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Governo quer telecentros menos dependentes da União

Segundo assessor, a idéia é que mais instâncias de governo e iniciativa privada possam suportar os telecentros. Prestação de serviços para geração de receita também não está descartada.

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

01 de agosto de 2007 - 07h35
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Apesar do pouco tempo de trabalho desde a criação, há pouco mais de dois meses, o comitê federal de inclusão digital já tem idéias gerais sobre algumas políticas que poderão garantir maior sustentabilidade e integração aos projetos.

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Segundo o coordenador da iniciativa, Cezar Alvarez, uma das principais iniciativas está em estabelecer aproximações com outras instâncias de governo – estaduais e municipais –, com a iniciativa privada e também com a comunidade. A idéia é garantir a integração de tais setores à estratégia dos telecentros e reduzir a dependência desses projetos em relação ao governo federal.

“Não digo que o telecentro tenha que se pagar, mas não concordo que a União pague 100% dele. Sustentabilidade não significa auto-suficiência. Acredito que o telecentro precise também de voluntários e que seja absorvido pela comunidade, pelo prefeito, governo estadual ou mesmo associação de bairro”, comenta.  Segundo Alvarez, o modelo de responsabilidade dividida permitiria uma expansão mais rápida e sustentável das bases de inclusão.

O comitê de inclusão digital também está avaliando políticas para utilizar os telecentros como pontos de capacitação para a comunidade, formação de monitores e inclusive a formação de pequenos empresários. Nessa última área, inclusive, o governo costura uma parceria com o Sebrae em nível nacional para definir uma estratégia de qualificação na área tecnológica.

“Também não descarto a possibilidade de que eles prestem alguns pequenos serviços. É uma discussão muito nova, mas que eventualmente pode inclusive incentivar a gerar receitas”, diz.

Estimativas do governo federal apontam que o Brasil encerrou o primeiro semestre com aproximadamente 17 mil telecentros, de diversas iniciativas – desde governamentais até patrocinadas pelo terceiro setor. Até o fim do ano passado, quando o País contabilizava 16.722 bases de inclusão digital, o governo federal financiava 60% delas.

Alvarez também defende a criação de uma padronização dos pontos de inclusão digital.
“Temos uma grande diversidade de telecentros. Seria ideal se houvessem alguns elementos que permitissem que os telecentros tivessem uma engenharia institucional, funcional e até mesmo tecnológica comum”, comenta. Na avaliação do executivo, os benefícios estariam justamente na integração. Só por parte do governo federal algumas dessas iniciativas são o Casa Brasil, hoje com 55 pontos de presença e previsão de 90 até o fim do ano, e o Gesac, com 3,4 mil e ambiciosos planos de atingir 20 mil bases em 2008.

Os telecentros integram apenas parte dos projetos previstos para o comitê executivo de inclusão digital, encarregado também de articular iniciativas como o Computador para Todos e Um Computador por Aluno. A iniciativa é destinada especialmente para a camada de baixa renda que não consegue se inserir na aquisição de computadores, mesmo com incentivos governamentais.

“Essas pessoas com renda em torno de 700 ou 800 reais, que correspondem a cerca de 75% dos lares brasileiros, têm mesmo que contar com os telecentros, já que se pagarem a prestação do computador e mais o pacote de conexão – avaliado em 7,50 reais e que será formalizado na próxima sexta-feira (03/08) – pagarão uma prestação próxima de 100 reais, o que é muito para elas”, ressalta.

O comitê é composto hoje por quatro pessoas, incluindo Alvarez, José Luiz Aquino, também assessor da Presidência, Nelson Fujimoto, que atuou na área de tecnologia em Porto Alegre (RS), e Lívia Sobota, advogada envolvida no projeto dos telecentros de São Paulo na gestão de Marta Suplicy (PT-SP). Segundo o coordenador, o grupo trabalha neste momento em uma fase de diagnóstico sobre os projetos de inclusão digital. Propostas práticas de ações devem ser divulgadas em um prazo de 60 a 90 dias, para de fato deslanchar em 2008.

“Queremos iniciar o ano com o time completo e articulado. Temos três anos e meio para fazer com que políticas com densidade e permanência”, conclui.

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