É
um programa que se pretende horizontal, mas é importante destacar que
se trata de premissas que não estão consolidadas. São proposições que
recebemos da sociedade e estamos integrando em um grande projeto”,
disse Elias à Agência Fapesp.
O plano prioriza quatro linhas
estratégicas: consolidação e expansão do sistema nacional de ciência,
tecnologia e inovação; incorporação da inovação no processo produtivo
das empresas; pesquisa e desenvolvimento em áreas estratégicas para o
país; e ciência e tecnologia para o desenvolvimento social.
“O
importante é que teremos recursos para a inovação no Brasil para os
próximos quatro anos. A dimensão disso está sendo trabalhada para que
tenhamos um programa concreto”, afirmou Elias.
Segundo ele, com
nova lei de regulamentação do Fundo Nacional de Desenvolvimento em
Ciência e Tecnologia (FNDCT), os fundos setoriais deverão assegurar
recursos para todas as áreas da ciência, garantindo boa parte dos
investimentos.
“Somando todos os anos até 2010, o FNDCT terá R$ 7,5
bilhões dos fundos setoriais. Chegaremos ao fim de 2010, sem
contingenciamento, com R$ 2,4 bilhões. Mas o FNDCT é apenas uma
das fontes de recursos, trabalharemos em conjunto com outros
ministérios e haverá orçamento envolvendo o Fundo Nacional de
Desenvolvimento (FND) e recursos do FAT (recursos reembolsáveis,
administrados pelo Ministério do Trabalho)”, disse.
Elias
mencionou uma das áreas estratégicas eleitas pelo plano – a ciência e
tecnologia na Amazônia – para exemplificar a cooperação entre os
ministérios. “Para tratar dessa questão, o MCT integrará ações com os
ministérios da Saúde, da Educação e da Agricultura. A idéia é que o
plano seja o elemento adicional, conjunto, do que se chamou de ativos
tangíveis – ou seja, do PAC, que é o plano da infra-estrutura.”
Se
o Plano de Aceleração do Crescimento tem como objetivo estimular o
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) por meio de mais
investimentos na economia, o MCT, segundo Elias, reforçará o setor de
ciência e tecnologia com uma contribuição na área de pesquisa. “O plano
complementará o processo já lançado de infra-estrutura”, disse.
Os
investimentos de até R$ 40 bilhões, segundo Elias, virão dos
ministérios da Agricultura, da Educação e da Saúde, além do MCT. “A
idéia é que esses recursos sirvam a uma integração de propostas,
elegendo algumas áreas centrais – como a cadeia farmoquímica, o
programa de Aids, o programa espacial, energia nuclear, Amazônia,
biocombustíveis e a questão de mudanças climáticas globais”, destacou.
Dentro
da primeira área prioritária, de expansão do sistema nacional de
ciência e tecnologia, o plano prevê que serão necessários recursos de R$ 1
bilhão para apoio à infra-estrutura das instituições no
setor, além de R$ 444 milhões para fomento ao desenvolvimento
científico, tecnológico e de inovação.
Uma das metas, que é
ampliar o número de bolsas em todas as modalidades das 65 mil atuais
para 95 mil até 2010, demandará recursos de R$ 3,4 bilhões. A
área prioritária com mais programas é a de apoio à inovação tecnológica
nas empresas. Para o Programa Nacional de Apoio às Incubadoras e
Parques Tecnológicos (PNI), por exemplo, haverá demanda de R$ 360 milhões para o período de 2007 a 2010. Serão investidos cerca de R$ 170
milhões em capacitação de recursos humanos para a inovação.
Nesta
área prioritária, o plano prevê ainda R$ 375 milhões para
serviços tecnológicos, R$ 2,3 bilhões para tecnologias da
informação e comunicação e R$ 255 milhões para biocombustíveis e
energias do futuro. Cerca de R$ 5,7 bilhões deverão vir da
Incubadora de Fundos Inovar, uma parceria da Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep) com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena
Empresa (Sebrae), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o
fundo de previdência Petros.
Na área prioritária de pesquisa e
desenvolvimento em áreas estratégicas, o PAC da C&T prevê demanda
de R$ 569 milhões para biodiversidade e recursos naturais, R$ 329
milhões para meteorologia e mudanças climáticas, R$ 380 milhões para defesa nacional e segurança pública. A área de ciência
para o desenvolvimento social demandará R$ 413 milhões para
popularização da ciência e melhoria do ensino de ciências.
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