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Negócios

Por que a Oracle está finalmente correndo atrás da BEA

Articulista do Computerworld Canadá Shane Schick comenta a movimentação indicando que a BEA está fazendo seu trabalho bem demais.

Por Computerworld Canada

15 de outubro de 2007 - 13h40
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Se você tem uma empresa de tecnologia e foi adquirido por outra corporação, você deve estar fazendo algo certo. No caso da BEA, a oferta de aquisição de 6,7 bilhões de dólares da Oracle sugere que a companhia deve estar fazendo o seu trabalho bem até demais.

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A oferta feita pela gigante de banco de dados na sexta passada foi próxima do que os analistas especializados em Oracle já esperavam por anos, antes até da aquisição da Siebel. Eu estava em uma sala com Larry Ellison, CEO da empresa, na época do lançamento da versão 10g do banco de dados, quando um repórter perguntou sobre as perspectivas da BEA.

O executivo garantiu que a Oracle não estava comprando a BEA, mas em seu “não” percebia-se que era um assunto que Ellison tinha pensado bastante. Na ocasião, ele sugeriu que a BEA tinha se valorizado demais. Ao se ver a resposta da BEA – uma carta classificando a oferta da Oracle como “muito baixa” – ela continua se valorizando demais.

Mesmo com as declarações contrárias, há uma boa possibilidade de que a negociação se concretize. Ainda que bem sucedida, uma empresa que oferece apenas solução de servidor de aplicações e middleware não vai conseguir continuar muito tempo em sua concha. Pelo menos não enquanto corporações como IBM (e Oracle) oferecem esse tipo de ferramenta e muito mais.

Mais cedo ou mais tarde a BEA vai aprender essa lição. No caso, não há nenhuma rusga entre o conselho das empresas como havia entre Larry Ellison e o antigo CEO da PeopleSoft Craig Conway, drama de proporções shakesperianas até a conclusão hostil.

Tudo indica que a BEA vai fechar o acordo, mas como qualquer empresa nesta posição, vai brigar para tirar o máximo que puder. A Oracle não vai abandonar a sua reputação de “consolidadora” do mercado, então a BEA pode esperar que Ellison (ou mais provável, seu sucessor Chuck Phillips) faça todo tipo de ações até que a empresa aceite.

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O que a Oracle realmente ganha com a BEA é algo mais difícil de discernir. Estamos falando de uma empresa que gastou seus últimos três anos – basicamente desde o acordo com a PeopleSoft – discursando sobre como iria combinar as suas várias suítes de aplicação, no projeto nomeado Fusion. O grande destaque desse projeto até agora foi, exatamente, o Fusion middleware. Se ele é tão bom quanto anunciado, qual é o motivo da Oracle necessitar do middleware da BEA? Claro, a Oracle ficou bastante feliz ao comprar a PeopleSoft com objetivo de eliminar um competidor, mas neste caso a BEA pode oferecer mais.

Além da experiência em SOA (Service Oriented-Architectures), a BEA tem um foco muito maior no mercado de Web 2.0 do que a própria Oracle. Talvez por ser menor, a BEA pode ser mais ágil. De qualquer forma, este conhecimento está ajudando seus clientes a tirar o máximo do SOA, fator que a Oracle precisa na venda de seu próprio middleware, entre outros produtos.

Um fato interessante é que apenas um dia antes da proposta de compra da Oracle ser feita, um cliente da BEA reclamava para mim que a empresa deveria suportar outros bancos de dados além do da Oracle. Este cenário é cada vez mais improvável, especialmente se o acordo se concretizar. Mas se a Oracle está falando sério sobre assumir riscos, a interoperabilidade pode ser o maior de todos.

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