Negócios
Desaceleração desafia mercado brasileiro de TI e telecom
Levantamento da consultoria IDC aponta gradual desaceleração de 2007 a 2011, seguindo tendência mundial e impondo novos desafios a fornecedores do setor.
Por Por Camila Fusco, do Computerworld
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Apesar do crescimento que os mercados de tecnologia da informação e telecomunicações devem registrar no Brasil em 2007 – 14,7% e pouco mais de 5%, respectivamente – a tendência para os próximos anos é de desaceleração, o que impõe novos desafios para empresas do setor.
Segundo a consultoria IDC, o mercado brasileiro de TI movimentou
16,2 bilhões de dólares no ano passado, sendo 44% relativos a hardware,
40% serviços e 16% em software. Já o de Telecom movimentou 39,2 bilhões
de dólares, sendo 97% em serviços e 3% em hardware.
"O que
devemos ver é uma gradual desaceleração gradual nesses mercados e,
dificilmente, empresas de grande porte conseguirão crescer
organicamente nos próximos anos", enfatiza Mauro Peres, diretor de
pesquisas da consultoria.
De acordo com o executivo, a tendência
não acontece só no Brasil, mas em todo o mundo nestes dois segmentos.
No ano passado, o mercado mundial de telecom cresceu em torno de 5%,
mas a perspectiva é que até 2010 o crescimento esteja um pouco abaixo
dos 3%. O mercado de TI que cresceu no patamar de 6% no ano de 2006, e
deverá cair abaixo disso nos próximos anos.
De acordo com Peres,
entre os fatores para a desaceleração estão a maturidade do mercado,
novas formas de entrega dos sistemas - como o próprio modelo sob
demanda, que modifica a remuneração tradicional -, e até os sistemas
mais simples, que trazem novas arquiteturas.
"Um exemplo disso
é SOA, que propõe arquitetura mais simples. Dessa forma os clientes
conseguem resolver melhor cada questão que surge em seus negócios, sem
precisar, por exemplo, contratar uma empresa de serviços", comenta.
Software livre e a pirataria também são outros fatores considerados
pela IDC como decisivos para essa desaceleração.
O que fazer?
Pelo
lado dos fornecedores, outras ações serão necessárias para driblar essa
fase de desaquecimento. Entre elas estão fusões ou aquisições, mais
investimento em pesquisa e desenvolvimento – para trazer ao mercado
novas tecnologias –, parcerias e mesmo o foco em outros segmentos -
como o de pequenas e médias empresas ou das classes C, D e E da
população.
Segundo a IDC, os gastos de pequenas e médias
empresas irão crescer quase duas vezes mais do que o das grandes
empresas no futuro próximo, o que representa oportunidades de destaque
para os fornecedores. No entanto, essas empresas também trazem
desafios, como a necessidade de preços mais baixos praticados e
simplicidade nas soluções.
Para aumentar a penetração de
tecnologia nas classes C, D e E também existem alguns destaques a serem
superados, como maior oferta de crédito, novos canais e simplificação
no modelo de vendas. Estima-se que hoje 4 bilhões de pessoas possuam
renda per capita anual inferior a 1,5 mil dólares.
Novos mercados
Além
de procurar diversificação entre os clientes, os fornecedores também
deverão buscar outras oportunidades em diferentes segmentos.
Entre
eles estão o mercado de mídia digital, que deve movimentar 60 bilhões
de dólares, e o de negócios, avaliado em 213 bilhões de dólares - que
demanda serviços como BPO, supply chain, logística, finanças, compras.
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