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Negócios

Dell negocia com o governo novas formas de desoneração da indústria de PCs

Companhia afirma que isenção de PIS/Cofins é 'só o começo' e que ainda há muito para a indústria de PCs crescer.

Por Taís Fuoco, do COMPUTERWORLD

27 de julho de 2007 - 10h39
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A Dell, assim como os demais fabricantes locais de microcomputadores, sentiu os benefícios das medidas de incentivo da Lei do Bem, que isentou de PIS/Cofins as máquinas de menos de 4 mil reais em 2005. A companhia, entretanto, negocia com instâncias do governo para que novas medidas desonerem essa indústria.

Segundo Raymundo Peixoto, diretor geral da Dell, as medidas anunciadas até agora, que já garantiram crescimento superior a 40% nas vendas em 2006, "são muito pouco perto do que esse setor ainda pode crescer". "Temos de buscar patamares de crescimento de uma China, por exemplo", defendeu o executivo.

Peixoto também defende que o governo reformule a atual Lei de Informática. "É uma lei muito antiga, está na hora de pensar em outro patamar", afirmou, em entrevista ao COMPUTERWORLD.

Uma das medidas que ele gostaria que deixasse de existir na Lei, por exemplo, é a exigência de compra local de determinadas partes e peças dos microcomputadores. "A Lei ainda tem exigências que criam feudos para um ou dois fornecedores locais", disse ele.

"O adensamento da cadeia produtiva não se dá por restrição, e sim por aumento de escala", defendeu o executivo. Por isso, ele opina que, com menos restrições, a indústria vai crescer ainda mais, gerar mais empregos e, conseqüentemente, mais impostos ao governo.

Os componentes são um dos exemplos citados por Peixoto. Segundo ele, "se não vamos ter volume para atrair uma fábrica, por que não zerar o imposto de importação?", questiona. Segundo ele, dessa forma pode-se reduzir ainda mais o preço ao consumidor final e ampliar o mercado. Ele lembra que o mercado cinza foi reduzido no País, mas ainda responde por uma fatia importante das vendas totais.

Segundo dados da consultoria IDC, no primeiro trimestre de 2007, o mercado dos computadores sem marca respondeu por 42,1% do total vendido, enquanto a média de participação em 2006 foi de 50,8%.

De acordo com Peixoto, as sugestões têm sido bem recebidas pelo governo. "A história de sucesso da isenção de PIS/Cofins mostra que funciona", ponderou. Por isso, ele acredita que "os próximos 10 anos vão ser muito mais desafiantes que os últimos".

A empresa tem conversado sobre novas formas de desoneração com o Ministério da Ciência e Tecnologia, com a pasta do Desenvolvimento e com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). "Não podemos deixar que [a desoneração] pare por aqui", reiterou.

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