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Conheça Richard Stallman, o verdadeiro pai do software livre

Por Peter Moon, especial para o Computerworld

11 de setembro de 2007 - 07h05
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COMPUTERWORLD – O que é mais importante para você, a grande base de desenvolvedores do GNU ou a sua enorme base de usuários?
STALLMAN –
Eu aprecio a ambas, mas nenhuma delas é o que mais importa. Nós não desenvolvemos o GNU apenas para obter um triunfo técnico ou só pelo sucesso. Nosso objetivo era ganhar liberdade, para nós próprios e para você.

O que é importante sobre o GNU é que ele fornece um meio para usar computadores com liberdade. Mas esta conquista é precária. Existem centenas de distribuições GNU/Linux, e quase todas elas incluem algum software não-livre. Em 1992, o GNU/Linux tornou possível pela primeira vez usar um PC e manter-se livre. Em 2000, ironicamente, cada versão do GNU/Linux incluía software não-livre e assim convidava os usuários a render suas liberdades ao instalá-los. Hoje, fico feliz em dizer, as distribuições Ututo e o gNewSense são 100% software livre. Com eles você não pode errar, a menos que saia por aí atrás de programas não-livres.

COMPUTERWORLD – Depois de tantos anos, você enxerga a luz no fim do túnel, o momento em que o software livre irá reconquistar o seu lugar original, ao dominar os servidores durante a próxima década?
STALLMAN –
Os operadores de servidores deveriam ter liberdade, é claro, mas os computadores que mais afetam diretamente a liberdade dos usuários são os computadores onde eles teclam. Estes são os computadores onde a adoção do software livre é mais importante.

Com sistemas operacionais proprietários cada vez mais projetados para restringir e controlar o usuário, com a Gestão Digital de Restrições (DRM - Digital Restrictions Management), seus usuários são subjugados mais ainda agora do que antes. Se você não quer correntes na sua mão e no seu pé, a sua única escapatória é mudar para o sistema operacional livre.

Outros destaques do COMPUTERWORLD:
> Cobertura especial do FISL - Fórum de Software Livre
> Governo compra 520 mil PCs com Linux para escolas
> Brasil vai se tornar referência em software livre
> Da ideologia à prática estratégica
> A Microsoft é irrelevante, diz Linus Torvalds


COMPUTERWORLD – As pessoas usam termos como Software Livre (Free Software) e Código Aberto (ou Fonte Aberta, Open Source) como se fossem a mesma coisa. Isso procede?
STALLMAN –
Em termos de idéias, software livre e fonte aberta são totalmente diferentes. Software livre é um movimento político; fonte aberta é um modelo de desenvolvimento. O movimento de software livre concerne valores éticos e sociais. Nossa meta é ganhar, para os usuários de computador, a liberdade de cooperar e controlar a sua própria computação. Portanto, o usuário deveria ter estas quatro liberdades essenciais para cada programa que se use:

0. Rodar o programa como se queira.
1. Estudar o código fonte e alterá-lo de como que o programa faça o que se queira.
2. Redistribuir cópias exatas quando se desejar, tanto doando quanto vendendo.
3. Distribuir cópias das suas versões modificadas quando se desejar.

O termo “fonte aberta” foi cunhado em 1998 por pessoas que não queriam dizer “livre” ou “liberdade”. Eles associaram o seu termo com uma filosofia que cita apenas valores de conveniência prática. Os apoiadores do código aberto (entre os quais eu não me conto) promovem um “modelo de desenvolvimento” no qual os usuários participam do desenvolvimento, afirmando que isto torna o software “melhor” – e quando eles dizem “melhor”, querem dizê-lo apenas num sentido técnico.

Ao usar o termo deste modo, implicitamente dizem que só o que importa é a conveniência prática – não a sua liberdade. Eu não digo que estejam errados, mas eles perderam o foco. Se você negligencia os valores da liberdade e da solidariedade social, e aprecia apenas o software poderoso e confiável, está cometendo um erro terrível.

COMPUTERWORLD - O mesmo acontece com o Linux, cujo código foi liberado em 1991. O público costuma usar o nome Linux como sinônimo para o GNU, assim como o Windows se tornou sinônimo de sistema operacional para o PC, não é verdade?
STALLMAN –
Não estou certo sobre o que você quer dizer quando escreve “o mesmo”. Windows é o nome oficial (não apenas um sinônimo) para um sistema operacional proprietário subjugador do usuário desenvolvido pela Microsoft. Linux, entretanto, não é um sistema operacional, mas apenas uma parte de um deles.

Linux é um kernel: o componente de um sistema operacional que aloca os recursos da máquina para os programas que você usa. Ele foi liberado em 1991 como um software não-livre: sua licença não permitia a distribuição comercial. Em 1984 eu lancei o desenvolvimento do sistema operacional GNU, cujo objetivo era ser um software livre, e assim permitir aos usuários rodar computadores e ter liberdade. Em 1992, o sistema GNU estava completo exceto pelo kernel (o nosso próprio projeto de kernel começou em 1990 e andava a passo lento).

Em fevereiro de 1992, Linus Torvalds alterou a licença do Linux, tornando-o um software livre. O kernel Linux preencheu uma grande lacuna no GNU.

A combinação GNU/Linux foi o primeiro sistema operacional livre que podia ser rodado num PC. O sistema começou como GNU com a adição do Linux. Por isso, por favor, não o chame de “Linux”. Quando se faz isso, não se dá nenhum crédito ao principal desenvolvedor. Por favor, chame-o de “GNU/Linux” e nos dê igual menção.

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