Negócios
Nova estratégia da SAP para o Brasil
Em entrevista exclusiva, José Duarte, José Ruy Antunes e o recém-chegado Alberto Ferreira discutem seus planos para atacar o mercado nacional.
Por Alexandre Scaglia, do COMPUTERWORLD
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Leia a íntegra da entrevista exclusiva dada ao COMPUTERWORLD por José Duarte, no comando da SAP América Latina; José Ruy Antunes, ex-gerente geral do Brasil e agora em nova posição e Alberto Ferreira, que acaba de assumir o comando da subsidiária da SAP no País.
COMPUTERWORLD – Diante de um cenário tão positivo, o que motiva a mudança no comando da subsidiária?
José Duarte – Há duas mudanças em simultâneo. O que fazemos no momento em que vivemos é projetar o que queremos ser no dia de amanhã. Sabendo que hoje fazemos as coisas de maneira correta – e os resultados indicam isso – e sabendo que os objetivos da companhia são duplicar o tamanho da empresa e quadruplicar o número de clientes, temos de começar um conjunto de iniciativas de desenvolvimento estratégico. E eu não sei fazer isso de outra maneira que não seja com talento.
Assim, aquilo que decidimos fazer foi trazer para junto de mim e da região um dos principais arquitetos dos resultados e buscar um reforço no mercado para criar uma maior largura de banda para poder lançar projetos.
CW – Qual será a meta do Antunes nessa estrutura?
Duarte – Uma das áreas que estará sob sua responsabilidade será o SAP Professionals, iniciativa que já lançamos para capacitação cujo objetivo é duplicar o número de profissionais no mercado. O projeto já existe e precisamos agora acelerá-lo. A segunda área tem relação com um legado fantástico que são os mais de 3,5 mil clientes que já temos em nossa base. Queremos trabalhar melhor com esses clientes e isso é possível por meio das associações de usuários. Temos um associação muito forte no Brasil e eu quero ter uma ASUG em todos os países da América Latina. E queremos também retribuir muito daquilo que recebemos da sociedade. Só que não temos hoje um programa de responsabilidade social estruturado – e queremos ter. É importante garantir uma evolução sem mudanças no mercado. Por isso o Antunes, que responde por América Latina, não sai de São Paulo.
Em uma única frase, por que a mudança? Porque posso mudar. Porque temos um horizonte onde queremos chegar e, para isso, posso usar dois motores ou quatro motores e ir mais rápido. Nós somos líderes, mas não podemos perder a vontade de fazer mais e melhor. É essa vontade que leva à reunião de talentos.
CW – Outra das atribuições do Antunes é aproximação com governo. O que é exatamente essa aproximação e que tipo de benefício pode vir disso?
José Ruy Antunes – Existe um trabalho muito grande feito nos últimos três anos para criar no Brasil um centro de desenvolvimento global da SAP. Isso é um exemplo de aproximação com o governo e o trabalho talvez seja dar continuidade a esse tipo de iniciativa. Afinal, quando falamos de SAP Professionals, de formação de mão-de-obra e de trazer o Brasil e agora a América Latina para o cenário da SAP mundo, isso chega a um ponto em que é preciso conversar com o governo. Eventualmente até para discutir políticas para o setor. Depois de 20 anos nesse mercado, acho que a própria SAP, que faz isso no mundo todo, tem muito a contribuir com o governo com o que deu certo ou não deu certo em outros países.
Hoje em dia, quem fala com o governo do segmento são só as empresas nacionais. Para o governo tomar uma decisão consciente, é melhor ouvir todos os lados. Mas também é difícil o governo ir até as empresas. Acho que os segmentos de tecnologia da informação se sentiam meio vilipendiados porque multinacional não fala com o governo. Por que não? Nós não estamos fazendo nada de errado. Nós treinamos profissionais, trazemos melhores práticas... O governo quer ir para o exterior? Eu canso de dizer: use a mesma ponte que traz para levar. Não tente construir algo novo.
Duarte – Relação com o governo é uma área que carece de tempo. E estando diariamente imersos na operação, é difícil. Não tem a ver com o dia-a-dia, mas é uma forma de pavimentar o caminho para chegar à visão.
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CW – Quais são as três principais atividades que a SAP espera do Alberto Ferreira?
Duarte – O Alberto terá a responsabilidade de reforço daquilo que são as áreas estratégicas de evolução que já tínhamos definido com o Antunes. A nossa primeira responsabilidade é com os clientes que já depositaram confiança na SAP. Com eles, precisamos assegurar seu nível de satisfação, expandir o relacionamento que já temos e, para isso, precisamos crescer nossa capacidade de desenvolvimento – temos produtos e inovação para oferecer para eles.
O segundo ponto é olhar para a oportunidade gigante de crescimento que há nas pequenas e médias empresas. O que registramos nesse 1º semestre é apenas uma mostra daquilo que nós podemos fazer. Realmente temos de crescer muito mais nesse segmento. O terceiro ponto é a expansão de alguns territórios onde queremos estar mais fortes: setor público, setor financeiro e varejo. São mercados com estágios distintos de desenvolvimento, mas o retorno que recebemos tem sido extraordinário.
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