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Negócios

Kodak: reta final rumo à reorganização

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

23 de julho de 2007 - 08h25
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CW – Com esse tipo de reorganização existiram demissões, certo?
Bautista – Tivemos nossa força total de trabalho reduzida em 40% no País. Por motivos estratégicos, não divulgamos os números locais. No mundo, são 50 mil funcionários hoje.

CW – O mercado de câmeras digitais tem se mostrado altamente comoditizado, com os preços caindo gradualmente. Como a Kodak tem agido neste cenário? Brigar por preço é uma das alternativas?
Bautista – Temos oferecido preços interessantes ao mercado para as linhas-padrão. No caso dos produtos muito sofisticados, não faz sentido. Até o fim de 2007, 80% da linha de câmeras digitais será montada no País. Esses 20% restantes importados são referentes aos produtos mais sofisticados e que a produção local não se justifica por não haver demanda. A produção local já trouxe queda de preços de forma significativa. Por exemplo, o modelo C360 em junho de 2006, antes da fabricação no Brasil, custava 1.399 reais. Hoje, a mesma câmera sai por 899 reais, e também costumamos fazer pacotes promocionais, com cartão de memória e serviços.

CW
– Recentemente a Kodak anunciou nos Estados Unidos sua nova linha de impressoras para usuários finais, com a proposta de revolucionar o mercado de impressão e bater de frente inclusive com a HP. Como tem sido essa estratégia?
Bautista – O lançamento dos equipamentos para o segmento de impressão doméstica e para pequenos negócios foi baseado em muita pesquisa. A proposta é oferecer cartuchos de tinta com maior qualidade e até 50% mais baratos do que a concorrência. Um acordo recente com a varejista Office Depot já levou os equipamentos às prateleiras e tem sido muito bem aceito nos Estados Unidos.

CW
– Existem planos para produção local?
Bautista – Nem as políticas de comercialização ou de produção estão definidas. Vamos esperar provavelmente a metade de 2008 para ver como será a estratégia de comercial e de fabricação.

CW – Quais os desafios que você vê para a Kodak neste momento?
Bautista – Os desafios principais estão em continuar a adaptação de nossos negócios à mudança de hábitos do consumidor e também de mostrar a ele que impressão de fotos digitais não é “nenhum bicho-papão”, sendo que ele pode fazer suas solicitações de impressão via internet e receber em sua casa. Além disso, outro objetivo está em continuar a transformação no modelo de negócios, passando das operações baseadas em filmes para a era digital.

CW – Rumores sugeriram que a administração brasileira estaria em conflito com o modelo de gestão do resto do mundo. Esta informação está confimada?
Bautista – Não, não existe conflito nenhum. Estamos em linha com a estratégia da matriz e do resto do mundo. Em virtude da própria natureza, estamos um tanto atrasados na curva de adoção tecnológica e estamos aprendendo com os erros de fora para não repeti-los aqui. Estamos articulados com toda a América e tanto não existe conflito que somos o único país além da China em montar câmeras digitais. Defendemos essa idéia e a vendemos para os chefões de lá de fora. Dessa forma, estamos trabalhando para deixar o modelo rentável. Chegar à rentabilidade não é algo fácil e o processo de reestruturação é algo caro. A Kodak trata bem quem está saindo e milhões de dólares são gastos com planos desse tipo. Por outro lado, são custos que uma vez passados, não voltam mais, e permite que a companhia continue operando bem pelo resto dos anos.

CW – Passado esse período de reestruturação, quais devem ser as principais áreas de investimento da Kodak?
Bautista – Impressão sem dúvida será uma área de atenção, em todas as suas formas: nas áreas gráficas, corporativas e domésticas, em todo o mundo. Uma pesquisa mostrou que o consumidor está cansado nos abusos de preços desse mercado de impressão, que hoje movimenta cerca de 50 bilhões de dólares. Com essa nossa nova estratégia, se atingirmos 5% desse mercado total, já teremos receitas de 2,5 bilhões de dólares, o que é muito interessante já. A Kodak deixou de ser aquele mostro enorme da fotografia e dos filmes para ser um participante importante, ao mesmo tempo em que tenta atingir um novo posicionamento para se adaptar às necessidades do mercado, como nesse mercado de impressão.

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