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Discussões sobre eletrônicos do Paraguai ficam para o 2º semestre

Debate sobre exclusão de eletrônicos do RTU para produtos importados do Paraguai fica para depois do recesso da Câmara.

Por Por Camila Fusco, do Computerworld

16 de julho de 2007 - 17h00
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Apesar das pressões de diversos setores – especialmente do segmento de eletroeletrônicos – sobre a adoção do Regime de Tributação Unificada (RTU) para a importação de produtos paraguaios, a discussão sobre o tema na Câmara dos Deputados deve ficar mesmo para o segundo semestre.


Segundo o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), o desenrolar de outros assuntos internacionais comprometeu as discussões sobre o tema. Semeghini afirmou que pretende mobilizar a Frente Parlamentar de Informática para não aprovar a Medida Provisória que regulamenta a decisão, sem que o governo divulgue quais os setores afetados pela medida.

“Achei que essas discussões estavam indo bem. Falamos com o [deputado Antonio] Palocci (PT-SP) e ele ficou de ajudar. Mas percebemos que a discussão avançou apenas no âmbito das relações exteriores, depois da posição sobre a alíquota dos calçados e têxteis. Dessa forma, não chegamos onde gostaríamos”, afirma.

Na semana passada, o governo do Paraguai aceitou elevar para 35% os impostos sobre confecções e calçados – excluídos os tecidos – importados de países fora do Mercado Comum do Sul (Mercosul), após intensos debates.

Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, as autoridades paraguaias compreenderam as dificuldades que esses setores enfrentam em relação ao crescimento das importações asiáticas e decidiu aceitar a taxa.

Em meio a essas discussões, a elaboração de uma lista que retira os eletrônicos do RTU, conforme sugere Semeghini, ficou para o segundo semestre, já que não há mais tempo hábil para a discussão antes do recesso da Câmara, que começa nesta quarta-feira (18/07).

Segundo o deputado, a decisão do governo brasileiro de adotar o RTU para produtos importados do Paraguai poderá incentivar o mercado cinza de computadores. Uma alternativa, então, seria excluir dos equipamentos eletroeletrônicos desse benefício, de forma a proteger os fabricantes nacionais.

Concorrência forte
Reinaldo Sakis, analista sênior de Mercado da IDC Brasil, esteve recentemente no Paraguai e confirma que a medida pode dar uma sobrevida ao mercado cinza de computadores, caso os eletroeletrônicos sejam mantidos no regime.  “A tendência é que o mercado cinza fique estável, em vez de manter a tendência de queda que estávamos vendo”, ressalta.

Segundo o executivo a medida beneficia especialmente os pequenos integradores, que têm conseguido benefícios em componentes e peças. “Muitos pequenos fabricantes que não conseguem competir com as grandes nacionais, têm focado em máquinas mais robustas para jogos e conseguem importar de forma legalizada as partes necessárias para montá-las”, diz.

De acordo com Sakis, a medida não deve impactar nos resultados do segundo trimestre do mercado brasileiro de computadores, mas sim, no terceiro período, quando a tendência de estabilização do mercado cinza poderá ser exibida.

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) também tem mantido conversas com a Secretaria da Receita Federal para tentar retirar produtos de TI, informática, componentes elétricos e eletrônicos, pilhas e baterias.
dessa lista. No início do mês, em reunião com o secretário Jorge Rachid, o presidente da instituição, Humberto Barbato, propôs a realização de um convênio com a própria Receita para a cooperação na detecção de fraudes fiscais nas importações e exportações de produtos do setor.

O executivo também pediu a simplificação da análise dos pleitos de incentivo para os bens amparados pela Lei de Informática, que hoje demora até 15 meses, além da permissão para que o setor de TI possa receber os benefícios da Lei de Inovação, o que recentemente foi vetado pelo presidente Lula. Segundo a Abinee, Rachid ficou de estudar uma saída conjunta para o assunto.

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