Negócios
Linus Torvalds: A Microsoft é irrelevante
Por Peter Moon, especial para o Computerworld
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CW – Como é que o Linux enquanto produto foi beneficiado pelo release?
– Bom, muito claramente, caso não o tivesse tornado público, teria sido apenas mais um dos meus pequenos projetos, sendo usado nas minhas máquinas, mas eventualmente teria sido deixado de lado sob um argumento do tipo: “é uma projeto bacana, mas deixa eu ver o que mais posso fazer”. O Linux não teria ido a lugar algum não fosse a abertura do código-fonte.
Considero que a mudança para o GPLv2 (com relação à minha licença original) foi importante, pois os interesses comerciais que estavam em jogo eram muito importantes desde o início. Mesmo no início de 92, já existia uma pequena distribuição comercial (via hobistas) que era no fundo um serviço de cópias baratas em discos flexíveis, aonde indivíduos interessados que estavam envolvidos decidiram que seria melhor tentar espalhar a idéia ao mesmo tempo em que ganhavam um dinheirinho. O fato de que eu, em particular, não estava interessado nisso, é .
O fato é que desde o início interesse comercial era muito importante. As distribuições comerciais foram o que atraiu um monte de ótimos instaladores, e forçou as pessoas a melhorar a usabilidade. Por isso acredito que os usuários comerciais do Linux têm sido muito importantes para aprimorar o produto. Eu sei que todo o pessoal técnico envolvido tem sido de enorme importância, mas penso que o tipo de uso comercial que se pode obter com o GPLv2 também é importante – é preciso manter um equilíbrio entre a tecnologia pura e as necessidades que os usuários trazem através do mercado.
Se tivéssemos optado apenas por uma opção mercadológica ou puramente voltada ao consumidor, acabaríamos no final com uma tecnologia que seria um lixo. Da mesma forma, acredito que algo que fosse somente desenvolvido pelo povo da tecnologia acabaria igualmente num lixo tecnológico. É preciso manter esse equilíbrio. Existe um monte de fanáticos por software livre achando que tudo se resume nos desenvolvedores, e que interesses comerciais são “do mal”. Isso é estúpido. Não se trata apenas dos desenvolvedores individuais, mas de todos os diversos interesses sendo trabalhados em conjunto. Os desenvolvedores têm seus próprios interesses e motivações (“tecnologia melhor”) e o povo do marketing e relações públicas tem outros (dinheiro), mas o melhor sistema é aquele que permite a todos estes interesses trabalharem atraindo a tecnologia para o seu lado. O que sobra no fim é equilibrado.
CW – Muitos programadores fizeram milhões com as novas tecnologias, mas você preferiu permanecer desenvolvendo o Linux. Não acha que perdeu a chance de uma vida ao não criar um sistema proprietário?
– Não, de verdade. Em primeiro lugar, eu vivo muito bem. Tenho uma casa de um bom tamanho e com um belo jardim, onde de vez em quando cervos surgem para comer as rosas (minha mulher prefere as rosas, eu prefiro os cervos, mas no fundo nós não ligamos pra isso). Tenho três filhos e sei que posso bancar a educação deles. Do quê mais eu preciso?
O ponto é o seguinte: um bom programador ganha bem. Um sujeito conhecido mundialmente ganha ainda melhor. Eu simplesmente não preciso criar empresa nenhuma. Além de esta ser a coisa menos interessante que eu possa imaginar para fazer. Eu ODEIO papelada. Jamais poderia tomar conta de empregados mesmo que tentasse. Uma companhia que eu criasse jamais teria sucesso – eu simplesmente não estou interessado! Então, ao invés disso, eu tenho uma boa vida, faço algo que realmente me interessa e que ao mesmo tempo faz a diferença para as pessoas, não só pra mim. E isso me faz bem.
Portanto, acho que teria perdido a chance de uma vida se NÃO tivesse tornado o Linux largamente disponível. Se tivesse tentado torná-lo comercial, ele jamais teria se saído tão bem, nunca teria sido tão relevante, e provavelmente eu estaria estressado. Estou muito feliz com as minhas opções de vida. Eu faço o que me importa e sinto que estou fazendo a diferença.
Sobre Richard Stallman
Caros leitores,
sobre a polêmica acerca do código aberto e seu criador, estamos em negociações com Richard Stallman para uma entrevista e, já no primeiro contato, ele foi bastante específico: "Um erro muito comum é a confusão entre as iniciativas de open source com o Free Software Movement. Eles têm o direto de promover suas idéias, mas eu gostaria de ser associado às minhas idéias, não às deles. Para mais explicações, vejam http://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.html", afirma.
Importante é destacar que a entrevista com Linus foi realizada antes das conversas com Stallman.
Enfim, essa mensagem é para comentar que o debate sobre quem criou o quê é acalorado e avisá-los que estamos cientes da polêmica - e trabalhando para publicar muito em breve as opiniões de Stallman.
Abraços a todos,
Alexandre Scaglia
Editor executivo
COMPUTERWORLD
Alexandre - 13 Ago 2007, 17h46
Correção
É um absurdo mencionar na matéria que Linux Torvalds é o criador do conceito de código aberto, conceito esse que vem desde o primórdios da programação é nativo nos BSD's é foi oficializado por Richard Matthew Stallman, são comentários típicos de mídia desespecializada como este que denigrem e manipulam as opiniões dso menos informados.
No mais a notícia está interessante, e espero que este canal de comunição passe a primar pela qualidade das informações prestadas
Ronaldo - 13 Ago 2007, 08h46
Realmente Linux esta me facinando...
Bem, sempre utilizei windows, pois muitas das aplicações que eu usava rodova somente no windows. Mais a alguns meses atras me apresentaram o linux. estou estudando ele agora. Não sei nada ainda mais a cada dia fez que pego para estudar, ele esta me facinando dia a dia. Muito interessante e nos deixa de mãos desatadas, podemos controlar o sistema mto interessante parabens para todos desenvolvedores. Assim que me adaptar bem, vou com certeza abandonar o windows. Abraços gente.
Diego - 11 Ago 2007, 07h23
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