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Conheça Richard Stallman, o verdadeiro pai do software livre
Por Peter Moon, especial para o Computerworld
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COMPUTERWORLD – Alguns
analistas afirmam que este tipo de acordo entre a Microsoft e a Novell é
positivo para os consumidores e também pode popularizar o software livre. Isto
porque os consumidores terão mais suporte dos fornecedores em termos de
interoperabilidade e poderão rodar seus aplicativos de forma melhor. Você
concorda com estes argumentos?
STALLMAN – Ele
é como o argumento que diz que fumar tabaco é bom para a sua saúde porque irá
ajudá-lo a perder peso. Não sei se a reivindicação deles sobre popularidade é
verdadeira num sentido estrito, mas tenho certeza de que ela foge da questão.
Pouco importa quão popular o GNU/Linux se torne, se ele falhar em dar
liberdade. O alvo da Microsoft no acordo com a Novell foi amedrontar as pessoas
em usar o GNU/Linux sem pagar a Microsoft pela permissão. Foi por isso que eu
escrevi o GPLv3 para virá-lo contra ela.
Quanto à interoperabilidade, tudo o que precisamos para conquistar uma interoperabilidade completa é que os desenvolvedores de software proprietário parem de obstruí-la. Com o software livre, os usuários estão no controle. Na maioria das vezes, os usuários querem a interoperabilidade, e quando o software é livre, eles têm o que querem. Com software não-livre, o desenvolvedor controla os usuários. O desenvolvedor permite a interoperabilidade quando esta lhes convém. O que os usuários querem vai além deste ponto.
A Microsoft tem freqüentemente imposto a não-interoperabilidade. Agora, por exemplo, ela promove o “padrão” patenteado fraudulento Office OpenXML no lugar de dar suporte ao Open Document Format. A Microsoft acredita ser tão poderosa que pode projetar um formato incompatível, criar obstáculos para a sua implementação por outros, e pressionar a maioria dos usuários para adotá-lo. Você acredita que os usuários são mesmo tão bobos como a Microsoft acredita?
COMPUTERWORLD – Alguns
governos ao redor do planeta (o Brasil é um deles) estão se envolvendo,
entrando na linha de frente da promoção do software livre através das suas
diversas instâncias. O que acha disso?
STALLMAN – Qualquer
país, qualquer estado e qualquer município deveria assegurar que suas escolas
e agências governamentais adotassem o software livre. A Venezuela e o Equador
adotaram tais políticas, assim como a Extremadura, na Espanha. O governo
brasileiro tem programas que promovem o software livre.
O Centro de Difusão de Tecnologia do Conhecimento oferece cursos de software
livre através do ensino à distância. O Guia Livre
fornece conselhos para as agências públicas sobre como mudar para o software
livre. No Portal do Software Público Brasileiro
o governo disponibiliza programas livres úteis. E o programa Computador Para
Todos encoraja a venda de computadores de baixo-custo com software livre.
Entretanto este apoio não é completo. De fato, o Ministério da Fazenda brasileiro distribui um programa para os cidadãos para o preenchimento de suas declarações de imposto de renda. Este programa é proprietário! Os cidadãos brasileiros deveriam apoiar a campanha da Free Software Foundation Latino-americana contra o “Software Impostos”, conclamando o governo a torná-lo um software livre.
O Ministério do Trabalho brasileiro acabou de assinar um pacto com a Microsoft para treinar brasileiros para usar o Windows – em outras palavras, para fortalecer o domínio da Microsoft sobre o País. Este contrato impatriótico tem que ser cancelado.
Acima de tudo, o Brasil deveria parar de usar computadores para votar. Com máquinas computadorizadas de votação, não existe meio de dizer se as pessoas que rodam o sistema alteraram o software para fraudar a eleição. O voto tem que ser feito em papel. Eu soube que o Fórum do Voto Eletrônico discute esta questão (já que não sei ler português, não pude checar por mim mesmo). Os funcionários públicos brasileiros que queiram conselhos sobre como mudar para o software livre podem escrever para admpub@fsfla.org.
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