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Conheça Richard Stallman, o verdadeiro pai do software livre
Por Peter Moon, especial para o Computerworld
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COMPUTERWORLD - A Free Software Foundation liberou
recentemente a 3a versão da licença geral pública do GNU (GPLv3). Quais
são as mudanças que os usuários podem esperar ao adotá-la?
STALLMAN – Publicamos
o texto final oficial do GPL versão 3 em junho, e muitos programas têm sido
liberados sob esta licença desde então. O objetivo básico da GNU GLP na versão
3 é o mesmo que sempre foi: defender a liberdade de todos os usuários. As
mudanças são nos detalhes. Para informações sobre estes detalhes, veja http://www.fsfla.org/svnwiki/blogs/lxo/pub/gplv3-novidades.pt.html.
COMPUTERWORLD – Quando
entrevistei Linus Torvalds
há um mês, ele me disse que “a 2ª
versão do GPL é uma licença
superior”, mas que existem “algo como 50 licenças diferentes de fonte aberta,
sendo a GPLv3 só outra delas”. O Linus colaborou com você no desenvolvimento do
software livre?
STALLMAN – O
fato de Torvalds dizer “fonte aberta” no lugar de “software livre” revela de
onde ele vem. Eu escrevi o GNU GPL para defender a liberdade de todos os
usuários de todas as versões de um programa. Desenvolvi a versão 3 para fazer
um trabalho melhor e proteger contra novas ameaças. Torvalds diz que rejeita
esta meta, provavelmente porque ele não aprecia o GPLv3. Eu respeito o direito
dele de expressar os seus pontos de vista, mesmo achando que eles são tolos.
Entretanto, se você não quer perder sua liberdade, é melhor não segui-lo.
COMPUTERWORLD - A
Microsoft declarou recentemente que programas livres como o Linux, o OpenOffice
e alguns softwares de e-mail violam 235 das suas patentes (veja a revista Fortune, “Microsoft contra o mundo
livre”). Mas a empresa afirmou que não irá processá-los, pelo
menos por enquanto... Esta é a ponta do iceberg de um novo pesadelo legal?
STALLMAN – As
patentes de software – naqueles países tolos o bastante para autorizá-las – são
um pesadelo legal para todos os desenvolvedores de software. Cerca de metade de
todas as patentes em qualquer indústria pertence às megacorporações, o que lhes
permite estrangular a tecnologia. Em países que permitem patentes de software,
o mesmo ocorre com o software.
COMPUTERWORLD – Em
5 de julho, a Microsoft publicou o seguinte anúncio:
“Enquanto alguns reivindicam que a distribuição de certificados pela Microsoft
para os serviços de suporte da Novell, graças à nossa colaboração interoperacional
com a Novell, constitui a aceitação da licença GPLv3, nós não acreditamos que
tais reivindicações têm base legal, contratual, de propriedade intelectual ou
sob qualquer outra lei”. Eles estão se preparando para uma
batalha?
STALLMAN – A Microsoft
está tentando negar que o seu contrato com a Novell significa o que ele diz.
Isto mostra que nossos esforços no GPLv3 contra a Microsoft estão funcionando.
Seu uso do termo “propriedade intelectual” é parte da propaganda. Visa
desencorajar-nos a focar na lei específica, a lei de patentes, que eles vêm
tentando usar para proibir o software livre. Por exemplo, eles não querem que
os brasileiros pensem o seguinte: “Se a Microsoft quer usar patentes de
software para obter um monopólio sobre o software de sistemas operacionais
imposto ao governo, por que o Brasil deveria dar-lhes a chance de fazê-lo? O
Brasil não deveria autorizar as patentes de software”.
COMPUTERWORLD – Você
acredita que a comunidade de software livre pode vencer essa guerra contra as
legiões de Bill Gates?
STALLMAN – Ninguém
sabe quem irá vencer essa luta, porque o resultado depende de você e dos
leitores. Vocês irão lutar pela liberdade? Vocês irão rejeitar o Windows e o
MacOS e outros softwares não-livres, e mudar para o GNU/Linux? Ou vocês serão
preguiçosos demais para resistir?
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