Negócios
Discussões sobre eletrônicos do Paraguai ficam para o 2º semestre
Debate sobre exclusão de eletrônicos do RTU para produtos importados do Paraguai fica para depois do recesso da Câmara.
Por Por Camila Fusco, do Computerworld
Compartilhe:
Apesar das pressões de diversos setores – especialmente do segmento
de eletroeletrônicos – sobre a adoção do Regime de Tributação Unificada
(RTU) para a importação de produtos paraguaios, a discussão sobre o
tema na Câmara dos Deputados deve ficar mesmo para o segundo semestre.
Segundo
o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), o desenrolar de outros assuntos
internacionais comprometeu as discussões sobre o tema. Semeghini
afirmou que pretende mobilizar a Frente Parlamentar de Informática para
não aprovar a Medida Provisória que regulamenta a decisão, sem que o
governo divulgue quais os setores afetados pela medida.
“Achei
que essas discussões estavam indo bem. Falamos com o [deputado Antonio]
Palocci (PT-SP) e ele ficou de ajudar. Mas percebemos que a discussão
avançou apenas no âmbito das relações exteriores, depois da posição
sobre a alíquota dos calçados e têxteis. Dessa forma, não chegamos onde
gostaríamos”, afirma.
Na semana passada, o governo do Paraguai
aceitou elevar para 35% os impostos sobre confecções e calçados –
excluídos os tecidos – importados de países fora do Mercado Comum do
Sul (Mercosul), após intensos debates.
Segundo o
secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, as
autoridades paraguaias compreenderam as dificuldades que esses setores
enfrentam em relação ao crescimento das importações asiáticas e decidiu
aceitar a taxa.
Em meio a essas discussões, a elaboração de uma
lista que retira os eletrônicos do RTU, conforme sugere Semeghini,
ficou para o segundo semestre, já que não há mais tempo hábil para a
discussão antes do recesso da Câmara, que começa nesta quarta-feira
(18/07).
Segundo o deputado, a decisão do governo brasileiro de
adotar o RTU para produtos importados do Paraguai poderá incentivar o
mercado cinza de computadores. Uma alternativa, então, seria excluir
dos equipamentos eletroeletrônicos desse benefício, de forma a proteger
os fabricantes nacionais.
Concorrência forte
Reinaldo
Sakis, analista sênior de Mercado da IDC Brasil, esteve recentemente no
Paraguai e confirma que a medida pode dar uma sobrevida ao mercado
cinza de computadores, caso os eletroeletrônicos sejam mantidos no
regime. “A tendência é que o mercado cinza fique estável, em vez de
manter a tendência de queda que estávamos vendo”, ressalta.
Segundo
o executivo a medida beneficia especialmente os pequenos integradores,
que têm conseguido benefícios em componentes e peças. “Muitos pequenos
fabricantes que não conseguem competir com as grandes nacionais, têm
focado em máquinas mais robustas para jogos e conseguem importar de
forma legalizada as partes necessárias para montá-las”, diz.
De
acordo com Sakis, a medida não deve impactar nos resultados do segundo
trimestre do mercado brasileiro de computadores, mas sim, no terceiro
período, quando a tendência de estabilização do mercado cinza poderá
ser exibida.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e
Eletrônica (Abinee) também tem mantido conversas com a Secretaria da
Receita Federal para tentar retirar produtos de TI, informática,
componentes elétricos e eletrônicos, pilhas e baterias.
dessa lista.
No início do mês, em reunião com o secretário Jorge Rachid, o
presidente da instituição, Humberto Barbato, propôs a realização de um
convênio com a própria Receita para a cooperação na detecção de fraudes
fiscais nas importações e exportações de produtos do setor.
O
executivo também pediu a simplificação da análise dos pleitos de
incentivo para os bens amparados pela Lei de Informática, que hoje
demora até 15 meses, além da permissão para que o setor de TI possa
receber os benefícios da Lei de Inovação, o que recentemente foi vetado
pelo presidente Lula. Segundo a Abinee, Rachid ficou de estudar uma
saída conjunta para o assunto.
Conheça os 100 melhores CIOs do país
60 melhores empresas de TI e Telecom para trabalhar
A elite do RH de TI e Telecom no Brasil
Computerworld e Instituto GPTW apresentam as Melhores Empresas de TI e Telecom para Trabalhar 2009.
Veja o Especial


