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Negócios

Google: superação à vista

O gigante de busca chinês Baidu está vencendo o Google na China, jogando com regras diferentes.

Por COMPUTERWORLD

23 de julho de 2007 - 07h40
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“Eu entendo”, diz o homem ocidental em um chinês com forte sotaque. Rodeado de belas mulheres chinesas, em um anúncio, ele dá um sorriso de satisfação.

Perto, um delicado homem chinês, vestido com um quimono, ri. “Você não entende, necessariamente”, ele diz. À medida que o anúncio se desenrola, o erudito chinês humilha o ocidental, zombando de seu fraco conhecimento do idioma chinês. No final, as mulheres se juntam ao lado do sábio e o ocidental fica sozinho, confuso e menosprezado.

“Baidu entende melhor os chineses”, afirma o anúncio da Baidu.com, provocando o ex-investidor e atual rival Google. E as estatísticas parecem endossar isso: atualmente, o mecanismo de busca Baidu responde por 62% do tráfego de busca no país, contra 52% em 2005, de acordo com o China Internet Network Information Center, em Pequim. Para as empresas ocidentais que estão tentando estabelecer uma presença web na China, a chave talvez seja entender como o Baidu joga este jogo.

Criado em 2000 por Robin Li e Eric Xu, dois executivos de tecnologia chineses que haviam trabalhado nos Estados Unidos, o Baidu cresceu e se tornou o web site em língua chinesa mais visitado do mundo. Neste processo, também conquistou a rara honra de ser uma das poucas empresas a terem competido de igual para igual com o Google e vencido, embora alguns digam que o campo não estava nivelado.

Os detratores do Baidu alegam que ele incentiva a pirataria de música e povoa o topo dos seus resultados de busca com listagens pagas. Mas seu sucesso e sua popularidade são inegáveis.

Grande parte do êxito inicial do Baidu é atribuída ao mecanismo de busca de MP3, que surgiu justamente quando os MP3 players estavam decolando na China. Ações judiciais impetradas por companhias fonográficas alegando que o buscador infringe direitos autorais não retardaram o avanço do Baidu.

O crescimento da empresa se deu enquanto o governo chinês preocupava-se cada vez mais com o Google.

A situação chegou ao ápice em setembro de 2002, quando censores do governo bloquearam o acesso ao Google na China. Poucos dias depois, autoridades chinesas "raptaram” o nome de domínio Google.com, redirecionando o tráfego chinês de internet para mecanismos de busca locais que censuram resultados.

A maior parte deste tráfego acabou indo parar no Baidu, o que lhe rendeu um aumento instantâneo de popularidade e gerou rumores de cooperação com a polícia da China, o Public Security Bureau. (executivos do Baidu recusaram-se a fazer comentários para este artigo.)

Nenhuma justificativa foi divulgada para o bloqueio e o subseqüente “rapto” do nome de domínio do Google por 10 dias, no total, mas foi um acontecimento famoso por duas razões: era a primeira vez que os censores chineses bloqueavam o acesso a um mecanismo de busca e marcou o começo do fim do reinado do Google como o buscador mais popular na China.

Hoje, o Google está bem atrás do Baidu neste país, tanto em popularidade junto aos usuários quanto em receita de publicidade relacionada a busca. Apesar de todo o empenho do Google e dos milhões de dólares que investiu na abertura de um escritório na China, não dá sinais de se igualar ao Baidu.

Executivos do Baidu acreditam piamente que seu sucesso está garantido. "Não achamos que a concorrência seja uma grande ameaça nesta altura", disse Li, atual chairman e CEO, a investidores durante uma conference call em fevereiro. (Xu, o outro criador do site, saiu da empresa em 2004.)

Como o Google, o Baidu obtém a parcela mais substancial de sua receita com anúncios na internet. Em 2006, faturou 106 milhões de dólares com publicidade online, um aumento de 170% sobre o ano anterior.

Nos últimos meses, a empresa passou a atuar em outras áreas além da busca. Acrescentou um serviço de notícias, autorizado pelo governo chinês, e o serviço de blog Baidu Spaces.

O sucesso alcançado impulsionou o lançamento de um mecanismo de busca em japonês, o Baidu.jp, como parte do plano de investir 15 milhões de dólares este ano para montar um negócio naquele país. Será interessante ver se o Baidu "entende" o Japão.

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